terça-feira, outubro 13, 2015

Estamos vivenciando a maior revolução no transporte desde a invenção do automóvel

Julio Vasconcellos  
Veja online

Em menos de 10 anos, testemunharemos o fim das montadoras de automóveis, dos postos de gasolina, e de mais que 90% dos acidentes de carro


O Google já consta com uma frota de veículos autônomos
 logando mais que 15.000 km por semana em vias públicas

Em 1886 o alemão Karl Benz inventou o primeiro automóvel movido a gasolina. Em 1908, a Ford lançou oModel T, o primeiro carro economicamente acessível.  Sem dúvida, o avanço no transporte revolucionou a sociedade, o comércio, e facilitou o crescimento e desenvolvimento das cidades. Mas, hoje, um século mais tarde, estamos prestes a vivenciar a maior transformação no transporte desde a chegada do automóvel.

Viveremos em uma realidade onde o veículo movido a gasolina será uma coisa do passado. A figura do motorista – seja de um coletivo, de um táxi, ou até mesmo daquele que dirige seu carro particular – não será nem reconhecida pela nova geração. As montadoras, inclusive a própria Ford, que protagonizou anterior revolução no transporte, tomarão o mesmo caminho dos fabricantes de carruagens.

Essa mudança é o resultado da interseção de três poderosas vertentes: A viabilidade técnica do veículo autônomo; a produção em escala de baterias com alta capacidade para carros elétricos; a massificação de sistemas e plataformas para compartilhamento e arrendamento de transporte.

O veículo autônomo chegou
O carro autônomo já é uma realidade, falta apenas se tornar disponível ao público, algo que empresas como Google, Apple e Tesla, já prometem até 2020. Para exemplificar, o Google possui uma frota de carros autônomos, que já rodaram mais de 1,6 milhões de quilômetros em vias públicas e já transportam diariamente mais de 100 colaboradores da empresa – de suas casas ao trabalho.

Os benefícios da automação
A primeira grande vantagem do transporte autônomo será a segurança no trânsito. Utilizando sistemas avançados de lasers, sensores, e câmeras, o veículo autônomo enxerga muito além da capacidade humana. Isso sem mencionar que o condutor, cada vez mais interrompido pelo envio de mensagens no celular, não consegue (e nem quer) dedicar 100% do seu tempo e atenção para locomover um veículo.

A melhora da segurança no trânsito refletirá em uma grande queda no número de mortes em acidentes de carros. Atualmente, 1,2 milhões de pessoas no mundo morrem em acidentes de trânsito todo ano. De acordo com um levantamento do Google, estima-se que 94% dessas mortes sejam causadas por erro humano.

A segunda grande vantagem será a diminuição do congestionamento dos veículos nas cidades, que atualmente, consome tanto do nosso tempo produtivo. Veículos autônomos conseguem dirigir de forma mais precisa – necessitando menos espaço entre eles e assim, triplicando a capacidade das nossas estradas. Contando com esse mecanismo, passaremos menos tempo dirigindo e utilizaremos o tempo no carro, para outros fins – seja trabalhando no nosso notebook, lendo um livro, ou dando uma cochilada.

A morte das montadoras
O fim das montadoras virá logo depois. Justifico minha afirmação: a dificuldade de construir um veículo autônomo não vem da qualidade do hardware, mas sim da complexidade do software. Desenvolver software com logica e algoritmos avançados é algo que empresas como Google e Apple sabem fazer infinitamente melhor do que qualquer empresa fundada no início do século vinte.

O grande desafio do lado de software, não é só de captar volumes absurdos de dados em tempo real (algo feito pelos sensores, lasers, e câmeras), mas de processar esses dados quase que instantaneamente, tomando milhares de micro-decisões a cada segundo – um conhecimento de Big Data e de várias outras técnicas que as montadoras não dominam nem perto dessas gigantes de tecnologia.

Para se ter uma ideia dessa corrida tecnológica, somente a Apple, que deve estar 2 ou 3 anos atrás da Google em pesquisa na área, já tem 600 colaboradores alocados em seu projeto “secreto”, codinome “Titan”, e tem planos de triplicar esses números. São investimentos que a Apple, empresa com mais de 200 bilhões de dólares em caixa (valor suficiente para comprar a empresa de Henry Ford 4 vezes), consegue realizar. Já as grandes montadoras, infelizmente, nunca conseguirão se igualar.

Do sol ao tanque: Carros que não precisam de gasolina
O carro elétrico, para alguns países, já é uma realidade a vários anos. A empresa Tesla Motors, do empreendedor visionário Elon Musk, já colocou, por exemplo, mais de 75 mil veículos nas estradas. Seu principal veículo, o Model S, pode rodar mais de 400km, sem precisar recarregar a bateria – energia suficiente para ir do Rio de Janeiro a São Paulo, sem parar. O ritmo de inovação da empresa, e de concorrentes, só acelera à medida que sua escala cresce. Até o lançamento de um veículo autônomo, a capacidade dos veículos elétricos já deve superar os 600km.

Uma grande vantagem desse tipo de tecnologia é a diminuição da poluição atmosférica nas cidades. 

A Tesla, que não se restringe apenas ao desenvolvimento de carros, recentemente, anunciou a Powerwall, uma bateria residencial que permite a geração de energia através de painéis solares, captada da própria casa do condutor do veículo, possibilitando o armazenamento de energia na bateria.

Olhando o mesmo horizonte da comercialização do veículo autônomo, acredito que a ligação de painéis solares residenciais com capacidade de armazenamento de energia, e veículos elétricos, viabilizaram carros que não só não precisam de motoristas mas também não precisam de gasolina.

Transporte compartilhado e sob-demanda
A medida que carros não dependem mais de motoristas ou de gasolina para se locomoverem, o custo desse tipo de produto, rapidamente, se tornará uma pequena fração do que é hoje. Com isso, o principal investimento em ter um veículo será o custo inicial para obter esses sistemas de transporte do futuro. O barateamento do custo variável de transporte (o preço de uma corrida de táxi, por exemplo), em comparação ao custo fixo do automóvel, tornarão ainda mais atrativa, financeiramente, a opção de compartilhar um veículo entre vários passageiros, seja via transporte coletivo, ou até mesmo transporte individual (como os táxis e Ubers proporcionam hoje).

A tendência é essa: as pessoas passarão a pagar somente pelo período e distância percorridos. Com essa mudança, vejo o número de veículos particulares caindo drasticamente e o uso de empresas como a Uber, que hoje já tem escala global como uma plataforma de transporte, crescendo, e nesse processo criando algumas das empresas mais valiosas do planeta.

