sexta-feira, outubro 23, 2015

El Niño de 2015 deve se igualar ao mais forte já registrado

Exame.com
Com informações Agência Brasil

Reuters / NOAA 
Imagem mostra o aquecimento do oceano:
 no Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou
 que as variações climáticas registradas nas últimas semanas são resultado do El Niño

O El Niño registrado no período 2015/2016 deve se igualar ao de 1997/1998, o mais forte já identificado até o momento. O alerta é da agência espacial norte-americana (Nasa, na sigla em inglês).

O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

A Nasa informou ainda que, neste ano, os impactos do El Niño em todo o mundo serão melhor observados do espaço do que em qualquer outro ano, por meio do uso de satélites e de superprocessadores de dados.

“Nas duas últimas décadas, fizemos grande progresso em reunir e analisar dados que podem ajudar os pesquisadores a entender mais os mecanismos e os impactos globais desse fenômeno”.

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que as variações climáticas registradas nas últimas semanas são resultado do El Niño e confirmou que o fenômeno este ano está mais intenso que o normal.

Enquanto a Região Sul sofre com fortes chuvas e tempestades de granizo, moradores da região central do país buscam formas de se proteger do sol, enfrentar as altas temperaturas e a baixa umidade.




O grande salto tecnológico que pode acabar com a sede no mundo

Padraig Beltonda 
BBC News

 Image copyright Getty Image caption 
Quase 2 bilhões de pessoas viverão com escassez 
de água na próxima década, segundo a ONU

Em tempos de escassez de água em diversos Estados do Brasil, a solução para o problema poderia ser óbvia: aproveitar a abundância da água do mar para o uso comum por meio da dessalinização.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contêm 97% da água do planeta.

Mas a energia necessária para esse processo era muito custosa e, com isso, inviabilizava o uso da água do mar para esses fins.

Recentemente, porém, graças às novas tecnologias, os custos foram reduzidos à metade e enormes usinas de dessalinização estão sendo abertas ao redor do mundo.

Usinas
A maior usina dessalinizadora do planeta está em Tel Aviv (Israel) e já está sendo ampliada para alcançar seus limites máximos de produção.

Isso significa 624 milhões de litros diários de água potável. E ela pode vender mil litros (que é o consumo semanal médio de uma pessoa) por US$ 0,70 (cerca de R$ 2,71).

Outra usina de dessalinização, que fica em Ras al-Khair, na Arábia Saudita, alcançará sua produção plena em dezembro.

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A usina que será a maior do mundo, na Arábia Saudita,
 poderia produzir 1 bilhão de litros por dia

Instalada no leste da Península Arábica, ela será maior do que a de Israel e abastecerá Riad – cuja população está crescendo rapidamente – com 1 bilhão de litros por dia.

Uma usina de energia elétrica vinculada a ela pode produzir até 2,4 milhões de watts de eletricidade.
Da mesma forma, será instalada em San Diego a maior usina dessalinizadora dos Estados Unidos, que estará operando a partir de novembro.

No Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão disse no início deste ano que está analisando a possibilidade de construir uma usina dessalinizadora para abastecer até 1 milhão de pessoas no Estado.

Em São Paulo, após o agravamento da crise hídrica recente, o governador Geraldo Alckmin chegou a dizer que houve um estudo sobre o uso da dessalinização como fonte alternativa de água potável, mas que o custo inviabilizaria o processo.

A técnica já é usada na região semiárida do Brasil e em outros 150 países.

Tecnologia
O método tradicional de transformar água do mar em água potável é aquecê-la e depois recolher a água evaporada como um destilado puro.

Isso demanda uma grande quantidade de energia, mas torna-se algo factível se combinado com usinas industriais que produzem calor em seu funcionamento normal.

As novas dessalinizadoras da Arábia Saudita estão sendo construídas juntamente com usinas de energia exatamente por esse motivo.

Essa osmose reversa utiliza menos energia e deu uma nova oportunidade a uma tecnologia que existe desde os anos 1960.

