sexta-feira, outubro 16, 2015

Dinheiro traz felicidade? Não, diz Nobel de Economia

Patrick Cruz
Veja online

Estudo publicado em 2010 por Angus Deaton, professor de Princeton vencedor do Nobel deste ano, fez correlação entre renda e índices de satisfação pessoal

 (Dominick Reuter/Reuters)
 O economista Angus Deaton durante coletiva de imprensa realizada 
nesta segunda-feira, após o anúncio de seu nome como vencedor do 
Prêmio Nobel de Economia 2015

Dinheiro traz felicidade? A pergunta, combustível para algazarrentas conversas de mesa de bar, também tem sido objeto de estudos de alguns dos cérebros mais brilhantes do mundo. O professor Angus Deaton, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, anunciado nesta segunda-feira como vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2015, é uma das mentes que já se dedicaram à questão. A conclusão do professor: dinheiro não necessariamente traz felicidade - mas a falta dele pode acentuar a angústia de quem já não anda muito animado.

Deaton escreveu sobre o tema em 2010, em parceria com Daniel Kahneman - também ele vencedor do Nobel de Economia, em 2002. No estudo publicado pela dupla, eles fizeram a correlação entre o nível de renda de diferentes estratos da população americana e uma série respostas sobre satisfação pessoal e bem-estar emocional colhidas entre 2008 e 2009 pelo Instituto Gallup. Ao longo desses dois anos, o instituto ouviu diariamente um grupo de mais de mil pessoas que moram nos Estados Unidos. Ao fim do levantamento, havia mais de 450 000 respostas para ser dissecadas.

Primeiro, escreveu Deaton, é preciso mostrar que existe diferença entre bem-estar emocional e avaliação de vida. Embora a diferença pareça ser apenas semântica, ela é fundamental para dar profundidade ao debate - e a confusão entre os conceitos é a origem de tantas pesquisas inócuas sobre o tema, afirma o professor. Bem-estar refere-se a sensações do cotidiano, como alegria, tristeza, raiva e estresse, e a avaliação de vida é a leitura "de fundo" que o indivíduo faz sobre si mesmo. "Como você estava ontem?" é uma pergunta sobre bem-estar. "No geral, você está satisfeito com a vida que leva?" trata de avaliação de vida.

Ao separar esses dois grupos de respostas e cruzar os dados com os diferentes níveis de renda, Deaton e Kahneman descobriram que pessoas que ganham bons salários aparecem com mais frequência entre as que têm uma avaliação positiva sobre suas vidas - mas não necessariamente se dizem felizes. "Nós concluímos", diz a pesquisa, "que renda alta compra satisfação de vida, mas não felicidade." O que não quer dizer que o dinheiro não seja um bom estimulante para o estado de espírito: na pesquisa, pessoas com renda muito baixa foram as que disseram com mais frequência estar insatisfeitas tanto com seu cotidiano quanto com sua vida em linhas mais gerais.

Deaton e Kahneman escreveram ainda que o grau de bem-estar é maior quanto mais alta é a renda, segundo as respostas da pesquisa, mas, a partir de uma renda de 75 mil dólares anuais (montante 25% maior que a renda per capita americana, que é de 55 mil dólares), o teor das respostas praticamente não muda. Em outras palavras: aumentar a renda indefinidamente não aumenta a felicidade indefinidamente.

O tema do estudo publicado em 2010 pode soar demasiadamente "mundano", mas isso não diminui sua relevância. Ao dar ênfase à diferenciação de dois "tipos" de felicidade, os autores ajudam a dar norte para pesquisas de amostragem sobre renda, consumo e saúde pública, por exemplo, o que pode abrir novas perspectivas para a definição de políticas públicas. "Se ambos os aspectos de bem-estar subjetivo são considerados importantes, a separação de suas medidas é uma vantagem", dizem os economistas.

Ênfase aos desiguais – 
É claro que não foi um artigo de cinco páginas, com a resposta (que não é definitiva, salientaram os autores) a uma pergunta tão prosaica, que deu ao escocês Angus Deaton o Nobel de Economia de 2015. Mas esse artigo é uma amostra dos temas abordados e também do modus operandi do professor: a valorização da voz dos indivíduos em detrimento de amostragens sem rosto, a recusa a mensurar bem-estar apenas com base exclusivamente em consumo - uma prática comum entre acadêmicos na atualidade - e o esforço de cruzar teorias e dados para encontrar onde está o ponto cego das conclusões de seus colegas.

A primeira grande contribuição de Deaton à literatura acadêmica foi a de atestar que as medidas agregadas de consumo nacional não são a previsão exata do comportamento de cada indivíduo. Embora isso soe óbvio hoje, era um tema controverso quando Deaton começou a se debruçar sobre ele, no começo da década de 70.