Como qualquer grande movimento sísmico mundial, a revolução no transporte que estamos prestes a testemunhar terá ganhadores e perdedores. Os perdedores tentarão retardar seu acontecimento – via artimanhas políticas e burocráticas – mas não terão sucesso a médio prazo. Os ganhadores serão as bilhões de pessoas que terão acesso a um transporte mais eficiente, limpo e barato.

Facebook cria alternativas ao 'curtir': emojis

Veja online
Com informações EFE

Os usuários terão mais cinco opções de interatividade e poderão usar expressões de raiva e felicidade; não há previsão de chegada do recurso ao Brasil

(Facebook/Divulgação)


O Facebook anunciou nesta quinta-feira a criação do Reactions, uma espécie de extensão do botão "curtir" com cinco novas opções que permitem aos usuários se expressarem de outras maneiras sobre um post: "Love" (adorei), "Haha" (engraçado), "Yay" (feliz), "Wow" (surpreso), "Sad" (triste) e "Angry" (com raiva). Por enquanto os emojis estão apenas em inglês - não se sabe ainda a tradução em português que a rede social irá adotar. As novas formas de expressão vão funcionar da seguinte maneira: o usuário terá de apertar e segurar o botão "curtir" para abrir um menu com os cinco emojis e eles não poderão ser usados em comentários, apenas em publicações.

Há algumas semanas, o cofundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou que a companhia estava trabalhando em um botão "não curti", mas que seria uma maneira nova de se mostrar empatia e não aumentar os "haters" da rede social. Há muito tempo existia a demanda por novas opções, já que grande parte dos usuários consideram o "curtir" uma ferramenta restrita à interatividade com determinados conteúdos como acontecimentos trágicos, mortes e notícias consideradas tristes. A novidade estará disponível a partir de amanhã para os usuários da Espanha e da Irlanda e ainda não há previsão da estreia do recurso para os demais países. O Facebook ainda vai analisar o uso destas opções e as possíveis melhoras que pode implementar antes de seu lançamento mundial.





Esqueça o arroz! Há um jeito melhor de secar seu smartphone

Marina Demartini
EXAME.com 

Thinkstock
À prova d'água: uma companhia inventou uma máquina 
que suga a água de dentro do smartphone

São Paulo – Se você já molhou seu smartphone, talvez tenha recorrido à técnica de deixá-lo dentro de um pote com arroz para tirar a água que ficou dentro do aparelho. Apesar de relativamente eficaz, essa tática demora cerca de três dias para secar o dispositivo.

Pensando neste problema, a TekDry, uma empresa norte-americana de reparos eletrônicos, criou uma máquina que suga a água de dentro do smartphone. Segundo a companhia, o aparelho pode secar telefones em até 30 minutos.

O serviço custa 70 dólares e a taxa de sucesso é de 80% se o usuário levar o telefone em até 48 horas depois do incidente. No entanto, caso ele não volte a funcionar após a secagem, o dinheiro é devolvido ao cliente.

No momento, a empresa disponibiliza este serviço apenas em alguns estados dos Estados Unidos. Enquanto ela não chega ao Brasil, a alternativa é confiar em aparelhos à prova d'água.

Você pode ver como a máquina da TekDry funciona no vídeo abaixo:


Por que o Uber acelera tanto?

Revista ISTOÉ

Na semana passada, as redes sociais fizeram circular uma informação que é o retrato do mundo empresarial na segunda década do século 21. A maior rede de hospedagem do mundo, o Airbnb, não é dona de um único quarto. O maior divulgador de conteúdo, o Facebook, não produz um único texto. A maior companhia de transporte, o Uber, não possui um carro sequer. Neste último caso, o sucesso estrondoso é ainda mais surpreendente. Por mais que o fundador Travis Kalanick diga que se trata de uma empresa de tecnologia, o Uber é, no fundo, apenas uma organização que oferece um serviço que existe há mais de 100 anos: o transporte pago de passageiros em veículos com quatro rodas. Mesmo sem trazer uma grande inovação, o aplicativo se tornou um fenômeno global. A mágica foi reciclar uma velha ideia – o transporte de pessoas –, seduzir os clientes com dinamismo e qualidade não encontrada nos concorrentes, e, em alguns casos, fazer corridas por preços mais em conta. Com essa fórmula simples e de alta eficiência, o Uber enfureceu taxistas do mundo inteiro, que viram seu mercado minguar, ao mesmo tempo em que embolsava bilhões de dólares.


FORTUNA
O fundador Travis Kalanick se tornou
 uma das pessoas mais ricas dos Estados Unidos

Em apenas 5 anos de existência, o Uber já está avaliado em US$ 51 bilhões. É mais do que a centenária General Motors, cotada a US$ 47 bilhões. Para ficar no universo brasileiro, a Petrobras, uma das maiores petrolíferas do mundo, valia na semana passada US$ 26 bilhões, praticamente a metade. Dois fatores explicam o crescimento acelerado do Uber. Primeiro, ele está inserido na economia digital, quem tem notável capacidade para produzir bilionários da noite para o dia. O segundo ponto diz respeito ao modelo de negócios. “O Uber não tem amarras”, diz Rodrigo Tafner, coordenador do curso de Sistemas de Informação da ESPM. “A estrutura é enxuta e facilmente aplicável.”

Funciona assim: a empresa fica com 20% das corridas dos motoristas do Uber Black (categoria top) e 25% do UberX (mais simples). Como os motoristas não são funcionários, não há custos trabalhistas e as despesas se restringem à atualização de softwares e às poucas pessoas que trabalham nos escritórios. O Uber também não gasta um único centavo com a manutenção e limpeza dos 500 mil carros que oferecem o serviço (pelo acordo entre as partes, essas são responsabilidades dos motoristas). Outra vantagem é que um único modelo de aplicativo se aplica a todos os 58 países onde atua (a única necessidade é a tradução). “O sucesso do Uber se deve ao fenômeno da economia compartilhada”, diz Tallis Gomes, fundador do aplicativo concorrente Easy Taxi.


