quinta-feira, outubro 15, 2015

Nasa: conheça o ‘buraco’ no Sol que deu origem a auroras boreais

Veja online

A imagem, capturada neste sábado (10), mostra uma mancha escura, localizada na corona, camada mais externa do Sol

(NASA/Reprodução) 
Em imagem divulgada pela Nasa nesta quarta-feira (14), 
buraco coronal (região escura) é visto no Sol

Um "buraco" no Sol, que provocou diversas auroras boreais foi revelado pela Nasa nesta quarta-feira (14). De acordo com a agência espacial americana, a parte escura da foto, capturada pelas lentes do Observatório de Dinâmica Solar da Nasa no último sábado (10), é uma região do Sol em que o campo magnético se estende para o espaço em vez de ficar "fechado" na superfície solar.

Localizada na corona, parte mais externa do Sol, essa área solar fica aberta ao espaço, enviando material em ventos de alta velocidade. Esses ventos solares criaram uma tempestade magnética próxima da Terra, que resultou em noites de belas auroras boreais.

O fenômeno que colore os céus é resultado da energia dissipada por esses campos magnéticos solares. Ao chegar na Terra, entram em contato com oxigênio e nitrogênio, e ganham as luzes vermelhas, verdes e roxas características do evento.

Esforço global de pesquisa tenta desvendar mistério das 'partículas fantasmas'

Paul Rincon
Editor de Ciência da BBC News

 Image copyright ESO Image caption 
Estudo deverá observar os neutrinos de uma supernova
 na galáxia - se pesquisadores tiverem sorte

Uma colaboração global terá como objetivo desvendar os mistérios dos neutrinos, as chamadas "partículas fantasmas".

O estudo tentará flagrar partículas de neutrinos que fluem a partir de uma supernova, uma estrela de explosão. Tais eventos ocorrem aproximadamente a cada 30 anos, mas os fluxos de neutrinos que são produzidos ainda não foram detalhadamente estudados.

Neutrinos são a segunda partícula mais abundante do Universo, atrás apenas dos fótons de luz. Mas eles também são uma fonte de intriga para físicos que estudam partículas.

São partículas extremamente leves, sem carga elétrica e passam por outra matéria sem causar danos. Isso faz com que seja muito difícil observá-los. Por isso são apelidados de "partículas fantasmas".

Neutrinos também podem desempenhar um papel na explicação de por que o Universo se consiste, em sua maior parte, de matéria em vez de antimatéria. Eles são encontrados em três estados diferentes – ou "sabores"– e as partículas podem se inverter de um estado para outro.

A descoberta dos pesquisadores Takaaki Kajita e Arthur McDonald – de que os neutrinos têm massa e que podem alternar entre os diferentes "sabores"– rendeu aos estudiosos o prêmio Nobel de Física de 2015, anunciado nesta terça-feira.

O estudo
O estudo desenvolverá o feixe de neutrinos de maior intensidade do mundo, que viajará 1,3 mil km sob a terra do centro de estudos americano Fermilab até um grande instrumento detector instalado no centro de pesquisa subterrânea de Sanford, no Estado americano da Dakota do Sul.

O projeto usará um acelerador de partículas existente no Fermilab como uma fonte de prótons, e, em seguida, esmagará o feixe para um chamado "alvo" feito de um material que irá gerar a produção de partículas de vida curta. Estes irão viajar cerca de 200 m através de um tubo e, nessa jornada, uma grande proporção se transformará em neutrinos.

 Image copyright Reuters Image caption
Professores Kajita e McDonald dividiram o prêmio 
Nobel de Física deste ano devido a estudo de neutrinos

Outro potencial ganho científico da colaboração pode ser a oportunidade de observar uma estrela de explosão em detalhes inéditos. Mas a equipe vai precisar de sorte. É um jogo de azar, mas cientistas estão esperançosos.

"Se uma supernova acontece em nossa galáxia, o que deve ocorrer uma vez a cada 30 anos ou mais, esta experiência deve, em poucos segundos, ver milhares de interações de neutrinos", disse o professor Stefan Söldner-Rembold, da Universidade de Manchester.

"Houve uma supernova em 1987 e havia alguns detectores de neutrinos - eles captaram algo, o que estimulou um grande interesse no momento. Mas uma supernova com um detector como este é algo que nunca fora observado".

O grupo foi formado no início deste ano, unindo projetos americanos e europeus com metas similares. A pesquisa, cujo nome é Dune - sigla para Deep Metro Neutrino Experiment – será realizada no Fermilab, em Batavia, no Estado americano de Illinois. O custo do projeto gira em torno de US$ 1 bilhão.

Como a ciência moderna endossa a sabedoria milenar da Índia

Exame.com
Carolyn Gregoire, Brasil Post

Encontro entre ciência ocidental e espiritualidade oriental


São Paulo - A adesão do Ocidente à filosofia e ao misticismo orientais tem uma história longa, abrangendo os escritos de Henry David Thoreau, “o primeiro iogue americano”, a famosa peregrinação que os Beatles fizeram à Índia em 1968 e o interesse científico atual por práticas contemplativas antigas como a meditação e a ioga.

A disseminação de ideias e práticas indianas moldou a visão da espiritualidade que temos no Ocidente. Mas as ideias indianas milenares também exercem influência em áreas mais improváveis: ciência, medicina e psicoterapia modernas.

À medida que cresce o interesse científico pela experiência interior do indivíduo, parece que estamos assistindo a um encontro de mentes entre a ciência ocidental e a espiritualidade oriental.

A Scientific American destacou a meditação na capa de sua edição de novembro, e o Dalai Lama colabora com neurocientistas no estudo das dimensões da consciência.

De muitas maneiras, a ciência moderna está apenas agora alcançando a sabedoria dos ensinamentos indianos antigos, baseados nos textos védicos da antiguidade e ainda presentes em toda parte na cultura do subcontinente indiano.

Hoje, muitos conceitos da filosofia védica antiga são confirmados por evidências empíricas. Como disse o Nobel de Literatura francês Romain Rolland, “no caso dos hindus, nunca se deixou que a fé religiosa contrariasse as leis científicas”.

Uma cooperação mais estreita entre cientistas ocidentais e tradições contemplativas orientais como o budismo (que também tem suas origens nos Vedas) pode “contribuir verdadeiramente para a ampliação do entendimento humano sobre o complexo mundo de experiência interior subjetiva ao qual chamamos a mente”, disse o Dalai Lama em 2005.

Citamos cinco áreas de sabedoria indiana antiga hoje confirmadas pela ciência moderna.

A ioga pode curar a mente e o corpo


A ioga, prática indiana milenar que envolve a mente e o corpo, virou uma atividade que movimenta US$ 27 bilhões nos Estados Unidos.

Embora a ioga ocidental guarde semelhança apenas parcial com a prática meditativa e escola filosófica indiana tradicional, ela pode ser considerada a prática espiritual oriental mais influente e amplamente difundida que se disseminou fora do subcontinente indiano.

No Ocidente tendemos a usar o termo “ioga” para descrever apenas as posturas físicas, ou ássanas.

Tradicionalmente, porém, o aspecto físico da ioga é apenas uma parte pequena da prática, algo que visava preparar o corpo para longos períodos de meditação.

Criado com o objetivo de acalmar a mente e buscar a união com o divino, acredita-se que a ioga (que significa “unidade” em sânscrito) promove a saúde do corpo, da mente e do espírito.

“A saúde é um estado de harmonia completa de corpo, mente e espírito”, disse o famoso mestre iogue indiano B.K.S. Iyengar. “Quando nos libertamos das incapacidades físicas e distrações mentais, as portas de alma se abrem.”

As evidências dos benefícios espirituais da ioga ainda são quase todas empíricas, mas um grupo crescente de pesquisas liga a prática das ássanas da ioga a uma série de efeitos para a saúde física e mental.

Descobriu-se que a ioga reduz os sintomas de depressão e ansiedade, alivia a dor crônica das costas, reduz os níveis de estresse, fortalece a função cerebral e melhora a saúde cardíaca.

Hoje os cientistas sabem o porquê. Quase imediatamente depois de ser iniciada sua prática, o impacto positivo da ioga se estende até o nível celular, afetando a expressão dos genes nos leucócitos, segundo um estudo norueguês de 2013.

As mudanças benéficas podem resultar em imunidade maior e redução de inflamações.

“Ocorrem mudanças rápidas (em até duas horas após o início da prática) e importantes na expressão genética ... durante um programa abrangente de ioga”, escreveram os pesquisadores no estudo.

“Os dados sugerem que os efeitos anteriormente relatados da prática da ioga possuem um componente fisiológico integral ao nível molecular que é iniciado imediatamente durante a prática e pode formar a base para efeitos estáveis de longo prazo.”

A respiração afeta nosso bem-estar e saúde


De acordo com um manual de ioga do século 15, o Hatha Yoga Pradipika, temos que aprender a controlar a respiração para alcançar saúde, longevidade e paz de espírito.

A prática da respiração iogue conhecida como pranayama – que significa “extensão da força vital”, em sânscrito – é usada há séculos para curar corpo e mente.