Ao se dedicar ao estudo da diferença entre os indivíduos - o que exige a criação de modelos mais precisos para estudar o conjunto da população -, Deaton acabou seguindo um caminho correlato: o de estudar o comportamento dos consumidores. Dessa linha de estudo surgiu o "Paradoxo de Deaton", segundo o qual o consumo varia muito lentamente, mesmo com variações bruscas de renda.

Por se debruçar sobre a identificação de desigualdades, Deaton acabou enveredando para o estudo dos mais desiguais entre os desiguais: as economias pobres e emergentes. Nessa seara, o Nobel de Economia de 2015 tem tentado entender a origem e as consequências da pobreza dos países e apontar como são imprecisos os critérios de mensuração de consumo e pobreza adotados por acadêmicos e organismos internacionais, como o Banco Mundial. A Índia tem sido um objeto de particular atenção de Deaton. Mais uma vez, não parece ser casualidade: a Índia é o país mais desigual do G-20, segundo a Organização das Nações Unidas, e um dos mais desiguais do mundo.



Robôs vão substituir maioria das profissões, diz professor

Exame.com
Rafael Carvalho, Site Na prática


Robô: não são só os trabalhos braçais, mecânicos e
 técnicos serão substituídos por máquinas, diz professor

 “O seu emprego pode não existir amanhã”. É assim que o jornalista David Baker começa sua palestra sobre o futuro do mercado de trabalho, realizada no dia 8 de outubro de 2015 em São Paulo a partir de uma parceria da The School of Life,Insper e Na Prática.

Cofundador da revista de inovação tecnológica Wired e professor senior da The School of Life, ele tem pesquisado as relações entre tecnologia e mercado de trabalho, e acredita que em breve robôs vão substituir grande parte das carreiras que conhecemos hoje.

Em qualquer fábrica de primeiro mundo, no lugar de operários agrupando peças e apertando parafusos, encontraremos diversas máquinas de última geração — isso não é surpresa para ninguém. Ao mesmo tempo, casas inteiras são construídas em poucas horas por uma impressora 3D gigante, envolvendo apenas uma ou duas pessoas no processo.

Revolução tecnológica 
Segundo David, não são só os trabalhos braçais, mecânicos e técnicos serão substituídos por máquinas e computadores. “Os engravatados também estão ameaçados”, ele brinca. Se você ocupa uma posição executiva, estratégica, criativa — os famosos trabalhos white collars — e acha que vai passar ileso pela revolução tecnológica, está errado. No vídeo abaixo, ele detalha sua visão sobre o mercado de trabalho no futuro:



Essa substituição, aliás, não é uma previsão pessimista, e sim algo que já está acontecendo. “As máquinas estão usando nosso trabalho para se tornarem boas naquilo que nós fazemos”, ele explica.

Tome como exemplo o Google: ao sinalizarmos manualmente em nossos e-mails o conteúdo que é “spam”, o programa rapidamente aprende a classificar o conteúdo indesejado de forma automática e não precisa mais de nossa ajuda. Quando sugerimos uma tradução melhor ao Google Tradutor, ela entra para o repertório do programa, tornando-o mais inteligente.

“É uma ilusão achar que algumas profissões estão seguras, como medicina, direito e jornalismo”, zomba David, ele próprio um jornalista. “Nós somos vaidosos e achamos, por exemplo, que nenhuma máquina será capaz de escrever de forma tão elegante e bonita como nós”, diz. Para ele, nenhuma máquina ainda é capaz de fazer isso. Em outras palavras, é uma questão de tempo.

Contextualizando: no site da revista Forbes, notícias sobre mercado já são redigidas em nanossegundos por um robô. Existe um software capaz de diagnosticar pacientes com câncer com muito mais acerto do que os próprios médicos. Um programa de computador acerta 7 a cada 10 decisões da Suprema Corte nos Estados Unidos. Qualquer trader do mercado financeiro sabe que computadores potentes são capazes de fazer transações mais rápidas e lucrativas do que eles próprios.
Para David, esse cenário é apenas o avanço inicial e tímido de uma curva exponencial que demonstra como os robôs vão substituir os nossos trabalhos. Ou seja, essa mudança será cada vez mais intensa e rápida.

A grande questão é: como lidar com isso?
Nessa revolução tecnológica, uma coisa é certa: pessoas vão perder seus empregos. “Nós construímos tecnologias que beneficiam o público amplo, mas ao mesmo tempo destroem mais postos de trabalho do que criam”, explica David. Para ele, esse paradoxo nos força a repensar os nossos próprios trabalhos: O que eu posso oferecer de único para a sociedade? Qual o meu propósito e como meu trabalho se relaciona com ele?