CONFUSÃO
Taxistas protestam contra o aplicativo e tentam invadir a
prefeitura de São Paulo. Disputa está longe de acabar

No Brasil, o aplicativo passou a funcionar em maio de 2014 no Rio de Janeiro. Atualmente, está disponível em cinco cidades: além do Rio, também em Belo Horizonte, Brasília, Maceió e São Paulo. No País todo, há seis mil motoristas cadastrados, mas esse número vem aumentando rapidamente. Em Nova York, a quantidade de carros pretos (a cor oficial do Uber) já é maior do que a de táxis amarelos, que se transformaram nos últimos anos num dos símbolos da cidade americana.

O Uber acelera no mundo inteiro apesar dos intensos protestos de taxistas e do cerco das autoridades. Nos Estados Unidos, há o risco de a Justiça obrigar a empresa a reconhecer os motoristas como funcionários, o que inviabilizaria o modelo de negócios da empresa. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad anunciou, na quinta-feira 8, a criação da categoria “transporte por aplicativo.” Para se encaixar na nova regra, o carro deverá ser preto, ter quatro portas e, no máximo, cinco anos de uso. Também foi definido que todas as cobranças deverão ser feitas por meio de aplicativos. Pouco depois do anúncio, o Uber divulgou um comunicado criticando a iniciativa, dizendo que não é uma empresa de táxis e que “não se encaixa em qualquer categoria”. Novas disputas deverão ser travadas nos próximos dias.


PORTAS ABERTAS
O motorista do Uber Rodrigo Federice: 
ganhos de até R$ 10 mil por mês

Os profissionais que apostaram no Uber dizem que melhoraram de vida. No final de 2014, Rodrigo Federice, 36 anos, deixou a multinacional em que trabalhava há 15 anos para abrir uma empresa de brindes. Em janeiro, desistiu do projeto depois de conhecer o Uber. Vendeu a moto, pegou o dinheiro da rescisão e comprou um Toyota Corolla preto. Como funcionário de empresa, ganhava R$ 8,5 mil brutos. Depois que virou motorista, passou a embolsar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por mês, com a diferença de que controla melhor o seu tempo. Há sete meses com o Uber, Marcos da Silva, 43 anos, também não tem do que reclamar. Como motorista de transportadora, ganhava R$ 2 mil por mês. A renda agora mais do que triplicou. “Até consegui colocar o meu filho em uma escola particular”, diz.



FOTOS: Divulgação; FELIPE GABRIEL; Dario Oliveira/Agência o Globo

Tudo o que você precisa saber sobre os "táxis pretos" de SP

Rita Azevedo
EXAME.com 

Divulgação

São Paulo – A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira o lançamento de um nova categoria de táxis na cidade que vai funcionar apenas por aplicativos de celular.

A administração da capital paulista irá ceder 5 mil autorizações para o novo serviço, apelidado de “Táxi Preto”. A preferência será para quem já atua como motorista. Os alvarás serão sorteados apenas para quem tem o Condutax, cadastro da prefeitura que permite que um motorista exerça a atividade de taxista.

Motoristas do Uber poderão se credenciar, desde que tenham o Condutax. A empresa se manifestou por meio de nota e disse que "não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público" (abaixo, a nota na íntegra).
Veja algumas mudanças com a nova regulamentação:

1. Como será o carro?
Todos os táxis deverão seguir um padrão. Os carros devem ser da cor preta, com até cinco anos de uso, quatro portas, ar-condicionado e uma tela que mostre o percurso. Não haverá a necessidade de um taxímetro. A cobrança será feita pelo aplicativo.

2. Quais as regras para o motorista?
Os motoristas terão que pagar a prefeitura uma licença especial. O valor, que segundo o jornal Folha de S. Paulo poderá chegar a 60 mil reais, poderá ser parcelado. A mensalidade deverá ser menor do que a paga pelos taxistas.

Diferentemente do que acontece com taxistas, os motoristas da nova categoria não poderão circular pelos corredores de ônibus

3. O que muda para o usuário?
A tarifa cobrada na nova categoria terá um valor máximo. A empresa ou o motorista poderão cobrar o valor que quiserem desde que não o ultrapasse. 

Nota da Uber:
"Mesmo com mais de 900 mil e-mails enviados pela população de São Paulo, o Prefeito Haddad sancionou o PL 349/2014, que é notoriamente inconstitucional.

A Prefeitura anunciou hoje em coletiva de imprensa que será publicado um decreto que a obriga a regulamentar novos serviços de transporte individual de utilidade pública em um prazo de 60 dias, em linha com a Política Nacional de Mobilidade Urbana - PNMU (Lei Federal 12.587/2012).

Como os motoristas parceiros da Uber prestam o serviço de transporte individual privado previsto na PNMU, a Uber aguarda essa regulamentação municipal. Enquanto isso, a Uber segue operando normalmente em São Paulo.

O decreto prevê ainda a criação de uma nova categoria de táxis na cidade, os táxis pretos. Vale esclarecer que a Uber reafirma que não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público". 

As formas absurdas de morrer ao fazer uma 'selfie'

BBC Brasil

Image copyrightTHINSTOCKImage caption
Fazer selfies em situações como essa pode ser perigoso e até fatal

Existem muitas formas de morrer, mas, até algum tempo atrás, não seria possível imaginar que tirar "selfies" poderia ser uma delas.

Tirar uma foto de si mesmo subindo no trilho de um trem, ou encostado à borda de um edifício monumental ou ainda se equilibrando no parapeito de uma ponte, pode ter consequências graves.

Nos últimos meses, as notícias sobre pessoas que morreram nessas circunstâncias – tirando selfies – têm se repetido com certa frequência.

O site Mashable contabilizou ao menos 12 mortes de pessoas que estavam tirando selfies nos últimos meses. A última foi registrada há alguns dias: segundo informações do jornal britânico Mirror, o adolescente russo Andrey Retrovsky caiu de um edifício enquanto se fotografava no ponto mais alto de sua estrutura.

Na Rússia, inclusive, a preocupação com essa questão levou o governo a criar uma campanha informativa para alertar a população sobre os perigos desse tipo de selfies.

Image copyrightINSTAGRAMImage caption
Há alguns dias, um jovem russo morreu 
ao tentar se fotografar das alturas de um edifício

"Nem um milhão de 'likes' nas redes sociais valem tanto quanto a sua vida e seu bem-estar", disse o Ministério do Interior russo depois de o país ter registrado várias mortes por causa das selfies.

Na campanha lançada pelo governo russo, foram distribuídos uma série de sinais de trânsito com desenhos de proibição em que apareciam pessoas fazendo selfies em situações perigosas, como em frente a um tigre, ou diante de um penhasco, ou em cima do telhado, se equilibrando em uma ponte, etc.