Basicamente, o sistema consiste em empurrar a água salgada através de uma membrana de polímero que contém furos minúsculos, do tamanho de um quinto de nanômetro.

Esses orifícios são suficientemente pequenos para bloquear as moléculas de sal e suficientemente grandes para permitir a passagem das moléculas de água.

"Esta membrana remove completamente os sais minerais da água", explica o professor Nidal Hilal, da Universidade de Swansea, no Reino Unido.

Dessalinização
Mas essas membranas poderiam entupir facilmente, o que prejudicaria muito o desempenho do processo.

Agora, porém, existe uma tecnologia mais avançada de materiais e técnicas de tratamento prévio que fazem com que essas membranas funcionem com maior eficiência por mais tempo.

E em Israel, os designers de Sorek conseguiram poupar energia usando vasos de pressão com o dobro do tamanho.

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Mais de dois quintos de 800 milhões de pessoas 
da África vivem em regiões de "estresse hídrico"


Tecnologia alternativa
A osmose direta é uma forma alternativa de eliminar sal da água do mar, segundo o professor Nick Hankins, engenheiro químico da Universidade de Oxford.

Em vez de empurrar a água através da membrana, uma solução concentrada é utilizada para extrair o sal.

Depois, essa solução é eliminada restando apenas a água pura. "É possível separar a água do sal usando bem pouca energia", assegura o professor.

Outro método possível é a chamada dessalinização capacitiva que, basicamente, significaria ter um ímã para atrair o sal.

"Deveríamos ser capazes de dessalinizar a água usando algo entre a metade e a quinta parte da energia usada para a osmose reversa", diz Michael Stadermann, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, da Califórnia.

Essa técnica ainda está em fase de testes.

E o sal que sobra?
Um problema gerado pela dessalinização da água do mar é justamente o que fazer com o sal que sobra.

A água no Golfo Pérsico historicamente tem 35 mil partículas de sal por milhão (ppm). Mas segundo o Ministério do Meio Ambiente e da Água, algumas áreas próximas às usinas chegam a ter 50 mil ppm.

"É preciso garantir que a água muito salgada seja deslocada para um local suficientemente longe do mar para que não haja recirculação dessa água, porque, se isso acontecer, ela voltará ainda mais salgada", disse Floris van Straaten, da empresa de engenharia suíça Pöyry, que supervisiona a construção do projeto Ras al-Khair.

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Os oceanos ocupam 70% da Terra e contêm 97% da água do planeta

"Nossa usina está sendo instalada ao lado de uma usina de energia que usa a água do mar para refrigeração", diz Jessica Jones, da Poseidon Water, empresa que está construindo a usina de Carlsbad na Califórnia.

"Nosso descarregamento é misturado, mas, no momento em que ele entra no oceano, o sal já está dispersado."

Nos Estados Unidos, porém, grupos ecologistas têm lutado nos tribunais contra a construção de novas usinas de dessalinização, dizendo que as consequências da reintrodução da salmoura no mar ainda não foram estudadas o suficiente.

"E quando a água está sendo extraída do oceano, ela traz peixes e outros organismos. Isso tem um impacto ambiental e econômico", explica Wenonah Hauter, diretor da Food And Water Watch em Washington.

Preço da água
A dessalinização pode se tornar cada vez mais barata, ainda que ela seja muito cara para os países pobres – dos quais muitos sofrem com escassez de água.

Mais de dois quintos da população de 800 milhões do continente africano vivem em regiões de "estresse hídrico", o que significa viver com o fornecimento de menos de 1.700 metros cúbicos de água por pessoa.

A ONU prevê que, em 10 anos, quase 2 bilhões de pessoas viverão em regiões com escassez de água, vivendo com menos de mil metros cúbicos de água cada uma.

Tudo o que essas regiões mais precisam é de um dispositivo de dessalinização que possa abastecer cada 100 ou 200 pessoas.

A dessalinização capacitiva é uma solução em potencial, da mesma forma que a dessalinização com energia solar, cujos custos já reduziram o triplo em 15 anos.