A vantagem dos robôs
“Talvez os robôs nos deem tempo livre para fazermos aquilo de que realmente gostamos e fazemos bem”, continua. Segundo ele, a primeira parcela do nosso dia a dia a ser abocanhada pelos computadores será aquela mais burocrática e com menos sentido.

“No mercado de trabalho como é hoje, grande parte das tarefas é completamente inútil. Eu escrevo um relatório para alguém, que envia esse documento para uma terceira pessoa e depois nós três vamos fazer uma reunião, enquanto uma quarta pessoa escreve uma nova versão do relatório”. Esse vai e vem de papelada seria uma das primeiras práticas a deixar de existir. Com o ganho de tempo, poderíamos exercitar nossa curiosidade e buscar aquilo que realmente amamos fazer.

Ainda assim, mesmo com tempo livre para fazer o que gostamos, ainda permanece uma preocupação: Como eu vou conseguir dinheiro se o meu emprego desaparecer?

A visão otimista é que toda a geração de riqueza criada pela automatização da produção seja distribuída com relativa igualdade por toda população. David defende que, sem a pressão de ganhar dinheiro imediatamente, as pessoas poderiam escolher melhor o que gostariam de fazer como carreira — seja atuar, abrir um negócio ou realizar escaladas.

Mais do que isso: seriam mais empreendedoras e tomariam mais riscos. “Se você é capaz de descobrir aquilo que te torna único, e percebe uma forma de entregar isso para o mundo, provavelmente alguém vai te pagar bastante dinheiro por isso”, diz. No vídeo a seguir, ele explica como se preparar para esse novo contexto:




Da mesma forma, ele não hesita em admitir que também existe uma leitura pessimista para esse cenário: um futuro assustador de desemprego e alta concentração de renda nas mãos dos detentores das tecnologias. É exatamente o destino da revolução tecnológica que está em jogo neste começo de século.

* Este artigo foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal de carreira da Fundação Estudar.

A concorrência das máquinas




São Paulo - Não é ficção científica: robôspodem e vão substituir seres humanos em diversas profissões. Mas quais são as carreiras mais ameaçadas a curto ou médio prazo?

Dois pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, tentaram responder à pergunta. Para isso, analisaram 702 ocupações e estimaram suas chances de automatização nos próximos 20 anos. 
O estudo considerou as demandas específicas de cada profissão, tais como exigência por soluções criativas, interações sociais e negociações - os pontos fracos (por enquanto) das máquinas.
O operador de telemarketing é o profissional mais ameaçado, com 99% de chances de perder seu posto.

Já o trabalho menos "robotizável" é o de assistente social na área de drogas e saúde mental, com apenas 0,3% de probabilidade de substituição.

Com base neste mesmo estudo, há previsões de que metade dos empregos da União Europeia esteja sob ameaça da tecnologia. Na China, esta parece já ser uma realidade: uma fábrica do país anunciou no mês passado que vai trocar 90% dos funcionários por robôs.

Clique nas fotos a seguir para ver as profissões mais ameaçadas pela tecnologia nas próximas duas décadas. A lista apresenta as quatro carreiras mais automatizáveis em oito áreas, tais como engenharia, direito, educação e TI.


Arquitetura e engenharia

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Cartógrafo
87,9%
Desenhista de eletroeletrônicos
80,8%
Desenhista de arquitetura
52,3%
Engenheiro de hardware
22,5%

Administração e finanças

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Contador na área de impostos
98,7%
Assistente de empréstimos
98,4%
Analista de crédito
97,9%
Analista de orçamento
93,8%


Educação e informação

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Arquivista
75,9%
Bibliotecário
64,9%
Assistente de professor
55,7%
Professor do ensino fundamental
17,4%

Matemática e computação

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Programador de computadores
48,1%
Estatístico
21,8%
Atuário
20,6%
Analista de segurança da informação
20,6%


Vendas

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Operador de telemarketing
99%
Caixa
97,1%
Vendedor de varejo
92,3%
Vendedor de seguros
91,9%

Direito

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Assistente paralegal
94,5%
Escrivão
50,2%
Auxiliar jurídico
40,9%
Juiz
40,1%


Gastronomia

Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Cozinheiro de restaurante
96,3%
Garçom
93,7%
Cozinheiro de lanchonete
82,7%
Barman
76,8%


Transporte


Profissão
Probabilidade de robotização em 20 anos
Motorista de caminhão
97,8%
Taxista
89,4%
Motorista de ônibus
88,8%
Auxiliar de estacionamento
87,4%