“Quando a respiração se desvia, a mente também fica inconstante”, diz o Pradipika. “Mas quando a respiração se acalma, a mente também o faz, e o iogue alcança vida longa.”

O modo como respiramos pode ter impacto grande sobre nosso bem-estar e nível de estresse e pode até gerar mudanças físicas no corpo, como a redução da pressão sanguínea.

A prática da respiração controlada na meditação pode aumentar o tamanho do cérebro, aumentando a espessura cortical, segundo um estudo de Harvard de 2005.

Entre músicos, 30 minutos de respiração profunda podem reduzir a ansiedade antes de apresentar-se em público, e estudantes de terceira série que praticam respiração profunda antes de um exame sentem menos ansiedade e insegurança e se concentram melhor.

A prática da respiração profunda pode reduzir a pressão sanguínea, segundo o Dr. David Anderson, dos Institutos Nacionais de Saúde.

“Geralmente não pensamos na nossa respiração, assim como não pensamos em nossas batidas cardíacas”, disse ao Huffington Post no ano passado uma especialista em respiração do Instituto de Ioga Integral, Carla Ardito. “A diferença com a respiração é que podemos treiná-la.”

A cúrcuma realmente é uma cura milagrosa


 Boa parte do aroma delicioso da cozinha indiana tradicional e de sua cor amarela vibrante vem da cúrcuma, um condimento saboroso e poderoso agente anti-inflamatório.

O uso da cúrcuma na tradição védica vem de pelo menos 4.000 anos atrás.

Historicamente, a cúrcuma não era usada apenas como tempero – também exercia um papel nas cerimônias religiosas e era empregada medicinalmente dentro da tradição de saúde holística ayurveda (“ciência da vida”).

A ciência nutricional moderna confirma que a cúrcuma de fato possui propriedades curativas poderosas.

Testes clínicos descobriram que ela combate a indigestão e azia, reduz o risco de ataque cardíaco, repara células-tronco cerebrais e possivelmente até combate células cancerígenas.

A cúrcuma pode ser especialmente benéfica para uma população mais idosa.

De acordo com pesquisas recentes, o acréscimo de um grama de cúrcuma ao desjejum pode ajudar a melhorar a memória das pessoas com risco de debilidade cognitiva.

A meditação realmente conduz a uma espécie de iluminação



 Segundo os textos iogues antigos, anos (ou vidas) de prática da meditação podem acabar levando à iluminação, ou união com o divino.

Quando as flutuações da mente são completamente acalmadas, ficamos livres para vivenciar o Eu verdadeiro – a alma divina.

É claro que seria difícil provar se a meditação é ou não um caminho para se chegar diretamente a Deus.

Mas a ciência moderna mostrou que a meditação regular pode iluminar a mente de várias maneiras.

Quando a mente se aquieta com a prática da meditação, ocorrem modificações reais no cérebro; já foi demonstrado que a prática da “mindfulness” (atenção consciente) eleva a neuroplasticidade e até reconstrói fisicamente a massa cinzenta cerebral.

A prática de meditação por oito semanas encolhe a amígdala cerebelosa – o centro cerebral da reação de lutar ou fugir – e espessa o córtex pré-frontal, uma área associada à consciência, concentração e tomada de decisões.

Isso pode exercer efeitos físicos e psicológicos poderosos. A atenção consciente reduz o estresse ao diminuir os níveis do cortisol, o hormônio do estresse, no corpo.

A meditação também é uma maneira poderosa de combater problemas de saúde mental: foi constatado recentemente que um treino de meditação em grupo foi tão eficaz quanto várias sessões tradicionais de terapia comportamental cognitiva para reduzir os sintomas de ansiedade e depressão.

Façanhas mentais incríveis foram documentadas entre meditadores altamente experientes.

Um estudo constatou que anos de meditação podem gerar mudanças nas redes neurais cerebrais que rompem a barreira perceptiva e psicológica entre o eu e o outro, levando o meditador a experimentar um sentimento de harmonia total entre ele e o mundo em volta.

Normalmente o cérebro alterna entre a rede extrínseca (usada quando focalizamos coisas fora de nós mesmos) e a rede intrínseca, que envolve a autorreflexão, a emoção e o pensamento autorreferencial.

Essas redes raramente atuam juntas. Mas estudos de imageamento cerebral revelaram que alguns monges e meditadores experientes conseguem manter as duas redes ativas ao mesmo tempo quando meditam, possibilitando um senso real de unidade.

O monge budista francês Matthieu Ricard comentou: “Meditar não é simplesmente ficar sentado debaixo de uma mangueira, sentindo êxtase. É algo que muda seu cérebro completamente, e assim, muda o que você é.”

É possível que tudo realmente esteja interligado


 Podemos pensar na física e na espiritualidade como sendo coisas que se opõem por completo, mas recentemente algumas pesquisas de física teórica e quântica vêm embasando cientificamente os princípios básicos do misticismo oriental.

O físico e escritor austríaco Fritjof Capra escreve: “A física nos conduz hoje a uma visão de mundo que é essencialmente mística”.

Uma explicação resumida: segundo a metafísica oriental, tudo no universo está interligado e a consciência permeia toda a matéria.

Já na ciência ocidental, a visão mais comum sugere que a consciência só ocorre nos humanos como subproduto de mudanças físicas no cérebro.

Mas algumas pesquisas de física quântica hoje embasam a visão oriental de que os estados mentais talvez não dependam exclusivamente dos estados materiais; logo, que a consciência pode existir separadamente de qualquer espécie de modificações que ocorram no cérebro físico.

Em outras palavras, pode haver conexões não locais entre fenômenos físicos e mentais – até mesmo matéria que pareça estar separada pode ser interligada, de alguma maneira.

“A teoria quântica... revela uma unidade básica do universo”, escreve Capra em O Tao da Física.

“Ela mostra que não podemos decompor o mundo nas unidades menores que existem independentemente. À medida que penetramos na matéria, a natureza não nos mostra quaisquer ‘blocos básicos’ isolados, mas, em vez disso, se mostra como uma teia complexa de relações entre as várias partes do todo. Essas relações sempre incluem o observador de maneira essencial. O observador humano constitui o elo final na cadeia de processos observacionais, e as propriedades de qualquer objeto atômico só podem ser entendidas em termos da interação do objeto com o observador.”

Também o eminente físico teórico David Bohm chegou à conclusão de que existe uma unidade subjacente dos elementos que, em nossa percepção limitada, aparentam ser separados.

“A mente e a matéria não são substâncias separadas”, ele escreveu em The Undivided Universe. “São aspectos diferentes de nosso movimento inteiro e ininterrupto.”

Homem causa extinção de 322 animais em 500 anos

Por Jennifer Viegas
Animal Planet

Estudo indica que atividade humana provocou a extinção de 322 animais nos últimos 500 anos.

 Thinkstock


Segundo artigo publicado em uma edição especial da revista Science, nossa espécie provocou a extinção de 322 animais ao longo dos últimos 500 anos, sendo dois terços nos últimos dois séculos.

Muitos animais ainda correm o risco de desaparecer, e o ritmo de extinção de anfíbios e invertebrados preocupa os especialistas. O segundo grupo foi reduzido quase à metade, enquanto a população humana dobrou nos últimos 35 anos.

Ecologistas, zoólogos e outros cientistas acreditam que podemos chegar a um ponto irreversível em escala global se medidas urgentes não forem tomadas para reverter esse processo.

“Se as taxas atuais de crescimento continuarem a subir, a população humana chegará a 27 bilhões em 2100, o que é obviamente uma opção impensável e insustentável”, enfatiza o coautor do estudo Rodolfo Dirzo, professor de Ciências Ambientais da Universidade de Stanford, nos EUA.

Dirzo e seus colegas sugerem uma “redução da pegada humana per capita” por meio do desenvolvimento e implementação de tecnologias neutras em carbono, produção mais eficiente de alimentos e produtos, redução do consumo e do desperdício. Segundo os pesquisadores, também é essencial frear o crescimento da população humana.

Crédito: iStock


Haldre Rogers e Josh Tewksbury, autores de outro artigo na mesma edição, acreditam que “os animais são importantes para as pessoas, mas, em geral, são menos valorizados que alimentos, emprego, energia, dinheiro e desenvolvimento. Enquanto forem considerados irrelevantes para o atendimento dessas necessidades básicas, os animais selvagens sairão perdendo”, acrescentam.

No entanto, preservar os animais e a saúde dos ecossistemas aquece economias em escala global. Tewksbury, diretor da Instituto Luc Hoffmann do Fundo Mundial para a Natureza, destaca que a pesca na Bacia do Rio Mekong, no Sudeste Asiático, sustenta 60 milhões de pessoas. Rogers, pesquisador do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Rice, acrescenta que 73% dos visitantes da Namíbia são turistas ecológicos, e o dinheiro que movimentam responde por 14,2% do crescimento econômico do país.

“A observação de baleias na América Latina, sozinha, fatura mais de 275 milhões de dólares por ano”, exemplifica Tewksbury. “Diversos estudos demonstram que as tartarugas valem mais vivas do que mortas.”