Assim, enquanto a dessalinização já avançou enormemente nos países ricos, também é necessário que chegue às regiões pobres, que são as que mais sofrem com a falta de água.



Inmet coloca Centro-Oeste em alerta máximo para calor e seca

Exame.com
Victor Ribeiro, Agência Brasil

REUTERS / Ueslei Marcelino 
Seca em Goiás e Minas Gerais: alerta vermelho é o mais alto e 
representa risco extremo de incêndios florestais e à saúde da população

Brasília - O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu hoje (19) à tarde alerta vermelho para as regiões norte, leste e sul de Goiás, incluindo o Distrito Federal, metade sul de Tocantins, além do oeste, noroeste e norte de Minas Gerais.

Nesses locais, a umidade relativa do ar ficou abaixo de 12%.

O alerta vermelho é o mais alto e representa risco extremo de incêndios florestais e à saúde da população. Nos estados de Mato Grosso, Maranhão, Piauí, leste da Bahia e na região central de Minas, o alerta é laranja, com forte calor e a umidade variando entre 12% e 20%.

Municípios de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco seguem em alerta amarelo, com registro de índices de umidade entre 25% e 30%.

De acordo com a Defesa Civil do Distrito Federal, os moradores das regiões afetadas pela onda de seca e calor devem evitar atividades ao ar livre entre 10h e 16h.

A Defesa Civil também recomenda a ingestão de pelo menos dois litros de água por dia, o uso de umidificadores de ar, bacias com água ou toalhas molhadas em ambientes da casa, protetor solar e creme hidratante, refeições leves e cuidados especiais com crianças e idosos.

Para o Rio Grande do Sul, o Inmet lançou alerta amarelo, para o risco potencial de novas enchentes na região e de queda de árvores. O volume mais forte de chuva deve se concentrar no extremo sul do país.

O nível do Rio Guaíba, que, no sábado (17), subiu 2,94m acima do normal, o maior desde 1941, caiu para 2,71m na medição eletrônica realizada na manhã desta segunda-feira. De acordo com a Defesa Civil estadual, mais de 140 mil gaúchos já foram afetados pela chuva.

Gases do efeito estufa são os mais altos em 800 mil anos

Exame.com
Rubén Darío García Leão, Agência EFE

Getty Images 
O efeito estufa sempre existiu, mas aumenta desde a revolução industrial

Santa Cruz de Tenerife - Os níveis dos gases do efeito estufa bem misturados mais importantes, que são dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), são os mais altos dos últimos 800 mil anos, disse à Agência Efe o físico Ángel Gómez, do Observatório Atmosférico de Izaña, em Tenerife.

O estudo dos níveis dos gases do efeito estufa, que começaram no Havaí nos anos 50, é realizado também em Tenerife desde 1984, e quanto aos dados relativos a antes dessa data, são conhecidos com o estudo das borbulhas de ar apanhadas no gelo da Antártida e da Groenlândia, explicou Gómez.

O efeito estufa sempre existiu, mas aumenta desde a revolução industrial, afirmou Ángel Gómez, da Agência Estatal de Meteorologia, que acrescentou que com isso ocorre na superfície terrestre um aumento de temperatura, que é lento porque a água profunda dos oceanos demora muito para se aquecer.

Os gases do efeito estufa em Izaña são medidos todas as horas do dia e todos os dias do ano, e apesar do óxido nitroso e do hexafluoreto de enxofre (SP6) serem estudados desde 2007, o metano e o dióxido de carbono são analisados desde 1984.

Gómez explicou que o monóxido de carbono (CO) não é um gás de efeito estufa, mas influencia na química do metano, que, de modo que se houver mais do primeiro haverá algo mais do segundo.

O monóxido de carbono e o metano têm uma vida relativamente curta na atmosfera, pois o primeiro permanece nela poucos meses e o segundo cerca de nove anos, enquanto o dióxido de carbono se mantém durante centenas de anos, o óxido nitroso aproximadamente 120 e o hexafluoreto de enxofre em torno de 3,2 mil anos.