Punir abusos — e só os abusos: um desafio para o Facebook

 Jadyr Pavão Júnior
Veja online

"Nem sempre é possível compreender o contexto de uma postagem", diz Monika Bickert, chefe do time que pode remover conteúdos do serviço

(Dado Ruvic/Reuters) 
Símbolo Facebook 

Pouca gente chia quando o Facebook retira do ar posts com decapitações promovidas pelo Estado Islâmico ou sexo explícito. A gritaria começa quando a rede remove conteúdos que não chegam aos extremos. É o caso de uma publicação feita pelo Ministério da Cultura em abril que mostrava uma indígena brasileira como ela sempre esteve - nua (a rede apagou o conteúdo e depois voltou atrás) - e também um post do jornal Folha de S. Paulo de 2013 que ilustrava uma reportagem sobre um beijaço gay, também com seios à mostra. Nada de seios à mostra decidiu o Facebook.

O procedimento do Facebook é regido pelos chamados Padrões de Comunidade (vale a pena visitar a página), que por sua vez são regidos pela americana Monika Bickert, que esteve no Brasil na semana passada para ouvir e ser ouvida acerca do tema em um encontro com jornalistas. Ela resume desta forma a tarefa, que também diz muito sobre as controvérsias ocorridas: "É um trabalho interessante, mas desafiador."

O desafio, pela descrição de Monika, tem ao menos três razões. A primeira: a rede impõe aos mais de 1,5 bilhão de usuários espalhados pelo mundo um único conjunto de "padrões de comunidade", na prática, um documento que explica "tipos de compartilhamentos permitidos no Facebook e os tipos de conteúdos que podem ser denunciados e removidos". Isso significa que todos, a despeito de diferenças locais, estão sujeitos às mesmas normas. Por exemplo: a rede pode apagar postagens que representem uma ameaça a uma pessoa ou grupo, promovam bullying ou pornografia infantil. "Nos focamos na tarefa de manter a comunidade em segurança", diz. Críticas que não configurem ameaças diretas não provocam remoção. "Entendemos que elas fazem parte do debate público."

A segunda razão é o próprio volume de conteúdos acusados de cometer algum tipo de abuso. Segundo Monika, semanalmente, os usuários da rede fazem milhões de denúncias, apontando como impróprios textos, fotos, vídeos, páginas... O Facebook age por reação. Espalhados pelos cinco continentes, revisores (Monika não revela quantos) avaliam se as denúncias fazem sentido à luz dos "Padrões" e decidem se o conteúdo segue no ar ou não - a tarefa nada tem a ver com remoções determinadas pela Justiça. "Operamos 24 horas por dia, sete dias por semana. Não é um trabalho perfeito, mas damos duro para que tenhamos um revisor com conhecimento necessário à avaliação do conteúdo denunciado, em qualquer língua."

(Divulgação/VEJA) 
Monika Bickert, responsável pelos Padrões da Comunidade do Facebook

O terceiro (mas não menos importante) desafio diz respeito à objetividade dos revisores na lida diária. Segundo Monika, a rede redesenhou os "padrões" em março tentando evitar que conceitos pouco precisos dessem margem a interpretações pessoais por parte dos avaliadores. Assim, foram definidas situações que configuram bullying, discurso de ódio ou mesmo autoflagelação, que a rede também veda a fim de não estimular o comportamento.

Monika não faz comentários específicos sobre os episódios da indígena nua ou do beijaço gay. Prefere evocar os "padrões", que não permitem fotos exibindo órgãos genitais nem topless - os seios são liberados em alguns casos, como amamentação ou registros pós-cirúrgicos. "Existe a restrição pois essas são situações que exigiriam consentimento da pessoa em destaque nas fotos, e também para coibir a pornografia. As imagens que não se adequam completamente aos padrões, em geral, são removidas."

Mas o calcanhar de Aquiles do processo parece estar em outro ponto: "Nem sempre é possível aos revisores compreender o contexto de um post", diz Monika. É ironia? É brincadeira? É a identidade de um grupo? Como descobrir? Eis a brecha para malentendidos e, portanto, gritaria.

Antes de assumir um posto como advogada do Facebook, há cerca de três anos e meio, Monika trabalhava como procuradora do Departamento de Justiça americano. Lidava com questões ligadas a abusos contra mulheres, exploração de crianças e até terrorismo - ameaças que ela tenta manter distantes da rede também. Há dois anos, migrou para a chefia da operação dos Padrões de Comunidade. "Quando assumi a função, achava que se tratava de manter o equilíbrio entre liberdade de expressão e segurança. Minha percepção a respeito mudou. Hoje, acredito que manter a comunidade em segurança é o que ajuda as pessoas a se expressar, porque nessas condições elas realmente percebem que podem soltar sua voz."