Nos Estados Unidos, a observação de tubarões rende 314 milhões de dólares 
por ano e gera 10 mil empregos diretos.


A saúde humana, a polinização, o controle de pragas, a qualidade da água, a disponibilidade de alimentos e outros fatores críticos também dependem da estabilidade do ecossistema, destacam os pesquisadores.

Um outro artigo publicado na última edição da Science descreve medidas controversas, que vão além dos esforços básicos de conservação: o retorno à vida selvagem, ou seja, a reinserção de espécies sub-representadas na natureza; a remoção de espécies invasoras e a ressurreição de espécies já extintas, talvez a mais polêmica de todas.

“As implicações da ressurreição de espécies já são debatidas, e isso inclui o método de seleção dos melhores candidatos ao processo”, explica um dos autores do artigo, Philip Seddon. O zoólogo da Universidade de Otago afirma que os esforços de recuperação e reintrodução de espécies têm mostrado progressos.

“A águia-careca, o condor da Califórnia e o peru selvagem são grandes histórias de sucesso”, comenta Rogers, citando espécies quase extintas nos Estados Unidos cujas populações voltaram a crescer, graças a projetos de reprodução assistida.

Rogers e Tewksbury também estão trabalhando na ilha de Guam, onde a cobra-arbórea-marrom, uma espécie invasiva introduzida há 30 anos, praticamente dizimou os pássaros. Sem seus dispersores de sementes, as florestas foram prejudicadas, e os danos ambientais causaram prejuízos financeiros aos moradores.

No entanto, é um erro limitar o valor dos animais não-humanos a seu valor econômico, acreditam os pesquisadores. “Assim como as pinturas rupestres, que representam o surgimento da arte, e os ícones globais da cultura e do esporte, os animais selvagens fazem parte da nossa sociedade, e sob uma perspectiva evolutiva, devemos a eles quem somos hoje”, comenta Tewksbury. “Portanto, a perda desses animais em várias partes do mundo é uma perda para toda a humanidade”, conclui.

Veja como Plutão se transformou ao longo dos anos

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Gif divulgado pela Nasa revela a evolução do conhecimento sobre o planeta anão nas últimas oito décadas

(NASA/JHUAPL/SWRI/Reprodução)
 Imagem enviada pela New Horizons mostra detalhes de Plutão 

Um dia após a sonda New Horizons fazer uma aproximação histórica em Plutão, na última terça-feira, a Nasa divulgou uma montagem com as melhores imagens do planeta anão. O gif mostra a evolução das fotos, desde a primeira, que revelou a existência do corpo celeste em 1930 ao astrônomo Clyde Tombaugh, até as últimas, feitas pela New Horizons.

A maior parte das fotografias de Plutão foram feitas pelo telescópio Hubble, ao longo das duas últimas décadas. A sequência, que termina com as imagens mais recentes, divulgadas na última quarta-feira (15), demonstra a evolução do conhecimento sobre o corpo celeste.

O que era uma mancha fora de foco, nos limites do Sistema Solar, tornou-se um corpo celeste complexo, onde é possível observar as características da superfície, como depressões e montanhas de gelo. Esses detalhes, aliás, têm intrigando os astrônomos da Nasa. O primeiro zoom nas imagens da New Horizons, que mostra os amontoados de gelo, parece indicar uma inexplicável atividade geológica recente em Plutão - "recente" em termos cósmicos, pois devem ter por volta de 100 milhões de anos.

As informações sobre o corpo celeste, que devem ser enviadas aos poucos pela sonda, nos próximos dias, deverão ajudar os cientistas a elaborar teorias que expliquem o que as novas fotos mostram, afinal.

Confira a montagem:

 Plutão(Nasa/Divulgação)






A ciência de Plutão: confira os 8 principais achados da missão New Horizons

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Revista 'Science' traz primeiros resultados científicos do sobrevoo histórico feito pela sonda da Nasa, em julho. O planeta-anão tem o relevo mais complexo do Sistema Solar, atividade geológica recente, gelo feito d'água e céu azul

(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/Divulgação) 
Imagem da atmosfera de Plutão obtida pela sonda New Horizons da Nasa
 e divulgada nesta sexta-feira (24). Iluminada pela luz do Sol, ela é 
formada de uma espécie de "neblina" que se estende por 
130 quilômetros acima da superfície.  

Plutão era visto como o mundo mais distante e sem graça do Sistema Solar. Até que, em julho deste ano, a missão New Horizons, da Nasa, fez um rasante histórico sobre o planeta-anão. Pouco a pouco, as incríveis imagens da sonda revelaram que ele é repleto de geleiras, vales e montanhas onde existem fluxos de nitrogênio e água congelada, sob um nebuloso céu azul. Está longe de ser um mundo morto - é fascinante.

Esse é o retrato feito pela primeira análise científica de todas as imagens e achados da missão, publicada nesta quinta-feira (15) pela revista Science. O estudo, liderado por Alan Stern, responsável pela missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês), apresenta as características geológicas, atmosféricas, a composição da superfície e relevo de Plutão e suas luas, Charon, Hydra e Nix.

A missão começou a enviar suas melhores imagens, com resolução 1.000 vezes maior que as antigas, do telescópio Hubble, no início de julho. Nelas é possível identificar detalhes que tenham o tamanho de uma bola de futebol sobre a superfície do planeta anão. De acordo com Stern, se o Central Park de Nova York estivesse em Plutão seria possível observar com tranquilidade as lagoas do parque. Com essas informações, os astrônomos fizeram a descrição mais detalhada desses corpos celeste que, há três meses, só eram conhecidos pelos cientistas por imagens borradas e sem resolução. Até o momento, apenas o equivalente a 5% de todos os dados da missão foram analisados e novos estudos devem ser publicados pela equipe da New Horizons até o fim deste ano.

"Essa missão completa nosso reconhecimento inicial do Sistema Solar, dando para a humanidade seu primeiro olhar para este mundo fascinante e seu sistema lunar", disse o astrônomo Jim Green, um dos diretores da Nasa e parte da equipe responsável pelo artigo da Science, em um comunicado. "Ela serve também para inspirar a nossa geração e gerações futuras a continuar explorando o que está além."

Confira os principais (e intrigantes) achados sobre Plutão:

É maior que o esperado


(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/VEJA) 


As primeiras imagens enviadas pela missão New Horizons, antes mesmo da maior aproximação, de 13.691 quilômetros da superfície de Plutão, revelaram que o seu diâmetro é de 2.370 quilômetros – 70 quilômetros a mais que o esperado. Com isso, torna-se o maior planeta-anão do Cinturão de Kuiper, região do espaço onde o planeta-anão se localiza.

Tem uma planície em formato de coração


(Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics
 Laboratory/Southwest Research Institute/VEJA)

 A região em formato de coração vista nas primeiras imagens de Plutão foi batizada de Planície Sputinik. Ela é lisa e formada de gelo, provavelmente de nitrogênio. A ausência de crateras indica que foi formada há cerca de 100 milhões de anos – algo recente em termos geológicos.

Apresenta atividade geológica recente


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)

Uma das descobertas mais intrigantes da Missão New Horizons é que Plutão apresenta atividade geológica recente. De acordo com os cientistas, elas datam de centenas de milhões de anos e, possivelmente, continuam até o presente. As diversas crateras de diferentes tamanhos, montanhas dispostas de maneira caótica, como as de uma região chamada Tombaugh, indicam que, talvez, o planeta-anão tenha placas tectônicas e movimentos erosivos. Os cientistas não sabem, entretanto, qual a fonte de energia que estaria por trás dessa reestruturação da superfície.

É coberto por geleiras e Icebergs


(Foto: NASA/JUAPL/SwRI/Divulgação)
  
Algumas regiões do planeta-anão mostram espaços “semelhantes a geleiras terrestres”, de acordo com o estudo publicado na revista 'Science'. A porção Oeste da Planície Sputinik apresenta várias montanhas assim. Os astrônomos acreditam que elas sejam blocos que flutuam sobre nitrogênio, monóxido de carbono ou metano congelado.

Armazena gelo formado de água


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)
  
Segundo os cientistas, as diversas montanhas encontradas na superfície do planeta-anão precisam de alguma "ancoragem" em superfície sólida. Essa base seria feita de gelo d'água, uma “cama congelada" que estaria por baixo do gelo formado pelos outros elementos químicos, como nitrogênio, metano e monóxido de carbono, ajudando na sustentação das montanhas.

Seu céu é azul


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)


  
As primeiras imagens de Plutão mostraram uma neblina que cobre todo o planeta. As medições revelaram que essa atmosfera se estende por cerca de 150 quilômetros a partir da superfície e é azul. Os astrônomos acreditam que as partículas que dispersam a luz solar nessa cor em Plutão sejam tolinas (moléculas não encontradas naturalmente na Terra, formadas pela ação da radiação ultravioleta em compostos orgânicos simples) que existem na parte mais alta da atmosfera onde a luz do Sol ioniza as moléculas de nitrogênio e metano e faz com que se recombinem. Elas são, provavelmente, vermelhas ou cinza mas, ao dispersarem a luz, promovem a tonalidade azul.