Veja abaixo uma lista com cinco situações de perigo em que as selfies tiveram consequências fatais.

1) Cair do Taj Mahal
No fim de setembro, um turista japonês morreu depois de cair das escadas da entrada do famoso monumento Taj Mahal, na Índia, enquanto tirava uma foto de si mesmo.

O turista, que estava acompanhado de outras três pessoas, não foi o único a cair. Um dos seus companheiros também tropeçou e quebrou uma perna.

Nesse mesmo lugar, aconteceram algumas mortes nos últimos anos de pessoas que caíram enquanto turistas tiravam selfies.

2) Fazer selfie com pistola
Por incrível que pareça, também há registros de pessoas que morreram ao fazer selfies com armas ou pistolas.

Foi o caso de Deleon Alonso Smith, um jovem de 19 anos do Texas, nos Estados Unidos, que morreu em agosto por um tiro na garganta disparada pela arma com a qual se fotografava.

Image copyrightGOBIERNO RUSIAImage caption
Imagem da campanha do governo russo 
para prevenir acidentes por causa de selfies

Não foi o único caso: uma funcionária de um escritório em Moscou, de 21 anos, levou um tiro na cabeça em maio quando tentava tirar uma foto de si mesma.

Mas ela teve sorte. Não morreu, porque a arma não era letal e pertencia a um segurança que disparava balas de borracha. Ainda assim, precisou ser hospitalizada em estado crítico, segundo informações da agência de notícias russa RIA Novosti.

3) Cair da ponte ou de um edifício
Tirar selfies nos pontos mais altos de edifícios gigantes têm sido uma das "modas" mais perigosas dos últimos tempos.

 Image copyrightTHINSTOCKImage caption
Fazer selfies das alturas é uma das
 modalidades preferidas dos "viciados" em selfies

Fotos assim têm se multiplicado nas redes sociais, com selfies sendo registradas de lugares perigosos, como em pontes e arranha-céus.

Além do caso já mencionado do jovem Retrovsky, pode-se citar o caso da universitária de 21 anos, também russa, que caiu de uma ponte próxima ao Centro Internacional de Negócios de Moscou, quando tentava tirar uma selfie com seu celular.

4) Ser eletrocutado em trilho de trem
Outra pessoa que acabou pagando caro por seu vício em selfies foi Anna Ursu, romena de 18 anos, que tentava tirar uma selfie perfeita e acabou morrendo de maneira inesperada no último mês de maio.

Em uma estação de trem de Iasi, na Romênia, a jovem decidiu que uma foto em um trilho de trem seria uma excelente ideia.

Quando ela subiu, porém, seu corpo ficou em chamas, e uma amiga que a acompanhava foi derrubada pela força da descarga elétrica, conforme publicou o jornal Daily Mail.

5) Ser derrubado por um touro
Tirar fotos diante de animais perigosos é outro hábito comum aos apaixonados por selfies, mas que também deve ser evitado.

Image copyrightGettyImage caption
Tirar foto perto de animais perigosos 
é uma prática não recomendável também

O espanhol David González López, de 32 anos, levou uma chifrada enquanto fazia um selfie em uma das típicas festas espanholas com corridas de touros.

Ele estava na rua a certa distância do touro, tentando enquadrá-lo na selfie, quando acabou derrubado pelo animal, que avançou para cima dele.

A vida ressurge — triunfante — do inferno de Chernobyl

Vanessa Barbosa
EXAME.com 

Força: pesquisadores ficaram maravilhados ao ver como
 a natureza se mostrou resiliente ao desastre nuclear.

São Paulo - Há 29 anos, a vida chegou a um fim súbito e terrível em Chernobyl. Hoje, ela ressurge triunfante — e os pesquisadores estão maravilhados com isso.

Em estudo publicado esta semana na revista científica Current Biology, cientistas relatam que o local parece menos com uma zona de desastre e mais com uma reserva natural, repleta de alces, aves, veados, javalis e lobos.

Conhecido como o pior acidente nuclear da história, a catástrofe de Chernobyl ocorreu em abril de 1986 durante um teste de sistema no reator 4 da central nuclear, perto da cidade de Pripyat, na antiga República Socialista Soviética da Ucrânia.


Uma série de explosões lançou na atmosfera um volume de partículas radioativas 400 vezes maior que o liberado pela bomba atômica de Hiroshima, no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. A radiação matou milhares de pessoas e transformou a área no centro da Europa em um deserto.

De lá para cá, não foram poucos os estudos sobre os efeitos de radiação e as reduções pronunciadas das populações de animais selvagens nos 4.200 km² da zona de exclusão da usina de Chernobyl.

Agora, a nova evidência, baseada em dados de censo de longo prazo, mostra que as populações de mamíferos se recuperaram. De modo geral, os pesquisadores ficaram maravilhados ao ver como a natureza se mostrou resiliente ao desastre radiológico.


 A abundância relativa de alces, veados, cervos vermelhos e javalis dentro da zona de exclusão já se assemelha a de quatro reservas naturais não contaminadas na região, relatam os pesquisadores.

O número de lobos que vivem dentro e ao redor da central de Chernobyl é sete vezes maior do que o encontrado nessas reservas naturais.

Dados da pesquisa obtidos por observações de helicópteros também revelam tendências crescentes nas populações de alces e corças (um primo afastado do veado).

"Estes resultados demonstram, pela primeira vez, que, independentemente de potenciais efeitos de radiação em animais individuais, a Zona de Exclusão de Chernobyl suporta uma abundante comunidade de mamíferos após quase três décadas de exposição à radiação crônica", concluem os pesquisadores.

Eles observam que estes aumentos ocorrem num momento em que as populações de alces e de javalis estão em declínio em outras partes da antiga União Soviética.


"As descobertas são um lembrete da resistência dos animais selvagens, principalmente quando estão 'livres' das pressões de habitação humana", diz o coautor do estudo Jim Beasley, da Universidade da Geórgia — a região virou uma grande cidade-fantasma, quase sem sinal de ocupações humanas.

Para os pesquisadores, elas também podem conter lições importantes para a compreensão do impacto potencial a longo prazo do mais recente desastre radioativo de grande repercussão no mundo, o acidente de Fukushima, no Japão.