Este pendrive pode destruir seu computador em segundos

Victor Caputo
EXAME.com 

Reprodução/Dark Purple 
Pendrive: com descarga de 220 volts, computador pode ser destruído

São Paulo – Um pesquisador de segurança virtual criou um aparelho similar a um pendrive capaz de destruir um computador em poucos segundos. Ele não faz isso usando um vírus ou qualquer tipo de malware, mas usando uma carga de energia que pode fritar o equipamento.

Depois de conectado a um computador ou notebook, o pequeno aparelho é capaz de enviar uma descarga de 220 volts. Com isso, componentes internos de um gadget podem ser destruídos.

O pesquisador usa o nome de Dark Purple. Em uma postagem em seu blog (em russo), ele explica o funcionamento do dispositivo. "O USB inicia a operação do conversor de voltagem, que carrega o capacitor de 220V”, escreve.

Depois disso, a energia que foi armazenada no capacitor é devolvida à porta USB, o que causa faz com que o computador seja danificado.

Dark Purple fez a demonstração em um vídeo, que você pode encontrar no final deste texto. Nas imagens, um IBM Thinkpad desliga poucos segundos após ser conectado ao pendrive.

De acordo com o especialista, o ataque não chegou a destruir dados presentes noHD do notebook. Por outro lado, o pendrive foi capaz de fritar a placa mãe do gadget.

Essa é a segunda versão do dispositivo criado por Dark Purple. “A principal característica da nova versão é aumentar a tensão de descarga para 220”, escreve ele em seu blog.






Painel da Samsung com tecnologia OLED cria realidade virtual

Exame.com
Giovanna Rossin, INFO Online 

Divulgação/Samsung 

O novo monitor transparente da Samsung 
poderá fazer maravilhas para a publicidade

São Paulo - Durante uma feira de exposições em Hong Kong, a Samsungapresentou um par de telas de 55 polegadas com tecnologia OLED (ou “LED orgânico”), uma transparente e outra espelhada, que podem ser usados em experiências de realidade virtual.

Segundo a marca, a combinação dos monitores OLED – a primeira desse tipo –fornece “uma plataforma de visualização digital para fazer a experiência de compra do consumidor visualmente mais atraente”.

Quando combinados com câmeras 3D RealSense da Intel, os monitores OLED criam um vestiário de “auto-modelagem”, permitindo que os consumidores experimentem virtualmente itens como roupas e acessórios a partir de uma perspectiva realista e personalizada.

O processo poderia ajudar um comprador a decidir se compra ou não um produto, por exemplo. A ideia, por ora, é essencialmente comercial, para varejo e publicidade.

Telas transparentes e espelhadas não são exatamente novas, mas eram sempre telas LCD, e com qualidade de imagem inferior.

A Samsung afirma que o "Mirror", com nível de reflectância de mais de 75% (cerca de 50% a mais que telas de LCD no mercado), poderá substituir espelhos tradicionais, inclusive dentro das casas.

A tecnologia OLED usa menos energia, cria uma imagem mais brilhante e não tem os problemas de ângulo de visão dos pixels do LCD – que, ainda por cima, consomem mais energia.

Isso porque, ao contrário das telas de cristal líquido, ela não produz a cor preta para bloquear a luz, mas faz cada diodo emitir menos luminosidade.



Você poderá interagir com hologramas em um futuro próximo

Marina Demartini
 EXAME.com

Divulgação/Digital Nature Group 
Holograma de fada: é possível tocar na figura, 
pois ela foi criada a partir de lasers de femtossegundos

São Paulo – “Me ajude Obi-Wan Kenobi. Você é a minha única esperança”. Quem é fã de Star Wars lembra muito bem dessa frase dita pelo holograma da Princesa Leia no “Episódio IV” da série. E se fosse possível tocar e interagir com essas imagens?

Pesquisadores japoneses do Digital Nature Group descobriram uma maneira desse sonho se tornar realidade. Diferentemente do holodeck fictício em Star Trek, que usou campos de força para criar uma sensação de toque, os estudiosos usaram um método diferente. Eles renderizaram gráficos em 3D usando lasers de femtossegundos.

Complicado? Nós explicamos. Um laser de alta intensidade “excita” uma matéria física para emitir luz numa posição arbitrária em 3D. Assim, um holograma pode ser criado e explorado. Por quê? Pois, o plasma induzido por um laser de femtossegundo é mais seguro do que o gerado por um laser de nanossegundo.