É colorido


(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/Divulgação)

De acordo com os cientistas, Plutão apresenta um dos maiores espectros de cores vistos em corpos celestes. Além do céu azul, a superfície se divide em tons de vermelho e azul. As cores são formadas por processos morfológicos e também físicos, como a sublimação do gelo.

Tem duas ou três luas


(Foto: NASA/JUAPL/SwRI/Divulgação)

Charon, considerada a maior lua de Plutão, foi formada pela colisão de um objeto celeste com o planeta-anão e também exibe movimentos tectônicos e tem composição parecida com a de Plutão. Eles são tão parecidos que talvez formem um sistema planetário binário. De acordo com os cientistas, Charon é também um planeta-anão, além de uma lua, ambiguidade comum na astronomia. Já Nix e Hydra são apenas satélites e, provavelmente, cobertos de água gelada.

Terá sido o mistério do Chupacabra finalmente revelado? (Vídeo)

Animal Planet


A Maldição de Ötzi: Histórias Inacreditáveis (Vídeo)

Discovery

A semente que se disfarça de fezes para garantir sobrevivência da espécie

Laura Plitt
BBC Mundo

Image copyright Thinkstock Image caption 
Os escaravelhos 'rola-bosta' acabam enterrando sementes involuntariamente

Para Ceratocaryum argenteum, a reprodução não é uma tarefa fácil: essa planta africana precisa enterrar suas sementes para poder germinar.

E, segundo descobriu recentemente uma equipe de pesquisadores sul-africanos, ela faz isso utilizando um mecanismo único e curioso: a planta produz algumas sementes que são muito parecidas com os excrementos de antílopes.

Ao confundi-las por causa de seu aspecto, mas sobretudo por seu odor (o excremento e as sementes têm uma série de substâncias químicas em comum), escaravelhos de uma espécie conhecida como "rola-bosta", que se alimentam de fezes, as enterram no solo para depois comê-las e depositar ali seus ovos.

Quando se dão conta do engano, eles deixam as sementes enterradas e continuam com sua rotina.

"Esse engano é muito pouco comum (na natureza)", afirmou à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Jeremy Midgley, pesquisador da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e principal autor do estudo.

"O que geralmente ocorre (com as demais plantas) é que uma ave, por exemplo, come uma fruta e, ao defecar, espalha suas sementes. Neste caso, no entanto, o escaravelho não obtém benefício algum", acrescenta.

Armadilha malcheirosa
O odor de excremento presente na semente é tão forte, segundo Migley, que, depois de quase nove meses, as amostras que tem em seu laboratório continuam fedendo.

"Isso é muito estranho, porque sementes em geral não têm cheiro. Se tivessem odor, seria mais fácil para os mamíferos encontrá-las", ou seja, comê-las ou destruí-las, explica o pesquisador.

Outras estratégias mais conhecidas de dispersão de sementes empregadas pelas plantas envolvem o aproveitamento do vento, da água ou o traslado facilitado por animais.

Porém, esse método que utiliza a "decepção" é algo que os cientistas sul-africanos observaram pela primeira vez.

Se não fosse pela ajuda do escaravelho, a reprodução da Ceratocaryum argenteum seria seriamente afetada. Como germinam em terrenos que passaram por incêndios, as sementes ficariam expostas aos efeitos danosos do sol e do ambiente, entre outros fatores, até que isso ocorresse.

Image copyright Joseph White Image caption 
Espécie de escaravelho analisada por cientistas
 sul-africanos é vítima de "pegadinha" de planta

Trabalho extra
Depois de se equivocar algumas vezes, os escaravelhos não deveriam ter evoluído para perceber as diferenças e não cair na armadilha?

Segundo Midgley, o fato é que essa tarefa não recompensada não custa muito ao inseto.

"A planta só libera as sementes por algumas semanas no ano. Como os escaravelhos não têm que lidar com elas todo o tempo, isso não chega a ter uma influência negativa sobre eles."

Embora seus hábitos alimentares nos pareçam um tanto repugnantes, essa espécie de generosidade (mesmo que involuntária) desses insetos é algo que não pode ser negado.

Arqueólogos anunciam descoberta da mítica cidade de Sodoma

History Brasil


Arqueólogos americanos teriam descoberto a mítica cidade de Sodoma, na região sul da Jordânia. Pelo menos é o que afirma o professor Steve Collins, catedrático da Universidade Trinity do Novo México e líder da equipe que trabalhou nas escavações do projeto Tall el-Hammman, no Vale do Jordão.

“A equipe de arqueólogos desenterrou uma mina de ouro de antigas estruturas monumentais, revelando uma cidade-estado que dataria da Idade de Bronze, e que dominou a região sul da Jordânia, no Vale do Jordão”, afirmou Collins. Em seguida, ele acrescentou que “a maioria dos mapas arqueológicos da região estavam em branco” até que as escavações começaram. “O que temos em nossas mãos é uma importante cidade-estado que era desconhecida pelos estudiosos antes de nosso projeto começar”, ele concluiu.

De acordo com os arqueólogos, o sítio escavado possui duas camadas: uma parte inferior e uma cidade no alto. Esta última está rodeada por um muro de dez metros de altura, todo construído com tijolos de barro. Também existem portas, torres e uma grande praça central. “Foi uma enorme tarefa, que exigiu milhões de tijolos e, obviamente, um grande número de trabalhadores”, disse Collins.

As primeiras análises sobre a evidência arqueológica indicam que a cidade chegou a seu fim de forma brusca. Desde então, durante um período de 700 anos, a região não voltou a ser habitada. O Antigo Testamento afirma que Sodoma, assim como Gomorra, foi destruída pela ira de Deus, que enviou uma “chuva de fogo e enxofre” para incendiá-la.

5 maiores mentiras da história

Gabriel Tonobohn
Discovery

Todos nós contamos mentirinhas aqui ou ali, na maioria das vezes inofensivas. Mas nessa lista você vai encontrar algumas das maiores mentiras já contadas na história, algumas com consequências catastróficas.

O Cavalo de Troia

Crédito da imagem: Wikipedia Commons

Quando Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, foi raptada, os gregos decidiram travar uma guerra contra Troia. Os combates duraram dez anos e parecia que Troia, protegida por suas altas muralhas, sairia vencedora. Mas os gregos tiveram uma ideia ardilosa: construíram um enorme cavalo de madeira que escondia soldados em seu interior oco. Então, comunicaram ao inimigo que o cavalo era uma oferta de paz. Assim, os troianos aceitaram o presente e o levaram para o interior das muralhas. Naquela noite, enquanto Troia dormia, os gregos saíram do cavalo e abriram os portões da cidade para seu exército, o que foi decisivo para derrotar os troianos. Essa pode ter sido uma das maiores mentiras da história e um dos melhores truques de guerra se, claro, for verdade. Até hoje não se sabe se o episódio realmente aconteceu ou se é apenas uma lenda.

Han van Meegeren, o falsário

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Han Van Meegeren foi um dos mais célebres falsários da história. Ele era negociante de arte e também pintor. Como artista, no entanto, Van Meegeren era considerado medíocre. Cansado de ser depreciado, ele decidiu pintar algumas obras de Vermeer por conta própria. Vermeer estava em alta no mercado europeu na época e tinha um pequeno número de telas existentes e uma biografia cheia de lacunas. Van Meegeren estudou seu estilo e aprendeu a falsificá-lo com maestria, “acrescentando” alguns séculos de idade às telas com técnicas como esticá-las e amarrotá-las para simular o craquelê. Enfim, seus quadros conseguiram enganar a todos e ele chegou a vendê-los por preços exorbitantes como se fossem originais de Vermeer. Ele foi tão bem-sucedido que sua tela “Os Discípulos em Emaús” foi considerada uma das principais obras de “Vermeer”. Tudo ia bem, até que Van Meegeren vendeu uma obra para Hermann Goering, o segundo homem do Reich no final da Segunda Guerra. Acusado pelo governo holandês de colaborar e vender um patrimônio nacional aos nazistas, Van Meegeren teve de confessar que os quadros eram falsos. Antes ser acusado de falsário do que de traidor.

Esquema Ponzi de Bernie Madoff


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O esquema Ponzi ganhou esse nome graças a Charles Ponzi, que o usou para ganhar dinheiro fácil no começo do século 20. Funciona de maneira bem simples: você promete bons retornos a investidores, que lhe dão dinheiro. Mas em vez de usar esse dinheiro para investir, você paga os primeiros investidores e fica com parte do dinheiro. Geralmente, um esquema Ponzi dura pouco, pois é preciso sempre encontrar novos investidores para pagar os antigos. Mas Bernie Madoff levou isso a um novo nível. Em 2008, ele confessou que conseguiu cerca de 65 bilhões de dólares de investidores que confiaram nele. Ele também sustentou o esquema por mais tempo que qualquer outro: quase uma década. Isso é especialmente surpreendente porque Madoff era um homem importante da NASDAQ, respeitado no mundo financeiro. Madoff criou o maior esquema Ponzi da história.