Criador do Ursinho Pooh tem desenhos sobre guerra expostos

Exame.com
Com informações Agência AFP

Leon Neal/ AFP
Exposição em Londres com ilustrações do criador do Ursinho Pooh
 feitas na Primeira Guerra Mundial: Ernest Howard Shepard (1879-1976)
 criou para o escritor Alan Alexander Milne a imagem do ursinho
 de pelúcia e seus amigos Bisonho, Tigrão e Cristovão


Ilustrações de EH Shepard - famoso artista britânico autor dos desenhos do Ursinho Pooh - feitas durante a Primeira Guerra Mundial serão expostas pela primeira vez nesta sexta-feira, em Londres.

Ernest Howard Shepard (1879-1976) criou para o escritor Alan Alexander Milne a imagem do ursinho de pelúcia e seus amigos Bisonho, Tigrão e Cristovão.

As cenas de devastação que desenhou durante a guerra contrastam por completo com o contexto bucólico do conto infantil.

Shepard fez parte do exército britânico e participou de algumas das batalhas mais sangrentas da frente ocidental. Seus desenhos apareceram na revista Punch, mas permaneceram ocultos - assim como o resto de sua obra - devido ao sucesso do ursinho.

"Temos obras nunca antes expostas de Shepard de um período de sua vida que nós não conhecemos", disse à AFP Colim McKenzie, diretor da galeria londrina House of Illustration.

"Elas são uma visão real da vida cotidiana daquele período", completou.

Uma delas mostra alguns soldados conversando alegremente em meio aos restos de um povoado francês, e em outra os "Tommies" britânicos reagem com calma a uma chuva de projéteis inimigos.

"Não há dúvida de que o mundo bucólico do ursinho foi uma reação ao que viu na França", afirmou McKenzie.

Série mostra, em fotos, como as pessoas de 1900 imaginavam os anos 2000

Diário Gaúcho

Diversos artistas franceses colocaram no papel a percepção daquela época sobre o futuro

Foto: Reprodução

Diversos cartões desenhados no início do século passado mostram como as pessoas daquele tempo imaginavam os anos 2000. Compilado pelo jornal on-line sem fins lucrativos The Public Domain Review, as imagens de Jean-Marc Côte e outros artistas da França eram usadas em pacotes de cigarros e, depois, utilizadas em cartões-postais.

Há pelo menos 87 desenhos diferentes de 1899, 1900, 1901 e 1910. A série, intitulada "França no ano 2000 (XXI century)", mostra a percepção dos artistas sobre a vida das pessoas e o uso da tecnologia no dia a dia.












Segredo do sorriso da Mona Lisa é revelado

Canal History Brasil


O mistério do sorriso da Mona Lisa despertou o interesse de artistas, críticos e pesquisadores durante séculos. Mas o que esconde essa mulher por trás de sua expressão enigmática? Os especialistas Alessandro Soranzo e Michelle Newberry encontraram a resposta, e foi graças ao sorriso de outra mulher. 

Analisando o quadro “A Bela Princesa”, também de Leonardo da Vinci, eles descobriram que ambos foram feitos com uma técnica conhecida como sfumato, um método causa efeitos óticos surpreendentes, como se a imagem mudasse conforme a variação do ângulo ou da distância em que é observada. Através do sfumato, centrado na área da boca das modelos, o gênio pictórico dava aos seus quadros a ilusão do movimento, causando uma sensação intrigante e levemente perturbadora no observador. 

No estudo, publicado pela revista Vision Research, os especialistas mostraram esses dois quadros e “Retrato de uma Menina”, de Piero del Pollaiuolo, para um grupo de pessoas atentas. As pinturas foram observadas de distâncias e ângulos diferentes, com variação também no nível de nitidez. Tanto no caso da Mona Lisa como no de “A Bela Princesa”, os voluntários viam o sorriso com mais clareza quando a imagem estava mais desfocada ou quando se afastavam dela. Curiosamente, isso não acontecia quando o objeto de análise era o quadro de outro autor. 

O experimento nos permite confirmar o que as criações de grandes mestres como Leonardo da Vinci nos ensinam: o fascinante de uma verdadeira obra de arte não está no óbvio, mas no que ela oculta. 

Como o comércio moldou a natureza humana

Leandro Narloch 
Veja online

Tratados de livre-comércio, como a Parceria Transpacífico, não são apenas uma vantagem econômica, mas uma vantagem evolutiva que explica boa parte do comportamento humano


Comércio no Egito, há 4 mil anos

A Parceria Transpacífico, tratado de livre-comércio assinado ontem, se baseia na ideia de benefício mútuo. Eu me especializo no que faço melhor; você se concentra no que produz com menor custo de oportunidade, depois a gente troca parte do que produziu e todos saem ganhando.

Relações como essa não começaram durante a Revolução Industrial. Nem com as caravanas de Marco Polo ou no Egito Antigo. Nem entre os sumérios, há 6 mil anos. São provavelmente tão antigas quanto a nossa espécie.

Se a especialização e o comércio facilitam a nossa vida hoje, não há razão para acreditarmos que tenha sido diferente na Idade da Pedra. Nas sociedades de caçadores-coletores, conseguia mais comida e proteção as pessoas que se especializavam numa atividade e trocavam o que obtinham. A seleção natural deve ter favorecido, então, capacidades humanas que possibilitavam ou facilitavam as trocas, como a capacidade de sentir empatia, de confiar (e desconfiar) dos outros, a satisfação em fechar acordos e punir quem não cumpre o combinado.

Ou seja: o comércio não é só uma vantagem econômica, mas uma vantagem evolutiva. Essa é uma conclusão espantosa – e estudiosos de áreas diferentes (biólogos, economistas, psicólogos evolutivos) chegaram a ela quase ao mesmo tempo, a partir dos anos 1970. “O intercâmbio com benefício mútuo tem sido parte da condição humana pelo menos desde que o Homo sapiens é uma espécie. Não é uma invenção moderna”, diz o zoólogo e escritor Matt Ridley. “O comércio é uma predisposição universal humana com óbvias implicações evolutivas”, afirma o economista Haim Ofek.

A primeira relação de especialização e comércio de toda a história da humanidade foi provavelmente entre um homem e uma mulher. Muitos estudos antropológicos com sociedades isoladas mostram que, com raras variações, mulheres são responsáveis por obter carboidratos; homens, proteínas.

No ambiente natural, mulheres passam boa parte do tempo amamentando. Com um filho no colo é mais difícil e perigoso atacar grandes animais. Por isso elas se concentraram em atividades com menor risco para bebês – a coleta de frutas, insetos, legumes e raízes (tanto que se credita às mulheres a invenção da agricultura). Já aos homens coube atividades de maior risco e recompensa – a caça de grandes animais e a guerra.