No vídeo de demonstração do laser, uma pessoa toca (sem se machucar) em um holograma feito de voxels (pontos de luz emitidos pelo plasma quando o foco do laser ioniza o ar). As imagens em 3D estão nos formatos de um coração, uma estrela e até mesmo uma pequena fada.

Todas os hologramas apresentados são essencialmente representações em 3D de imagens em 2D. Ou seja, objetos inanimados em diversos formatos podem ser transformados em hologramas. Ainda não é possível reproduzir imagens em 3D de seres humanos a partir de lasers. Contudo, com essa pesquisa, podemos sonhar com algo parecido no futuro.

O laser do Digital Nature Group será apresentado ao público no evento Siggraph 2015, em agosto deste ano. O holograma pode ser visto no vídeo abaixo (em inglês):




Pesquisa desvenda origem e diversidade de frutas cítricas

Exame.com
Maria Guimarães, Agência FAPESP

Getty Images 
Frutas cítricas: pesquisadores cruzaram variedades diferentes
 em busca, principalmente, de resistência a doenças

São Paulo – Quem está acostumado a consumir laranjas, tangerinas e limões à venda nos supermercados pode ter uma surpresa prazerosa no Centro de Citricultura Sylvio Moreira em Cordeirópolis, no interior paulista.

Entre pequenas árvores mantidas em estufas e um enorme pomar com plantas adultas, ali está uma coleção com mais de 1.700 tipos de frutas cítricas. Entre elas, quase 700 variedades de laranjas doces – aquelas adequadas para consumo em sucos ou in natura – e quase 300 de tangerinas.

A degustação de frutos de árvores diferentes nesse centro de pesquisa ligado ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura, revela uma riqueza surpreendente de sabores e texturas. “Todo material que a citricultura brasileira tem passou por aqui em algum momento”, resume o agrônomo Marcos Machado, pesquisador do Centro de Citricultura e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Genômica para Melhoramento de Citros (INCT Citros).

Ao longo dos 85 anos de existência do centro, pesquisadores cruzaram variedades diferentes em busca, principalmente, de produzir plantas resistentes a doenças. Partindo de cruzamentos tradicionais, quase como os que deram origem aos cítricos que chegam ao público desde a domesticação dessas espécies, o centro foi enriquecendo seu arsenal de técnicas com a disponibilidade de informações genéticas.

Até agora esse conhecimento se concentrou no uso de marcadores moleculares para caracterizar cruzamentos, avaliando quais descendentes da mistura entre duas variedades (ou espécies) receberam o material genético de interesse dos pesquisadores. Mas agora a era genômica chegou ao Centro de Citricultura, abrindo novas possibilidades.

O primeiro grande passo, que rendeu um artigo publicado em junho no site da Nature Biotechnology, trouxe revelações inesperadas sobre a origem das laranjas e tangerinas que hoje existem.

Já se sabia que as frutas cítricas não são espécies naturais, mas híbridos aprimorados por cruzamentos naturais ao longo dos últimos milhares de anos. Mas não há registros dessa história da domesticação do gênero Citrus, que começou no Sudeste da Ásia. “Sabíamos que havia misturas, mas não tínhamos detalhes”, conta o biólogo Marco Takita, um dos autores.

Uma surpresa foi descobrir que algumas tangerinas, que se precisava serem variações da espécie ancestral C. reticulata, na verdade contêm em seu genoma vários trechos de outra espécie, a toranja (C. máxima). Esta é como se fosse uma laranja enorme, com até um quilograma, explica Takita, que não é consumida por aqui.

É usada como fonte de diversidade genética em programas de melhoramento e, agora se sabe, participou nos cruzamentos que resultaram na tangerina poncã, que por seu sucesso comercial no Brasil foi sequenciada no Centro de Citricultura, com recursos do INCT Citros, que tem financiamento da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É importante saber que a toranja serviu como fonte genética”, afirma o pesquisador.



Tecnologia em coleiras e copos são atrações em feira

Exame.com
 Com informações Agência AFP

AFP / Philippe Lopez 
Aplicativo na coleira de cachorro:
a popularização dos smartphones e tablets criou 
uma indústria de produtos que usam aplicativos

De coleira que serve como smartphone com câmera de selfie para mascotes a uma espécie de "smartcopo" ("smart-cup"), que conta calorias, a Feira de Eletrônicos de Hong Kong mostra todo tipo de invenções que usam a tecnologia.

A popularização dos smartphones e tablets criou uma indústria de produtos que usam aplicativos. O interesse dos consumidores por saúde e bem-estar contribuiu para essa tendência.