Propaganda nazista

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Quando o nazismo surgiu na Alemanha na década de 30, o antissemitismo não era novidade. O povo judeu já sofria preconceito e era perseguido. Mas o nazismo levou isso a um novo nível perpetuando mentiras centenárias. Foi provavelmente a mentira com os piores efeitos da história. Para isso, Hitler contou com o apoio de Joseph Goebbels, ministro da propaganda, lançando uma campanha maciça para convencer o povo alemão de que os judeus eram os verdadeiros inimigos e responsáveis por todas as mazelas da sociedade. Hitler culpou os judeus inclusive pela derrota na Primeira Guerra. A propaganda antissemita foi forte e assumiu uma variedade de formas, desde pôsteres e jornais até filmes e transmissões de rádio. Por fim, infelizmente, acabou sendo a maior prova de que uma mentira contada muitas vezes pode se tornar uma verdade.

Caso Watergate

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Em junho de 1972, cinco pessoas foram detidas ao tentarem fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta em telefones do escritório do Partido Democrata, no Hotel Watergate, nos Estados Unidos. Depois de alguns meses de investigação jornalística, ficou claro que os homens haviam sido enviados por autoridades próximas ao presidente Richard Nixon. Restava saber se Nixon sabia do ocorrido ou mesmo se havia ordenado a espionagem. A princípio, Nixon obviamente negou qualquer envolvimento, mas a verdade veio à tona mais tarde. Gravações de conversas privadas na Casa Branca surgiram, demonstrando que o presidente sabia mais do que dizia saber sobre o caso. Em agosto de 1974, quando já havia muitas provas que ligavam a espionagem a Nixon e ao Partido Republicano, Nixon renunciou à presidência, sendo substituído por Gerald Ford, seu vice. Ford assinou uma anistia que retirava as responsabilidades legais das infrações de Nixon, mas o caso deixou marcas tão profundas que ajudou a eleição de Jimmy Carter, do Partido Democrata, alguns anos depois.

Fósseis de dentes sugerem que homem deixou África 20 mil anos antes do que se pensava

Paul Rincon
Editor de Ciência da BBC News

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Conjunto de 47 dentes fossilizados foram achados em caverna na China

Fósseis encontrados na China podem mudar drasticamente a narrativa tradicional da dispersão da espécie humana pelo mundo.

Cientistas que trabalham em Daoxian, no sul do país, descobriram dentes pertencentes a humanos modernos com uma idade de pelo menos 80 mil anos, segundo um estudo publicado no periódico científico Nature.

Isso vai contra a amplamente aceita teoria de que o homem deixou a África há 60 mil anos. Diversas evidências, inclusive genéticas e arqueológicas, apoiavam esta teoria.

Acreditava-se que os primeiros humanos modernos vivendo no norte da África cruzaram o Mar Vermelho pelo estreito de Bab el Mandeb, tirando proveito da maré baixa.

Todas as populações não-africanas existentes hoje teriam derivado desta dispersão.

Tesouro arqueológico
As escavações na caverna Fuyan, em Daoxian, trouxeram à tona um tesouro arqueológico composto por 47 dentes humanos.

"Estava claro para nós que estes dentes pertenciam a humanos modernos por causa de sua morfologia. O que nos surpreendeu foi sua idade", diz María Martinón-Torres, da University College London (UCL), no Reino Unido, à BBC News.

"Todos os fósseis estavam selados em pedra calcária. Então, os dentes tinham de ser mais antigos que esta camada do solo. Sobre isso, estão estalagmites com 80 mil anos de idade, algo que foi determinado usando urânio."

Isso significa que tudo que está abaixo destas estalagmites deve ser mais antigo do que elas. Os dentes humanos podem ter até 125 mil anos de idade, de acordo com os pesquisadores.

Além disso, fósseis de animais achados junto com os dentes são típicos do período Pleistoceno Antigo - algo indicado também pelas medições feitas com radioatividade.

Fósseis de humanos modernos que precedem a data de migração para fora da África já tinham sido encontrados em cavernas de Israel. Mas eles foram considerados parte de uma tentativa fracassada de dispersão por humanos modernos que provavelmente acabaram extintos.

No entanto, a descoberta feita na China complica a teoria em torno da dispersão humana pelo mundo.
"Alguns pesquisadores já propuseram que dispersões teriam ocorrido mais cedo do que se pensa", diz Martinón-Torres.

"Temos que entender o destino dessa migração, se ela fracassou ou se de fato contribuiu para a formação das populações modernas. Talvez sejamos descendentes de uma dispersão ocorrida há 60 mil anos, mas precisamos rever nossos modelos. Pode ter havido mais de uma migração para fora da África."

'Ponto de inflexão'

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Cientistas acreditam que homem moderno 
deixou a África rumo à Ásia há 60 mil anos

Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, diz que o novo estudo é um "ponto de inflexão" no debate sobre como humanos modernos se espalharam pelo planeta.

"Muitos especialistas, inclusive eu, já argumentaram que a dispersão inicial a partir da África, ocorrida há cerca de 120 mil anos - segundo evidências das cavernas israelenses -, foi um fracasso e não foi além desta região onde os fósseis foram encontrados", afirma.

"A grande amostra de dentes de Daoxian parece ser indubitavelmente de humanos modernos por seu tamanho e morfologia, e parece ter sido bem datada, com uma idade de 80 mil anos. À primeira vista, parece ser condizente com uma dispersão anterior pelo sul da Ásia por uma população parecida com a achada em cavernas de Israel."

O especialista aponta, no entanto, que "os fósseis de Daoxian se parecem mais com dentes de humanos mais recente do que com aqueles dos fósseis de Israel, que ainda mantêm traços primitivos".
"Então, deve ter ocorrido uma rápida evolução na dentição de uma população como a das cavernas de Israel ou os dentes de Daoxian representam uma dispersão diferente de humanos com um aspecto mais moderno."

Martinón-Torres diz que seu estudo pode lançar uma luz sobre por que o Homo sapiens levou outros 40 mil anos para se estabelecer na Europa.

Talvez a presença de neandertais tenha mantido nossa espécie de fora da parte ocidental da Eurasia até nossos primos na escala evolucionária terem se multiplicado e formado um grupo maior.

Também é possível que humanos modernos, que começaram como uma espécie tropical, não estivessem tão bem adaptados quanto os neandertais ao clima gelado da Europa.

Martinón-Torres destaca que, enquanto humanos ocupavam o quente sul da China há 80 mil anos, regiões mais frias do centro e do norte da China poderiam ser ocupadas por humanos mais primitivos que seriam parentes asiáticos dos neandertais.

Homo naledi, o novo ancestral revelado pela ciência, reabre o debate sobre a origem da espécie humana

Jamie Shreeve 
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL
  
Fósseis encontrados em uma caverna da África do Sul revelam um novo e desconcertante antepassado do homem
  

Moldado em argila e silicone pelo artista John Gurche,
 o Homo naledi é o membro mais novo do gênero ao qual pertencemos.

Em 13 de setembro de 2013, Steven Tucker e Rick Hunter adentram um sistema de cavernas conhecido como Rising Star (Estrela Ascendente), 50 quilômetros a noroeste de Johannesburgo, na África do Sul. O lugar atrai espeleólogos desde a década de 1960, e suas passagens e galerias estão bem mapeadas. A expectativa de Tucker e Hunter é descobrir um trecho ainda pouco palmilhado.



Eles têm também outra preocupação, ainda que em segundo plano. Na primeira metade do século 20, essa mesma região produzira tantos fósseis dos nossos mais antigos antepassados que ficou conhecida como o “berço da humanidade”. Embora há muito tempo tenha passado o auge da busca aos fósseis por lá, os dois espeleólogos sabem que, por outro lado, um pesquisador da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, reiniciou a busca por ossadas.

Nas profundezas do sistema de grutas, Tucker e Hunter passam por um estreitamento batizado de Passagem do Super-Homem – a maioria das pessoas somente consegue atravessar mantendo um dos braços junto ao corpo e estendendo o outro acima da cabeça, como faz o Homem de Aço ao voar. Depois de cruzar um imenso salão, eles escalam uma parede rochosa denteada, a Espinha do Dragão. No alto, chegam a uma pequena cavidade repleta de estalactites. Tucker desliza para dentro de uma fissura no piso da gruta. O seu pé encontra um degrau de pedra, depois outro, embaixo, e aí... nada. Espaço vazio.

Descendo mais, vê que se trata de um buraco estreito e vertical, em certos pontos com largura de apenas 20 centímetros. Chama Hunter e pede que o siga. Ambos são esguios, só ossos e músculos. Se tivessem o tronco algo mais largo, não teriam se esgueirado por passagem tão apertada – e aí a descoberta de fóssil humano mais assombrosa dos últimos 50 anos não teria ocorrido.

Foto: Mark Thiessen/National Geographic
Ainda que primitivos em alguns aspectos, o rosto, o crânio e os dentes do fóssil
 exibem traços modernos o bastante para justificar a inclusão do H. naledi 
no gênero Homo. O artista John Gurche usou pelo de urso para simular o cabelo. 