Durante os milênios de evolução, essa divisão do trabalho favoreceu capacidades diferentes. Entre as mulheres, ganharam o páreo da seleção natural as mais observadoras e meticulosas; entre os homens, os mais violentos, com melhor pontaria e menor aversão ao risco. Eis por que os homens, em qualquer civilização da história, cometeram 90% dos homicídios e são maioria dos apostadores da Bolsa de Valores e das vítimas de quedas e acidentes.

Tratados de livre-comércio vão muito além da geopolítica: explicam um bom pedaço da natureza humana.

Egiptólogos discutem se já 'achamos' Nefertiti sem saber

Clarissa Pains
O Globo

Teoria diz que ela está oculta na tumba de Tutancâmon; Investigação começa este ano


CRIS BOURONCLE/AFP 
A tumba deTutancâmon passará por investigação com sondas
 e radares para verificar se há passagens ocultas 

RIO — Encontrar, em um só lugar, os restos mortais do faraó Tutancâmon e os da rainha Nefertiti — dois dos nomes mais incensados do Egito Antigo — seria o sonho de qualquer arqueólogo. A ideia, que daria uma bela ficção, ganhou uma forte evidência a seu favor. Ao analisar imagens de escaneamento em 3D das paredes da tumba de Tutancâmon, o egiptólogo britânico Nicholas Reeves encontrou, em duas delas, ranhuras que indicam a existência de câmaras escondidas no local. A hipótese é de que o gesso que forma essas paredes tenha sido colocado muito tempo depois da construção do mausoléu, de forma a ocultar outras duas salas. Segundo Reeves, é provável que uma delas seja apenas uma câmara de armazenamento, com documentos e peças daquela época. A outra, por sua vez, seria a tão procurada câmara com a múmia de Nefertiti.

A rainha, cuja beleza foi imortalizada num busto hoje em exposição em um museu de Berlim, viveu no século XIV a.C.. Nefertiti era mulher do faraó Aquenáton, tido ora como pai, ora como tio de Tutancâmon. Assim, ela pode ter sido tanto sua mãe, madrasta ou tia — pelo casamento. As relações de parentesco, assim como tudo o que ocorreu nesse período, estão entre os grandes mistérios da História do Egito.

Descoberta em 1922, a tumba de Tutancâmon é o menor mausoléu faraônico já encontrado e, em contrapartida, é o único intacto. Foi por isso que o faraó menino, que morreu aos 19 anos, ganhou tanta notoriedade no mundo moderno. Entretanto, as pequenas dimensões do lugar sempre chamaram a atenção dos especialistas, o que reforça a tese de que alguns espaços foram encobertos. Parte dos desenhos nas paredes também retratam uma figura de aparência feminina, com seios, pescoço alongado e outras características distantes das do jovem faraó. Para Reeves e outros estudiosos ao redor do mundo, isso sugere que aquele espaço teria sido inicialmente pensado para abrigar apenas o corpo de Nefertiti, e, mais tarde, com a morte prematura de Tutancâmon, o lugar foi adaptado para ele.

Divulgação/12.03.2009
Busto da rainha Nefertite, 
hoje em exposição no Museu Neues, em Berlim

Enquanto alguns egiptólogos consideram precipitada a tese de que a rainha estaria oculta ali, outros veem um raciocínio lógico nesse pensamento.

— Há o consenso de que cerca de 70% do material presente na tumba de Tutancâmon não foi feito para ele — explica Antonio Brancaglion Junior, coordenador do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional, no Rio. — Em alguns locais, o nome dele foi colocado depois. E o gesso dessas duas paredes, que é diferente do usado no restante da construção, é o mesmo que serviu para lacrar a tumba. Além disso, o teto da tumba tem trincas que indicam que há um possível corredor ali. Eu acho plausível consideramos que Nefertiti possa mesmo ser encontrada nessa tumba.

A teoria surgiu depois que um grupo de especialistas em arte e preservação da Espanha foi contratado, no ano passado, para criar uma cópia da tumba. A intenção do governo egípcio é replicar o complexo mortuário do Vale dos Reis — onde os faraós eram enterrados — em um lugar próximo, para que os visitantes possam ter acesso às construções sem danificar o reduto original. Para isso, os técnicos espanhóis escanearam todos os detalhes da tumba de Tutancâmon, usando um radar de tecnologia avançada. Ao analisar o material, já este ano, o egiptólogo Nicholas Reeves identificou marcas que só puderam ser percebidas porque a técnica em 3D mostra as paredes sem a interferência dos desenhos sobre elas. Essas marcas, para ele, indicam nada menos do que duas entradas ocultas.

— Se eu estiver errado, estou errado. Mas, se estiver certo, as perspectivas são, francamente, surpreendentes. O mundo pode se transformar em um lugar muito mais interessante, pelo menos para os egiptólogos — afirmou Reeves ao canal de televisão BBC.

FUNDADOR DE UMA RELIGIÃO
A expectativa é de que, mesmo que os despojos de Nefertiti não estejam ali, possam ser encontrados documentos históricos que ajudem os especialistas a conhecer mais o chamado Período Amarniano — uma referência à cidade de Amarna, fundada pelo faraó Aquenáton. Junto do sarcófago de Tutancâmon, foram encontrados cerca de cinco mil valiosos objetos, mas sequer um papiro que pudesse explicar melhor essa fase da História egípcia.

Fred Prouser/Reuters
O sarcófago com a múmia de Tutancâmon foi descoberto em 1922,
 com cerca de 5 mil objetos valiosos, mas sem qualquer pairo ou
documento que ajudasse especialistas a entenderem melhor aquela época 

O mistério que envolve a vida de Aquenáton e sua família se deve à revolta que ele provocou com seu reinado, o que fez com que os que vieram depois dele tentassem de tudo para “apagar” sua história. O grande incômodo foi o fato de o faraó ter fundado uma nova religião. Ele havia destituído do poder o até então tradicional deus Amon e passou a venerar o deus Aton — de onde se origina seu próprio nome. A idolatria a Aton foi tão grande que diminuiu o espaço dos outros deuses dentro da cultura egípcia, o que leva alguns especialistas a classificarem esse período como monoteísta. Ou, pelo menos, de uma monolatria, em que há adoração a um só ser, mas não impede que haja outros, menores. O próprio Tutancâmon nasceu, na verdade, Tutancaton, em homenagem ao deus. Após a morte de Aquenáton, o rei menino mudou seu nome como prova de repúdio às inovações trazidas pelo antigo faraó.