O evento semestral, onde as empresas de eletrônicos mostram suas últimas invenções, atrai dezenas de milhares de consumidores. No ano passado, mais de 60 mil pessoas compareceram ao evento.

"O uso de eletrônicos relacionados à saúde parece ter um grande futuro e conseguimos observar essa tendência refletida na ampla gama de produtos sobre saúde que estão expostos aqui", conta o sub-diretor do Conselho do Desenvolvimento do Comércio de Hong Kong (HKTDC), Benjamin Chau.

"Um exemplo é a tecnologia integrada às roupas. Os fabricantes adaptaram uma variedade de aplicativos para esses produtos, que vão de uma pulseira que mede a distância da caminhada e a qualidade do sono a uma roupa de banho que quantifica as braçadas e as calorias queimadas", conta Chau.

Com a onipresença dos smartphones, muitos produtos apresentados baixam aplicativos para aproveitar ao máximo suas funções.

Outra tendência é a automatização das tarefas do lar, com máquinas que limpam ou que regam as plantas.

"A Feira de Eletrônicos ilustra esse fenômeno com uma ampla variedade de produtos para fazer a vida mais cômoda", explicou Chau.

Outros protótipos apresentados são mais lúdicos, como um robô que dança ou drones que seguem o usuário para levar as "selfies" a um outro nível.

Ao contrário de muitas outras feiras de eletrônicos na Ásia, este evento se concentra principalmente em produtos prontos para serem vendidos no mercado, apesar de haver espaço para os protótipos.

Segundo os dados da HKTDC, Hong Kong é o oitavo maior mercado do mundo e as exportações de produtos eletrônicos cresceu para 287 milhões de dólares em 2014, o que representa cerca de 61% do total das exportações da cidade.

Na feira, que estará aberta de 13 a 16 de outubro, podem ser compradas desde um copo que conta calorias a um detector da qualidade do ar.

Outras novidades são um dispositivo para nadar que conta as calorias queimadas, a distância percorrida e o tipo de braçada para optimizar o treinamento.

"O desenvolvimento tecnológico parece estar melhorando o nível de vida e a eficiência do dia-a-dia", completou Chau.



Após 500 anos, governo britânico vende sua última parte na Royal Mail

Veja online
Com informações Agência AFP

Privatização da empresa de serviços postais é a mais importante desde a era da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher

(Fox Photos/Getty Images)
 Veículo da Royal Mail, em 1929: 
empresa foi criada pelo rei Henrique VIII

O governo britânico começou nesta segunda-feira o processo para vender a última fatia que ainda detém da Royal Mail, empresa de serviços postais criada há 500 anos pelo rei Henrique VIII. A fatia remanescente do governo é de 14,1%.

As ações da Royal Mail fecharam nesta segunda-feira negociadas por 472,2 centavos de libras. Com a venda de 140 milhões de ações anunciada nesta segunda-feira, o Estado pode ganhar 660 milhões de libras (o equivalente a 3,8 bilhões de reais).

A privatização da Royal Mail, a mais importante desde a era da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, começou no final de 2013 pela iniciativa do governo conservador de David Cameron. "As condições de mercado atuais devem permitir uma venda de sucesso", afirmou nesta segunda um porta-voz do ministério de Empresas.

As origens da Royal Mail remontam aos primeiros anos da dinastia Tudor. Desde então, a empresa sempre esteve em mãos públicas. Brian Tuke foi nomeado em 1512 o primeiro "mestre de postagens", construindo para Henrique VIII uma rede postal por toda a Inglaterra.

A modernização dos meios de transporte desenvolveu o serviço e tornou a Royal Mail a empresa com mais trabalhadores do país, segundo a companhia.



Saiba qual é 'mágica' por trás de uma autêntica capa da invisibilidade

Veja online

O fenômeno acontece quando o material consegue "confundir" a luz e refleti-la em apenas uma direção, o que torna os objetos imperceptíveis ao olho humano

(Xiang Zhang group/Berkeley Lab/UC Berkeley/Divulgação)
 Ilustração que simula o manto da invisibilidade criada pelos cientistas
 da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. 
O estudo ganhou a capa da revista 'Science' desta quinta-feira (18) 

A capa da edição da prestigiada revista Science dessa semana trouxe um artigo que revela como cinco físicos americanos conseguiram criar uma microscópica, mas verdadeira, capa da invisibilidade. Após dez anos de pesquisas, o time comandado por Xiang Zhang, pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, conseguiu ocultar sob um manto ultrafino (cerca de 1.000 vezes mais fino que um fio de cabelo) objetos do tamanho de células. De acordo com os autores do estudo, esse é apenas o início: em um futuro próximo, o material poderá ter dimensões bem maiores. O princípio, segundo Zhang, poderia funcionar para ocultar objetos bem maiores - uma pessoa, talvez, como o bruxo Harry Potter que fica camuflado sob uma capa da invisibilidade nos filmes da ficção.