Lee Berger, o paleoantropólogo que pedira aos exploradores que ficassem de olho em ossadas, é um americano corpulento, de rosto avermelhado e bochechas que inflam quando sorri – o que acontece com frequência. No início dos anos 1990, quando Berger foi contratado pela Universidade de Witwatersrand (mais conhecida como “Wits”) e saiu atrás de fósseis, havia muito que o foco de quem se interessava pelaevolução humana passara a se concentrar no Grande Vale Rift, na África Oriental.
Para muitos, a África do Sul apresentava um interesse apenas secundário para o entendimento da evolução humana. Berger, contudo, estava empenhado em provar o contrário. Mas, durante quase duas décadas, os achados relativamente insignificantes que fizera só ressaltavam quão pouco o país podia contribuir para a questão.

Mistério da evolução da espécie humana
O que mais o interessava eram fósseis que pudessem esclarecer o principal mistério que paira na evolução: o surgimento do nosso gênero, o Homo, ocorrido entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás. No outro lado da divisa estão os primatas australopitecos, exemplificados pelo Australopithecus afarensis e o seu espécime mais conhecido, Lucy, cuja ossada foi achada na Etiópia, em 1974. No lado mais próximo de nós está o Homo erectus, uma espécie que já conhecia os utensílios, dominava o fogo, se deslocava por longas distâncias, era dotada de um cérebro volumoso e tinha um corpo com proporções similares às nossas. Entre o A. afarensis e o H. erectus, porém, há um intervalo obscuro de 1 milhão de anos, no qual um animal bípede se transformou no primeiro ser humano, uma criatura não só adaptada ao meio mas também capaz de usar a inteligência para alterá-lo a seu favor. Como ocorreu tal revolução?

O testemunho fóssil é vago e decepcionante. Um pouco mais antiga que o H. erectus é a espécie Homo habilis, batizada de “habilidosa”, em 1964, porque Louis Leakey e os seus colegas a consideravam responsável pelos artefatos de pedra que acharam em Olduvai, na Tanzânia. Essa espécie virou o precário fundamento da árvore genealógica humana, arraigando-a assim na região da África Oriental. Para além do H. habilis, a história humana permanece turva, representada unicamente por um punhado de fragmentos fósseis de Homo que nem chegam a ser suficientes para identificar uma espécie.

Há muito Berger vem argumentando que o H. habilis é primitivo demais para merecer a posição privilegiada que ocupa na origem do gênero humano. Outros cientistas concordam e acham que, na verdade, ele deveria ser contado entre os australopitecos. Mas Berger está quase sozinho ao defender a ideia de que a África do Sul é o local mais promissor para se buscar o verdadeiro Homo mais antigo. Berger sempre exibiu a ambição e a personalidade para virar um dos protagonistas cruciais em seu campo, tal como Richard Leakey ou Donald Johanson (coube a este último a descoberta da ossada de Lucy). No entanto, faltava-lhe o principal: os ossos que comprovassem a sua hipótese.


Três espécies do gênero , todas surgindo no registro fóssil por volta de 2 milhões
 de anos atrás, reforçam o argumento contra uma progressão linear rumo à humanidade 
– posição salientada pela mescla única, no H. naledi, de traços primitivos e avançados - 
Reconstruções por John Gurche. Imagens fora de Escala. Crânios por Mike Hettwer; 
fotografados no Museu Nacional do Quênia. Exemplares de crânio (da esquerda para 
a direita):KNMER 1813; 1470; 3733

Então, em 2008, ele fez uma descoberta importante. Ao explorar o local mais tarde conhecido como Malapa, a 16 quilômetros da Caverna Rising Star, ele e o filho de 14 anos, Matthew, toparam com alguns ossos de hominídeos projetando-se de blocos de dolomita. No ano seguinte, a equipe de Berger conseguiu extrair da rocha nada menos que dois esqueletos quase completos. Datados de cerca de 2 milhões de anos atrás, essa foi a primeira descoberta importante registrada ao longo de décadas na África do Sul. Em muitos aspectos, essas ossadas eram muito primitivas, mas, por outro lado, apresentavam características estranhamente modernas.

Berger concluiu que os ossos pertenciam a uma nova espécie de australopiteco, que batizou deAustralopithecus sediba. Porém, foi além e alegou que os ossos constituíam as amostras que permitiriam decifrar a origem do Homo. Ainda que admitissem que Berger fizera uma descoberta “de cair o queixo”, quase todos os decanos da paleoantropologia consideraram inaceitável a interpretação que ele deu ao A. sediba. Era novo demais, estranho demais e não estava no lugar certo para ser o antepassado do Homo – em suma, não podia ser um de nós. Em outro sentido, o mesmo se podia dizer de Berger. Desde então, cientistas proeminentes publicaram artigos sobre os primeiros Homo e nem se deram ao trabalho de fazer menção a ele ou ao seu achado.

Berger não se deixou abalar pela rejeição e retomou o trabalho – havia outras ossadas de Malapa à espera, ainda incrustradas em blocos de arenito no laboratório, que exigiam a sua atenção. Então, certa noite, Pedro Boshoff, um geólogo que Berger contratara para encontrar fósseis, bateu à sua porta, acompanhado de Steven Tucker. Berger deu uma espiada nas fotos que eles mostraram, feitas na Caverna Rising Star, e, de imediato, percebeu que o sítio de Malapa vai ter de ficar em segundo plano.


A caixa craniana deste macho H. naledi tem apenas 560 centímetros cúbicos 
de volume – menos da metade do crânio humano moderno, mais atrás. 
A caixa craniana das fêmeas era ainda menor.

A descoberta
Depois de se contorcerem para descer por mais de 12 metros no buraco da Rising Star, Tucker e Rick Hunter chegaram a outra câmara agradável, com uma cascata de formações esbranquiçadas em um canto. Uma passagem conduzia a uma cavidade mais ampla, com 9 metros de comprimento e 1 de largura. O que chamava a atenção é o que havia no piso: ossos. Eles acharam que as ossadas deviam ser modernas. Não tinham o peso de pedras, como a maioria dos fósseis, nem estavam incrustradas em rochas – estavam apenas dispersas sobre o piso, como se alguém as tivesse jogado lá. Notaram um fragmento de mandíbula inferior, com os dentes intactos, que parecia humana.

Mesmo pelas fotos, Lee Berger podia afirmar que os ossos não pertenciam a seres humanos modernos. Certas características, sobretudo as do maxilar e dos dentes, pareciam primitivas demais. E as imagens indicavam que existem ainda mais ossos: Berger conseguia distinguir a silhueta de um crânio parcialmente enterrado. Seria um esqueleto completo? Berger estava perplexo. No registro fóssil dos primitivos hominídeos, as ossadas quase completas, incluindo os dois esqueletos que ele próprio exumara em Malapa, podiam ser contadas nos dedos de uma única mão. E agora aquilo. Mas o que era aquilo? Qual a sua idade? Como havia ido parar ali na gruta?

Mais urgente ainda era saber como retirar de lá os ossos, e o mais rápido possível. Pela disposição deles, estava evidente que alguém já passara por ali, talvez décadas atrás. Tucker e Hunter não tinham a competência técnica necessária para extrair os fósseis, e nenhum cientista conhecido de Berger – muito menos ele próprio – era magro o bastante para descer por uma passagem tão estreita. Por isso, Berger recorreu ao Facebook, anunciando que buscava indivíduos esguios, com formação científica e experiência espeleológica – e, sobretudo, “dispostos a trabalhar em espaços confinados”. Uma semana e meia depois, cerca de 60 pessoas fizeram contato. Ele então escolheu as seis mais promissoras, todas mulheres e jovens, apelidadas por Berger de “astronautas do subsolo”.

Assim, com patrocínio da National Geographic Society, Berger reúne cerca de 60 cientistas e monta um centro de comando na superfície, uma barraca com equipamentos científicos, assim como um pequeno acampamento para descanso e apoio. Espeleólogos locais ajudam a estender 3 mil metros de cabos de comunicação e energia elétrica até o local dos fósseis. Tudo o que acontece lá embaixo pode ser seguido por Berger e seus colegas nos monitores instalados no centro de comando.


Marina Elliott, acima, explora um salão com o paleontólogo Ashley Kruger. 
Ela é uma das seis cientistas do grupo com a habilidade e os dotes físicos 
para ir ao salão Dinaledi. Lee Berger, na tela, acompanha o trabalho 
da superfície. - Foto: Robert Clark

Marina Elliott, na época aluna da Universidade Simon Fraser, no Canadá, é a primeira a se esgueirar pelo buraco. Ela e duas companheiras, Becca Peixotto e Hannah Morris, vão avançando centímetro por centímetro até a “zona de pouso”, no fundo, e se agacham no salão que abriga os fósseis. Trabalhando em turnos de duas horas e se revezando com outra equipe de três mulheres, elas mapeiam e empacotam mais de 400 fósseis que jazem na superfície e, depois, começam a retirar a terra em volta do crânio semienterrado. Embaixo e à volta dele há muitos outros ossos, bem compactados. No decorrer dos dias seguintes, enquanto as pesquisadoras vasculham a área de 1 metro quadrado em torno do crânio, os outros cientistas se amontoam ao redor dos monitores de vídeo no centro de comando, em uma atmosfera de excitação quase permanente. Berger, vez por outra, ruma para a barraca-laboratório a fim de examinar os ossos que se acumulam – até que um grito geral de assombro vem do centro de comando e faz com que ele volte às pressas para acompanhar outra descoberta em tempo real. São dias gloriosos.