— Tutancâmon renegou o tio, ou pai. Ele foi considerado uma espécie de herege por ter sido contra a multiplicidade de deuses. Com a morte de Aquenáton, a adoração a Amon e aos outros deuses voltou, como era antes de seu reinado, e a cidade de Amarna foi quebrada e muitos documentos, destruídos. Por isso é tão difícil termos uma reconstrução exata dos acontecimentos que envolvem essa família real — diz Nely Feitoza Arrais, doutora em História Antiga pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Também doutora pela UFF, Gisela Chapot confirma que são grandes as chances de existirem câmaras secretas no mausoléu onde Tutancâmon foi encontrado, mas é reticente quanto à teoria de que Nefertiti estaria em uma delas.

— É claro que tudo é possível, mas eu acho essa teoria precipitada porque tem argumentos pouco sólidos. Afirmar que Nefertiti pode estar ali é como dar um tiro no escuro — compara.

‘JOGADA’ DE MARKETING?
Assim como Nely, ela acredita que a divulgação dessa tese pode ser uma estratégia para estimular a indústria de turismo no Egito, país que vem passando atualmente por uma crise política e econômica.

— Essa ideia controversa pode ter sido tão alardeada para acelerar o processo de investigação da tumba e para atrair turistas — acredita Gisela.

Na última semana, o ministro egípcio de Antiguidades, Mamdouh el-Damaty, prometeu ação rápida para inspecionar o lugar. Nicholas Reeves e uma equipe financiada pelo canal de televisão japonês Tokyo Broadcasting System foram autorizados a usar no local radar e tecnologia de imagem termal dentro de um a três meses. Essas técnicas são não-invasivas, para não danificar as paredes.

Depois disso, caso os especialistas consigam indícios de que existe algo que valha a pena por trás das paredes, será necessário fazer pequenos furos pelos quais serão passadas sondas que permitirão enxergar um pouco do que está escondido. Somente após isso será possível uma autorização para remover as paredes.

— É um trabalho difícil e demorado porque é preciso muito cuidado antes de abrir a tumba. Seria terrível se a danificassem em vão — explica o egiptólogo Antonio Brancaglion Junior.

Por que sobrevivemos na Terra - e outros 'humanos' não

Melissa Hogenboom
BBC Earth

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Crânios de diferentes espécies de hominídeos, 
que durante certo tempo conviveram lado a lado

Há 2 milhões de anos, várias espécies hominídeos se espalhavam pela África. Algumas se pareciam muito entre si, enquanto outras tinham características mais marcantes.

Em setembro passado, outra espécie foi acrescentada a essa lista. Cientistas encontraram centenas de ossos em uma caverna na África do Sul que acreditam pertencer a um novo ser humano, o Homo naledi. E muitas outras espécies extintas ainda podem estar esperando para serem descobertas.

Nós, Homo sapiens, aparecemos há cerca de 200 mil anos, quando várias outras espécies também estavam vivas. Mas fomos a única a sobreviver até hoje. Como conseguimos?

Para começar, vale a pena destacar que a extinção é uma parte normal da evolução. Por isso, não é surpreendente que alguns hominídeos tenham desaparecido da Terra.
Virando carnívoros

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 Vestígios dos 'hobbits' (à esq.) foram encontrados 
apenas em uma pequena ilha da Indonésia

Ainda não estar claro por que o mundo só tem lugar para uma espécie, mas há algumas pistas que revelam por que alguns de nossos antepassados foram mais bem-sucedidos do que outros em se adaptar a ele.

Há milhões de anos, quando uma grande variedade de hominídeos vivia lado a lado, eles se alimentavam essencialmente de plantas. "Não há indícios de que eles caçavam grandes animais sistematicamente", afirma o arqueólogo John Shea, da Universidade Stone Brook, em Nova York.

No entanto, conforme as condições mudaram e os hominídeos se deslocaram das florestas para as savanas - mais secas e com vegetação menos densa -, foram se tornando cada vez mais carnívoros.

O problema é que suas presas também tinham menos plantas para se alimentar, portanto havia menos comida disponível. Essa competição acabou levando à extinção de algumas espécies.

Há 30 mil anos, além do Homo sapiens, havia outras três espécies de hominídeos: o homem de Neandertal na Europa e no oeste da Ásia, o hominídeo de Denisova na Ásia e o Homo floresiensis, também chamado de hobbit, na Ilha das Flores, na Indonésia.

Os hobbits podem ter sobrevivido até pelo menos 18 mil anos atrás, quando teriam sido extintos por causa de uma grande erupção vulcânica, segundo evidências geológicas recolhidas na região.

Cientistas sabem muito pouco sobre o hominídeo de Denisova, pois tudo o que se encontrou até hoje de um exemplar da espécie foi um pequeno osso de um dedo e dois dentes.

Já o homem de Neandertal foi mais estudado, tanto por ter sido descoberto há mais tempo como porque há uma grande quantidade de fósseis da espécie.

Mudança climática
As evidências arqueológicas sugerem que o homem de Neandertal perdeu terreno para os humanos modernos, segundo Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.

Os neandertais foram deslocados de seu habitat pouco depois de terem seus territórios invadidos pelo Homo sapiens, o que para Hublin não é mera coincidência.

O homem de Neandertal já vivia na Europa 200 mil anos antes da chegada do Homo sapiens ao continente. Eles estavam perfeitamente adaptados ao clima frio: usavam roupas, eram ótimos caçadores e usavam sofisticadas ferramentas de pedra.

Estudiosos acreditam que a espécie começou a sofrer para sobreviver quando a Europa passou a experimentar uma rápida mudança climática. A temperatura mudou o habitat, tornando-o menos denso, e o homem de Neandertal não conseguiu adaptar seus hábitos para sobreviver.

O Homo sapiens, já adaptado ao clima das savanas africanas, caçava uma ampla gama de espécies, de grandes aves a lebres e coelhos.

Já os neandertais usavam armas e ferramentas mais apropriadas para animais maiores, e possivelmente não conseguiam apanhar presas menores.

"Os humanos modernos tinham mais recursos quando eram pressionados", afirma John Stewart, paleontólogo da Universidade de Bournemouth, na Grã-Bretanha. Essa capacidade de inovar e se adaptar pode explicar por que tomamos o lugar do homem de Neandertal tão rapidamente.

A importância da arte
Os registros arqueológicos mostram que quando o Homo sapiens chegou à Europa, ele já tinha uma variedade bem maior de utensílios inovadores e mortais.