A diferença entre ambos tipos de gases é grande, pois para os primeiros é possível alcançar um equilíbrio entre emissão e destruição, em cujo caso a concentração do gás permaneceria constante na atmosfera, enquanto para os segundos a concentração do gás continua crescendo enquanto houver emissões.

Isto explica por que as concentrações medidas em Izaña sempre crescem para dióxido de carbono, óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre, enquanto a concentração de metano teve períodos de não crescimento, e a de monóxido de carbono inclusive de queda.

O especialista indicou que o impacto das emissões dos gases em certo instante do futuro é quantificada mediante o Potencial de mudança da Temperatura Global (GTP), que se baseia na mudança da Temperatura Superficial Global Média (GMST) provocada por ditas emissões para horizontes temporários utilizando como referência o que provoca o dióxido de carbono.

O GTP a um horizonte de dez anos para as emissões presentes de metano é quase igual ao provocado pelas emissões de dióxido de carbono, mas é pouco mais da metade para um horizonte de 20 anos, e desprezível para um horizonte de cem anos, já que o metano emitido cem anos antes quase terá sido destruído.

No entanto, o GTP para as emissões presentes de óxido nitroso permanece constante nesses horizontes temporários, pois sua vida média é longa e parecida com a do dióxido de carbono.

Os valores médios da atmosfera de fundo medidos em Izaña durante 2014 mostraram que por cada milhão de moléculas na atmosfera, 398,6 partículas eram de dióxido de carbono, 1,86 de metano, 0,3277 de óxido nitroso, 0,00000842 de hexafluoreto de enxofre e 0,0923 de monóxido de carbono.

O crescimento anual médio de dióxido de carbono da última década foi de 2,1 partículas por milhão ao ano, enquanto o aumento de óxido nitroso foi de 0,00089 e do hexafluoreto de enxofre de 0,00000030.

O vapor de água (H2Ou) também é um gás de efeito estufa importante, mas sua concentração na atmosfera varia muitíssimo de um lugar para outro e também em altura, pois é determinado por emissões procedentes da evaporação de água líquida em oceanos, lagos e rios, evapotranspiração das plantas e do solo.

A concentração depende de fatores meteorológicos complexos como temperatura, vento, localização das borrascas e anticiclones.

Este gás desaparece da atmosfera mediante sua condensação em forma de água líquida em nuvens, que é devolvida à superfície terrestre como chuva.

Por isso, o impacto do vapor de água no aumento do efeito estufa se leva em conta em forma de retroalimentação: o aumento dos gases do efeito estufa bem misturados, aumenta a temperatura da baixa atmosfera, e este aumento de temperatura permite que uma maior quantidade de vapor de água possa permanecer na atmosfera.




El Niño provoca chuvas no Sul e calor em outras regiões

Exame.com
Ivan Richard, Agência Brasil

Wilson Dias/Agência Brasil 
Brasília: Na capital, a onda de calor
 fez com que os termômetros chegassem a 41ºC

Brasília - Enquanto moradores de cidades dos estados da Região Sul do país, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, sofrem com as fortes chuvas e tempestades de grazino, os habitantes das demais regiões buscam formas de se proteger do sol, enfrentar as altas temperaturas e a baixa umidade.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a “culpa” dessa variação climática no país é do El Niño, que este ano está mais intenso do que o normal.

“O maior vilão é o El Niño, que está provocando essa intempérie do tempo e do clima. Ele está segurando essa frente fria mais para o Sul e o Sudeste e, na região central, ao não chover, a massa de ar seca começa a se intensificar, provocando a baixa umidade relativa do ar e temperaturas mais altas”, explicou o meteorologista do Inmet Mamedes Luiz Melo.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Essa mudança de temperatura, disse Melo, provoca uma modificação da circulação geral da atmosfera. No Brasil, o fenômeno se caracteriza por chuvas mais intensas nas regiões Sul e Sudeste e tempo mais seco nas regiões Norte e Nordeste.