Os ossos estão bem preservados e, pela duplicação dos tipos, logo fica evidente que não há na gruta apenas um esqueleto, mas dois, em seguida três, depois cinco... Encerradas as três semanas reservadas por Berger para a escavação, as pesquisadoras recuperam 1 200 ossos, mais que em qualquer outro sítio arqueológico com antepassados humanos na África – e, mesmo assim, não se esgota o material naquele metro quadrado ao redor do crânio inicial. São necessários mais dias de escavação, em março de 2014, para remover tudo o que se encontra na camada de sedimentos de apenas 15 centímetros de profundidade.

No total, 1 550 itens são recuperados, correspondentes a, no mínimo, 15 indivíduos. O conjunto de ossos impressiona. Há crânios. Maxilares. Costelas. Dúzias de dentes. Um pé quase completo. Uma mão, com todos os ossos intactos. Ossos minúsculos do ouvido interno. Adultos mais idosos. Jovens. Crianças, identificadas por vértebras pequenas como dedais de costura. Algumas partes dos esqueletos parecem espantosamente modernas. Outras são primitivas – em certos casos, mais simiescas que as dos australopitecos. “Descobrimos uma criatura notável”, comenta Berger, com um sorriso largo.

Na paleoantropologia, os novos espécimes costumam ser mantidos em sigilo até que sejam bem analisados, e os resultados, publicados. Berger, porém, insiste para que os estudos sejam divulgados até o fim de 2014 – ou seja, exatamente meio século depois de Louis Leakey ter divulgado a descoberta do primeiro membro do gênero humano, o Homo habilis, que permanece até hoje nessa posição.

Seja como for, só há um jeito de concluir com rapidez a análise do material: fazer com que os ossos sejam examinados por muita gente. Além das duas dezenas de cientistas veteranos que o haviam ajudado a avaliar as ossadas de Malapa, Berger convida mais de 30 pesquisadores jovens, que acorrem a Johannesburgo vindos de 15 países, para um esforço concentrado de estudo com a duração de seis semanas. Para alguns cientistas mais velhos, essa mobilização de pesquisadores jovens a fim de acelerar a publicação de resultados tinha algo de precipitado. No entanto, para os jovens participantes, é “um paleossonho que virava realidade”, define Lucas Delezene, hoje professor na Universidade de Arkansas. “Na faculdade, quem não sonha com uma pilha de fósseis jamais vistos e que têm de ser analisados?”

Foto: Robert Clark//National Geographic, 
Lee Berger/University of the Witwatersrand
O esqueleto quase completo expõe a estrutura geral do corpo do H. naledi. 
Os ombros, quadris e tronco remetem a antepassados primitivos, ao passo 
que os membros inferiores revelam características de aparência mais 
humana. Já o crânio e os dentes exibem traços mesclados - 


A maratona de pesquisa acontece num recém-inaugurado laboratório da Universidade de Witwatersrand. As equipes dividem-se em função das partes do corpo. Os especialistas em crânio juntam-se num canto, à volta de uma espaçosa mesa quadrada coberta de fragmentos de crânios e mandíbulas, assim como moldes de outros crânios fósseis já bem conhecidos. Mesas menores são reservadas para ossos de mãos, pés, membros e assim por diante. A atmosfera é de concentração total. Berger e os assistentes mais próximos circulam pela sala, parando aqui e ali para trocas de ideias em voz baixa.

Definição da espécie



Novo tipo de antepassado
O H. naledi (direita) era bem mais parecido com espécies do gênero Homo, como o H. erectus (centro), do que com os australopitecos (esquerda), como a Lucy. Por outro lado, apresenta características que não são partilhadas por outros membros do nosso gênero – o que lhe dá a condição de nova espécie.

A pilha de fósseis de Delezene tem 190 dentes – uma parte crucial de qualquer análise, pois muitas vezes só os dentes bastam para identificar uma espécie. Algumas características são espantosamente humanoides – as coroas dos molares são pequenas, por exemplo, com cinco cúspides, tal como nos nossos molares –, mas, por outro lado, as raízes dos pré-molares parecem toscas demais. “Não sabemos bem o que concluir disso”, diz Delezene. “É muito bizarro.”

O mesmo efeito paradoxal toma conta das outras mesas. Ossos das mãos modernos exibem dedos muito curvos, mais adequados a algum animal arborícola. Os ombros também exibem aspectos simiescos, e as lâminas muito abertas da pelve são tão primitivas quando as de Lucy – todavia, na mesma pelve, a base parece a de um ser humano moderno. Já os ossos das pernas começam apresentando formato similar ao de um australopiteco, tornando-se modernos à medida que se aproximam dos pés – praticamente idênticos aos nossos. “Quase que dá para traçar uma linha pelo quadril: primitivo na parte superior, moderno na inferior”, diz o paleontólogo Steve Churchill, da Universidade Duke. “Se você tivesse topado só com o pé, podia até imaginar que pertencia a um indígena local recém-falecido.”

Mas aí resta a questão da cabeça. Quatro crânios parciais foram encontrados – provavelmente dois masculinos e dois femininos. No que se refere à morfologia geral, claramente parecem avançados o bastante para serem incluídos entre os Homo. No entanto, as caixas cranianas são minúsculas – apenas 560 centímetros cúbicos para os machos e 465 para as fêmeas, bem menos que a média de 900 centímetros cúbicos do H. erectus, e menos que a metade da nossa própria caixa craniana. Um cérebro volumoso é indispensável para a condição humana, a marca característica de uma espécie que evoluiu e sobreviveu graças à inteligência. Essas criaturas não são exatamente humanas. Possuem a cabeça pequena demais, mesmo que tenham alguns membros com características humanas.

“Estranho como o diabo”, define o paleoantropólogo Fred Grine. “Cérebro minúsculo em corpo nada minúsculo.” Os machos adultos medem cerca de 1,5 metro e pesam 45 quilos; as fêmeas, um pouco mais baixas e leves. “O que isso indica é um animal no meio da transição entre o Australopithecus e o Homo”, comentou Berger quando, em junho deste ano, chegou ao fim o esforço concentrado de identificação. “Tudo o que serve para tocar o mundo de modo crucial é mais parecido conosco. Já as outras partes preservam fragmentos do passado primitivo.”

Em alguns aspectos, o novo hominídeo da Caverna Rising Star está ainda mais próximo aos seres humanos modernos que o Homo erectus. Para Berger e colegas, fica evidente que pertence ao gênero Homo, ainda que distinto de todos os outros membros. Por isso, não lhes resta outra saída além de propor a criação de uma nova espécie, batizada de Homo naledi, numa alusão à gruta onde foram achados os ossos – na língua local, o soto do sul, naledi significa “estrela”.

Como aqueles fósseis foram parar numa câmara tão remota?
Em novembro de 2013, quando ainda retiravam da caverna o extraordinário conjunto de ossos, Marina Elliott e as suas companheiras ficaram igualmente surpresas com o que não conseguiam achar. “Estávamos no terceiro ou no quarto dia e ainda não havíamos topado com nenhum resquício de fauna”, diz Marina. No primeiro dia, ossos pequenos de aves tinham sido achados no piso da caverna, mas, fora isso, só havia as ossadas de hominídeos.

Afinal, como aqueles restos mortais tinham ido parar numa câmara tão remota? Era evidente que os indivíduos não viviam na caverna – não havia artefatos de pedra nem restos de alimentos que sugerissem tal ocupação. Era concebível que um bando de H. naledi poderia ter se perdido e ficado de algum modo preso nas galerias. A distribuição dos ossos, porém, parecia indicar que foram sendo depositados no decorrer do tempo, talvez ao longo de séculos. E, se tivesse arrastado para ali corpos ou partes de corpos desde outros pontos, onde haviam sido abatidos ou já estavam mortos, um animal carnívoro teria deixado marcas de dentes nos ossos – e disso não se via o menor traço. Por fim, se, ao longo de milênios, os ossos tivessem sido levados por água corrente até os recantos mais profundos da Rising Star, essa água teria carregado também outros tipos de entulho. Mas não se via cascalho nem outros resíduos no salão dos fósseis, apenas o sedimento fino que se soltara das paredes da caverna ou que passara por estreitas fendas. “Quando a gente elimina o impossível”, certa vez Sherlock Holmes lembrou a seu amigo Watson, “o que resta, por mais improvável, deve ser a verdade.”

Após descartar todas as outras explicações, Berger e a sua equipe viram-se diante da conclusão improvável de que os corpos dos H. naledi haviam sido deliberadamente deixados ali por indivíduos da mesma espécie. Até agora, só o Homo sapiens, e alguns seres humanos arcaicos, como os neandertais, eram tidos como capazes de tratar os mortos dessa maneira ritualística. Talvez naquela época o Passagem do Super-Homem fosse largo o bastante para ser atravessado a pé, e os hominídeos apenas largaram os fardos sobre o buraco, sem que eles próprios se arriscassem à descida. Com o tempo, a pilha crescente de ossos foi pouco a pouco tombando na câmara inferior.