Mas isso não foi a única coisa que a espécie fazia. Ela criou algo que permitiu superar as outras espécies na Terra: a arte simbólica.

Pouco depois de deixarem a África, os humanos modernos já dominavam a arte e o artesanato. Arqueólogos encontraram ornamentos, joias, pinturas figurativas de animais míticos e até instrumentos musicais que datam dessa época.

"Ao chegar à Europa, a população de Homo sapiens aumentou rapidamente", explica o arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, na Alemanha. "Com isso, começou a viver em unidades sociais mais complexas e precisou melhorar a maneira como se comunicava."

Esculturas e outros objetos sugerem que o homem moderno compartilhava informações através da arte. Os símbolos eram uma espécie de "cimento social". "Eles ajudavam as pessoas a organizar seus negócios sociais e econômicos entre si", afirma Conard.

Para Shea, o fato de o Homo sapiens dominar a arte, usando as mesmas mãos com que fabricava armas e ferramentas, mostra sua capacidade singular para uma variedade comportamental.

"Os humanos modernos sempre encontraram mais de uma maneira de fazer algo. E as soluções que imaginavam para um problema costumavam ser adaptadas para resolver outro", explica o arqueólogo. Já os demais hominídeos não variavam o jeito de lidar com as situações.

Diferenças cerebrais
Uma das explicações para essa diferença poderia estar no tamanho do cérebro. Mas, na realidade, neandertais também tinham cérebros grandes em comparação a seus corpos.

Segundo Hublin, a resposta é mais complexa. Sabemos que nosso comportamento ou as circunstâncias em que nos encontramos podem mudar nossa constituição genética. Essas mudanças nos genes também ocorrem quando grandes populações enfrentam desastres devastadoras, como a Peste Negra, no século 14.

Para o arqueólogo, os humanos modernos se beneficiaram de modificações genéticas essenciais. Hoje há evidências que sugerem que nosso DNA mudou depois que nos separamos do ancestral comum que temos com os neandertais.

Geneticistas identificaram dezenas de pontos no nosso genoma que são únicos do Homo sapiens, e vários deles estão envolvidos no desenvolvimento cerebral.

Outros especialistas acreditam que foi esse cérebro hiper-sociável e cooperativo o que nos diferenciou das outras espécies. Da linguagem e da cultura à guerra e ao amor, nossos comportamentos mais típicos sempre têm um componente social.

"Por dezenas de milhares de anos, antes de desenvolverem essas habilidades, os humanos modernos e os outros hominídeos eram mais parecidos, e qualquer espécie poderia ter prevalecido", afirma Conard. "Mas nós acabamos superando o resto e, ao ter uma população maior, as demais se retraíram e acabaram desaparecendo."

Se isso for verdade, a chave da nossa sobrevivência pode ter sido a criatividade.

Mas há ainda outra possibilidade, que não pode ser ignorada: talvez tenhamos continuado na Terra por pura sorte.

Nova espécie do gênero humano é descoberta na África do Sul

Portal G1

Pesquisadores encontraram ossos de pelo menos 15 hominídeos.
Ela foi batizada de 'Homo naledi' e classificada dentro do gênero Homo.

(Foto: Mark Thiessen/National Geographic via AP) 
Reconstrução mostra como seria o rosto do 'Homo Naledi', como foi batizada
a nova espécie identificada a partir de ossos encontrados na África do Sul 

Um grupo de pesquisadores apresentou nesta quinta-feira (10) na África do Sul os remanescentes fósseis de um primata que podem ser de uma espécie do gênero humano desconhecida até agora.

A criatura foi encontrada na caverna conhecida como Rising Star (estrela ascendente), 50 km a nordeste de Johanesburgo, onde foram exumados os ossos de 15 hominídeos. O primata foi batizado de Homo naledi. Em língua sotho, "naledi" significa estrela, e Homo é o mesmo gênero ao qual pertencem os humanos modernos.

Os fósseis foram encontrados em uma área profunda e de difícil acesso da caverna, na área arqueológica conhecida como "Berço da Humanidade", considerada patrimônio mundial pela Unesco. Por se situar num depósito sedimentar onde as camadas geológicas se misturam de maneira complexa, os cientistas ainda não conseguiram datar o primata descoberto, que poderia ter qualquer coisa entre 100 mil e 4 milhões de anos.

"Estou feliz de apresentar uma nova espécie do ancestral humano", declarou Lee Berger, pesquisador da Universidade Witwatersrand de Johannesburgo, numa entrevista coletiva em Moropeng, onde fica o "Berço da Humanidade".

(Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)
 O professor Lee Berger segura a réplica de um crânio do ‘Homo naledi’,
 nova espécie de hominídeo descoberta na África do Sul 

"Alguns aspectos do Homo naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano chamado australopithecus"
Chris Stringer,Museu de História Natural de Londres

Em 2013 e 2014, os cientistas encontraram mais de 1.550 ossos que pertenceram a, pelo menos, 15 indivíduos, incluindo bebês, adultos jovens e pessoas mais velhas. Todos apresentavam uma morfologia homogênea e pertenciam a uma "nova espécie do gênero humano que era desconhecida até então".

O Museu de História Natural de Londres classificou a descoberta como extraordinária.

"Alguns aspectos do Homo naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano chamado australopithecus", disse Chris Stringer, pesquisador do Museu de História Natural de Londres, autor de um artigo sobre o tema que acompanhou o estudo de Berger, publicado no periódico científico eLife.

A descoberta pode permitir uma compreensão melhor sobre a transição, há milhões de anos, entre o australopiteco primitivo e o primata do gênero homo, nosso ancestral direto.

Se for muito antiga, com mais de 3 milhões de anos, a espécie teria convivido com os australopitecos, anteriores ao gênero homo. Se for mais recente, com menos de 1 milhão de anos, é possível que tenha coexistido com os neandertais -- primos mais próximos do Homo sapiens -- ou até mesmo com humanos modernos.

Os trabalhos que levaram à descoberta foram patrocinados pela National Geographic Society, dos EUA, e pela Fundação Nacional de Pesquisa da África do Sul.

(Foto: Robert Clark/National Geographic, Lee Berger/University of the Witwatersrand via AP)
Foto da revista National Geographic mostra ossos recolhidos 
por pesquisadores na África do Sul que foram identificados 
como sendo de uma nova espécie do gênero humano 

Berço da humanidade

Caverna fica no norte da África do Sul