“Como o El Niño está muito intenso, a região central do país também está sendo afetada. Normalmente, ele começa a aparecer em novembro, tendo seu pico em dezembro. Este ano, já começou a provocar as anomalias das águas desde maio”, explicou o meteorologista.

Previsão
A meteorologia não tem boas notícia para os moradores dos estados da Região Sul, que têm tido prejuízos em virtude do mau tempo.

A previsão é que a ocorrência de chuvas fortes continue. No Rio Grande do Sul, por exemplo, subiu para 100 o total de municípios atingidos pelas chuvas.

“No Sul do país as essas chuvas deverão continuar em dezembro, janeiro e fevereiro para depois diminuir, quando se espera que as temperaturas do Pacífico voltem ao normal”, disse Melo.

Já para a Região Sudeste, a previsão que as chuvas fiquem dentro da média para o período, exceto no sul de São Paulo, onde o volume de chuvas deve ficar “ligeiramente acima da média”.

Na Região Centro-Oeste as altas temperaturas e a baixa umidade devem continuar pelo menos por mais dez dia. “Há uma probabilidade que depois do dia 25 de outubro possa voltar a chover na região central do país”, afirmou o meteorologista.

De acordo com o Inmet, a previsão de baixa ocorrência de chuvas deixa a situação crítica na Região Nordeste, especialmente no sertão nordestino, tradicionalmente castigado pela estiagem prolongada.

O meteorologista do Inmet explicou que existem dois períodos chuvosos na região: de fevereiro a maio e de maio até agosto e que, por conta dos efeitos do El Niño, o regime de chuvas deverá ser ainda mais afetado.

Com isso, a previsão é que a segunda estação chuvosa na região fiquei abaixo da média. “A situação que já é ruim deve se complicar. Pelo menos de outubro até dezembro a previsão é que a ocorrência de chuvas fique ligeiramente abaixo da média”.

Para a Região Norte, que também já enfrenta altas temperaturas, a previsão é de manutenção do quadro atual. “No norte da Região Norte do país também vai ficar mais seco até dezembro e mais ao centro também ficará abaixo da média”.



O que é o 5G e como ele vai mudar a sua vida

Victor Caputo
 EXAME.com 

AntonioGuillem 
Smartphone: rede 5G deve chegar apenas em 2020 com alta velocidade

São Paulo – A Ericsson anunciou que irá fazer testes com rede 5G no Brasil a partir de 2016. Mas o que exatamente é o 5G e como ele pode mudar a sua vida?

Apesar dos testes, a rede 5G ainda deve demorar um pouco para se tornar realidade—a previsão é que isso aconteça lá para 2020. O 4G, diga-se de passagem, chegou a pouco tempo no Brasil. Mesmo mundialmente, a tecnologia não é tão antiga assim.

Veja a seguir um guia explicando os detalhes da rede e os impactos que deve causar.

O que é 5G?

O 5G será a próxima geração de conexão móvel sem fio—será a quinta geração, por isso o nome 5G. A rede poderá ser usada para troca de dados, assim como usamos hoje, em maior parte, o 3G e o 4G.

A evolução permitirá atingir uma velocidade maior em dispositivos pessoais como tablets e smartphones. Mas as grandes promessas sobre o 5G vão além desse tipo de uso.

A expectativa é que o 5G traga a estrutura necessária para que a internet das coisas seja uma realidade no mundo.

Esse conceito prevê dispositivos conectados se comunicando entre si—como uma geladeira que avisa quando estiver sem comida ou um sistema inteligente de casa que prevê quando a pessoa estiver voltando do trabalho.

Getty Images

 O que muda em relação ao 4G?


A próxima geração deve trazer algumas mudanças em relação ao 4G. As melhoras são técnicas, mas importantes. As pesquisas na área têm como objetivo atingir três patamares.

Maior velocidade: Em teoria, a rede 4G é capaz de atingir velocidade de um gigabit por segundo—não que você chegue perto disso quando usa a conexão no seu celular. Com o 5G, o objetivo é atingir velocidade máxima dez vezes maior, chegando a 10 Gbps.