Mecânica do invisível – 
Pelo menos desde o início dos anos 2000, físicos de todo o mundo pesquisam uma forma de criar uma substância capaz de esconder objetos sob a luz do dia e trazer para a realidade a capa da invisibilidade. Em 2006, o físico John Pendry, do Imperial College London, no Reino Unido, formulou a teoria que poderia originar a primeira capa da invisibilidade real, em um artigo na revistaScience. Para isso, a substância capaz de tornar objetos invisíveis deve ter propriedades que não são encontradas na natureza, uma área científica conhecida como a dos metamateriais.

Em linhas gerais, a "mágica" que essas substâncias fazem é manipular as ondas luminosas para que elas não sejam captadas pelo olho humano. Para um objeto ser visível, ele recebe feixes de luz contínuos que são refletidos e espalhados em várias direções - e assim vistos pelo olho humano. Ao menos em teoria, para um objeto ser invisível, bastaria fazer os feixes refletidos seguirem um único sentido. É isso que os cientistas tentam fazer, usando dispositivos microscópicos, na escala dos milésimos de milímetro, menores que o comprimento de onda luminoso. Eles conseguem confundir as ondas de luz que, em vez de serem espalhadas, seguem uma única direção e, assim, não são captadas por nossos olhos.

As primeiras capas da invisibilidade criadas pelos cientistas guiavam a luz ao redor ou para dentro dos objetos (o que os tornavam imperceptíveis). Contudo, eram muito grandes, grossos, e difíceis de utilizar. O grande salto dado pela equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley foi criar um material ultrafino, com espessura de 80 nanômetros (um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro), coberto por minúsculos blocos de ouro. Cada um desses blocos absorve a luz e a irradia como uma pequeníssima antena. Eles foram dispostos pelos cientistas sobre o manto de maneira tal que refletem as ondas luminosas "em harmonia", em apenas uma direção.

O material foi colocado sobre objetos do tamanho de células, de 36 micrômetros por 36 micrômetros (um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro). Quando posto em ação, a capa criada pelos cientistas fez o objeto desaparecer instantaneamente.

"É um resultado grandioso", disse o engenheiro Andrea Alú, pesquisador da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, que, inicialmente, propôs esse novo tipo de capa, em um artigo complementar daScience comentando os resultados do novo estudo.

Perto da invisibilidade - 
O material ainda tem grandes limitações - só funciona para objetos microscópicos e imóveis. "Não dá para se mexer, se não ela não funciona mais", explica Zhang.

Além disso, Zeno Gaburro, físico da Universidade de Trento, na Itália, e um dos pioneiros na criação de metamateriais, afirma que os objetos ocultos sob o novo manto da invisibilidade não podem ser muito pontudos ou afiados e precisam ter um tamanho proporcional ao comprimento de onda da luz. Se não, eles farão sombras que não poderão ser "apagadas" pelo dispositivo, explica no artigo complementar daScience.

De toda forma, a nova capa foi saudada pela comunidade científica como um grande avanço. Segundo Pendry, o material pode ter múltiplos usos. Ele poderia fazer os objetos não desaparecerem, mas dar a ilusão de que tenham outras dimensões. Seria possível, por exemplo, cobrir um avião de guerra com uma capa finíssima que o fizesse parecer um avião de carga. "Talvez seja mais fácil fazer uma coisa parecer com outra. E isso seria tão bom quanto", afirma o físico na Science.

(VEJA.com/Divulgação)
 Imagem feita pelos autores do estudo da Science mostra a capa da invisibilidade 
em ação: ela esconde um objeto em formato de barras verticais.

Cientistas desenvolvem pequena capa de invisibilidade


Saiba qual é 'mágica' por trás de uma autêntica capa da invisibilidade
Aparato manipula luz, mudando como raios de luz incidem sobre um objeto.

Capa microscópica pode envolver um objeto do tamanho de células.


Cientistas criam dispositivo que funciona como 'capa da invisibilidade'


Inspirado talvez por capa de invisibilidade de Harry Potter, os cientistas desenvolveram recentemente várias maneiras-alguns simples e alguns envolvendo novas tecnologias para esconder objetos de exibição. A última esforço, desenvolvido na Universidade de Rochester, não só supera algumas das limitações dos dispositivos anteriores, mas de baixo custo, utiliza materiais prontamente disponíveis numa nova configuração.