A fim de dispor desse modo dos cadáveres, os hominídeos enfrentaram a escuridão em todo o trajeto até o buraco estreito e, depois, no caminho de volta, o que teria exigido algum tipo de iluminação artificial – tochas ou fogueiras acesas a intervalos. A ideia de um animal de cérebro minúsculo realizando algo assim complexo parece tão improvável que muitos outros pesquisadores simplesmente se recusam a considerá-la viável. Em algum momento no passado, argumentam eles, deve ter existido uma entrada na caverna que permitia um acesso mais direto à câmara dos fósseis, e por ela os ossos provavelmente foram carregados pela água. “Tem de existir outra entrada”, insistiu Richard Leakey, depois de uma visita a Johannesburgo para examinar os fósseis.

Nesse caso, seria inevitável que a correnteza de água levasse, juntamente com os ossos, cascalho, matéria vegetal e outros tipos de entulho até o salão dos fósseis. O problema é que disso não há nenhum indício. “Não tem muita margem para a subjetividade aqui”, diz o geólogo Eric Roberts. “Os sedimentos não mentem.”

As práticas funerárias proporcionam conforto aos vivos, dignificam os falecidos ou facilitam a transição deles para a vida futura. Tais sentimentos são característicos da humanidade. Mas o H. naledi, ressalta Lee Berger, não era um ser humano – o que torna esse comportamento ainda mais intrigante. “É um animal que parece ter tido a capacidade cognitiva de se reconhecer como separado da natureza”, afirma.

Fonte: Lee Berger, Universidade de Witwatersrand (Wits), África Do Sul
Um grupo de H. naledi dispõe dos restos mortais de seus semelhantes. 
Embora esse comportamento avançado seja desconhecido em hominídeos
 primitivos, “não há outra explicação para a presença das ossadas”, 
afirma Lee Berger, o cientista responsável - Ilustração de Jon Foster. 

Os mistérios em torno da classificação do H. naledi, e de como as ossadas acabaram na caverna, estão inextricavelmente vinculados à questão da idade desses ossos – e isso ninguém sabe por enquanto. Na África Oriental, os fósseis podem ser datados com exatidão sempre que achados acima ou abaixo de camadas de cinza vulcânica, cuja idade pode ser avaliada pela desintegração, regular como um relógio, dos elementos radiativos na cinza. Em Malapa, Berger tivera sorte: os restos do A. sediba estavam entre duas concreções – finas camadas de calcita depositadas por água corrente – que podiam ser datadas por radiometria. No entanto, as ossadas no recesso da Rising Star jaziam no piso da caverna ou estavam enterradas em sedimentos rasos e mesclados. Quando os ossos foram parar na gruta é um problema ainda mais espinhoso do que saber como lá chegaram.

Para quase todos os pesquisadores que participaram da maratona de estudo dos fósseis, a grande preocupação era o modo como seria recebida a análise sem que tivesse sido estabelecida uma data. Berger, porém, não se mostrou nem um pouco incomodado com isso. Se o H. naledi se revelasse tão antigo quanto apontava a morfologia, então tratava-se da própria raiz da árvore genealógica do Homo. Todavia, se fosse comprovado que a nova espécie era bem mais jovem, as repercussões seriam igualmente importantes. Pois poderia significar que, ao mesmo tempo que a nossa espécie evoluía, outro ramo separado do Homo, com cérebro menor e aparência mais primitiva, também estava solto pelo mundo, até pouco tempo atrás. Há 100 mil anos? Cinquenta mil? Dez mil anos? Como sempre, mesmo quando a febril maratona de estudo dos fósseis foi encerrada, sem oferecer qualquer resposta a essa questão fundamental, Berger continuou animado. “Não importa a idade, o impacto vai ser tremendo”, concluiu ele, dando de ombros.

Novas discussões sobre a oreigem do gênero Homo
Algumas semanas depois, em agosto de 2014, ele voa para a África. Para celebrar o 50o aniversário da divulgação do H. habilis feita por Louis Leakey, Richard Leakey convidara os principais especialistas em primórdios da evolução humana para um simpósio no Instituto Turkana Basin, o centro de pesquisa que ele havia fundado perto da margem ocidental do Lago Turkana, no Quênia.

A finalidade desse encontro é ver se os cientistas chegam a algum consenso sobre o confuso registro doHomo em seus primórdios, deixando assim de lado o exibicionismo e o rancor – dois vícios endêmicos na paleoantropologia. Alguns dos críticos mais virulentos de Lee Berger estão presentes, entre os quais gente que havia publicado artigos mordazes sobre a interpretação que ele fizera dos fósseis A. sediba. Para esse grupo, Berger, na melhor das hipóteses, é um leigo incompetente e, na pior, alguém norteado pela busca de autopromoção. Há até quem ameace não comparecer caso ele esteja lá. Contudo, em função do achado na Rising Star, Richard Leakey não poderia deixar de convidá-lo. “Não tem ninguém mais no planeta produzindo tantos fósseis quanto Lee”, comenta Leakey.

Durante quatro dias, os cientistas amontoam-se em um laboratório espaçoso, as janelas abertas para deixar entrar a brisa, os moldes de todos os indícios relevantes do Homo primitivo distribuídos nas mesas. Quando chega a sua vez de falar, Bill Kimbel, do Instituto da Origem Humana, descreve um novo maxilar de Homo, exumado na Etiópia, de 2,8 milhões de anos atrás – o mais antigo membro conhecido do gênero humano. A arqueóloga Sonia Harmand relata algo ainda mais espetacular – a descoberta, perto do Lago Turkana, de dúzias de artefatos de pedra que remontam a 3,3 milhões de anos. Se os utensílios de pedra surgiram meio milhão de anos antes do aparecimento do nosso gênero, é difícil seguir argumentando que a característica definidora do Homo é a sua engenhosidade tecnológica.

Berger mantem-se calado, pouco contribuindo para a discussão, até que surge o tema da comparação entre o A. sediba e o H. habilis. Havia chegado a sua hora. “Talvez a Caverna Rising Star tenha algo a contribuir para esse debate”, começa. Nos 20 minutos seguintes, expõe tudo o que havia ocorrido – a casual e feliz descoberta da caverna, a maratona de estudos em junho e o resumo das suas constatações. Enquanto fala, alguns moldes de crânios achados na Rising Star são passados de mão em mão.

Depois, vêm as questões. Vocês fizeram uma análise crânio-dental? Fizemos. O crânio e os dentes do H. naledi o colocam no mesmo grupo do Homo erectus, dos neandertais e dos seres humanos modernos. Mais próximo do H. erectus que o H. habilis? É, mais próximo. Tem marcas de dentes de carnívoros nos ossos? Não, esses são os mortos mais saudáveis que alguém já viu. Conseguiram avançar com a datação? Ainda não, mas sem dúvida vamos acabar chegando a uma data. Não há por que se preocupar.

Então, ao cessarem as perguntas, os especialistas presentes fazem algo inesperado, sobretudo para Lee Berger. Eles irrompem em aplausos.

Sempre que ocorre alguma nova descoberta importante sobre a evolução humana – ou mesmo de relevância menor –, o mais comum é alegar que se trata de uma revolução nas concepções anteriores sobre os nossos antepassados. Mas Berger não afirma ter achado o Homo mais antigo, tampouco que os fósseis da gruta vão recuperar o título de “berço da humanidade” (ainda hoje na África Oriental) para o sul do continente. Os fósseis, porém, sugerem que ambas as regiões contêm as pistas de uma história que é mais complexa que a simples metáfora de “árvore genealógica da humanidade”.

“O que o H. naledi me diz é que, por mais que se considere o testemunho fóssil para se propor explicações, a realidade pode ser diferente”, conta Fred Grine, da Universidade Stony Brook. Talvez uma espécie anterior de Homo tenha surgido na África do Sul e, depois, seguido para a África Oriental. “Ou talvez tenha ocorrido o inverso.”

Berger acha que a metáfora correta para a evolução humana, em vez dos galhos de uma árvore que se bifurcam a partir de uma única raiz, seja um rio com leitos paralelos, com correntes que se dividem e cujas águas voltam a se unir mais adiante. Do mesmo modo, os vários tipos de hominídeo que viviam nas paisagens africanas devem, em algum momento, ter divergido de um antepassado comum. Depois, contudo, mais à frente no rio do tempo, esses tipos voltaram a se mesclar, e com isso nós, situados na foz dessa corrente, hoje somos feitos de um pouco da África Oriental e de outro tanto da África do Sul, assim como de toda uma história que coninua desconhecida. Pois uma coisa é certa: se ficamos sabendo a respeito de um novo hominídeo apenas porque dois exploradores calharam de ser magros o bastante para se esgueirar pela fenda de uma caverna já explorada na África do Sul, então, na verdade, a gente não tem nenhuma ideia do que ainda existe por aí no mundo.