Menor latência: Latência é o tempo necessário entre a estimulação e o funcionamento real da rede. A meta é atingir uma latência de apenas 1 milissegundo com o 5G—a rede 4G tem latência de 50 milissegundos.

Maior eficiência: As pesquisas visam atingir um nível de eficiência energética mais alta. Isso é importante dentro da ideia de internet das coisas. Bateria de objetos não podem ser substituídas ou recarregadas com frequência em alguns casos. Aparentemente, a rede será 90% mais eficiente do que a 4G.

O que o 5G possibilitará?

Além de permitir navegação em alta velocidade na rede, com vídeos de alta qualidade (até com resolução 4K) carregando quase instantaneamente, a rede 5G traz outras mudanças importantes.

Ela fará com que a internet das coisas seja possível. A chegada de dispositivos conectados criará demanda por rede de alta capacidade. Estima-se que o 5G permita a conexão de 7 trilhões de dispositivos—assim, cada pessoa no mundo poderá ter mil objetos conectados.

A partir daqui, veremos grandes inovações ao longo dos próximos anos. Com a internet das coisas veremos novidades como carros conectados (e até autônomos) e casas inteligentes.

Ambientes urbanos devem mudar bastante ao longo da próxima década. Soluções conectadas ajudarão na análise de tráfego, fornecimento de água, além de outras inúmeras possibilidades.

Em linhas gerais, a rede 5G trará inovações muito além das telecomunicações. “Ao conectar pessoas, máquinas e coisas em escala maciça se facilita a entrega de cuidados de saúde personalizados, se otimiza transporte e logística, se melhora acesso a cultura e educação e talvez se revolucione serviços públicos”, escreveu a União Europeia em um documento sobre o assunto.

O 5G estaria disponível não somente para smartphones e tablets, mas também para carros, hospitais, casas, entre outros.

Quando o 5G chega?

Como dito, o 5G não deve chegar tão cedo assim até os usuários. Tradicionalmente, as gerações de dados em telecom mudam a cada dez anos. Especialistas acreditam que o 5G deve começar a tomar corpo na sociedade lá por 2020.

No momento, entidades, empresas e órgão internacionais estão debatendo e definido padrões para o 5G. Definidos os padrões, governos ao redor do mundo deve trabalhar para que seja possível implementar a rede.

Depois disso, empresas devem começar a oferecer o serviço e também produtos preparados para o 5G. Enfim, é uma evolução de longo prazo.


Vai custar caro?

Bem, nenhuma tecnologia nova é lá muito barata. Mas tem sido consenso entre empresas que o valor cobrado pelo 5G não pode ser astronômico. A ideia é que ele fique perto do que é cobrado por um plano 4G.

Publicamos recentemente uma entrevista com o CIO da Ericsson, Anders Thulin, uma das empresas envolvidas no desenvolvimento do 5G. Na leitura dele, é importante que a tecnologia seja acessível e tenha uma boa cobertura, para que seja um sucesso.

5G será base para que internet das coisas vire realidade





Trailer de "Star Wars: O Despertar da Força" é lançado

Exame.com
Com informações Agência EFE

Divulgação 
Cartaz do novo filme da saga Star Wars: a estreia do trailer, anunciado 
por Lucas Films, se produz após a apresentação do cartaz oficial do 
filme e o início da pré-venda dos ingressos

Madri - O trailer do Episódio VII de "Star Wars. O Despertar da Força", dirigido por J.J. Abrams, que terá estreia mundial em 18 de dezembro, foi lançado nesta terça-feira.

A Disney desvelou o trailer da saga intergaláctica na emissora esportiva "ESPN", durante o intervalo de um jogo de futebol americano, e, assim como no cartaz oficial do filme, Luke Skywalker não aparece.

Com dois minutos e 35 segundos de duração, o vídeo inundou imediatamente as redes sociais.

"Episódio VII" tem no elenco Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong'o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Max Von Sydow.

Os personagens de Rei e Finn, interpretados por Daisy Ridley e John Boyega, respectivamente, parecem ser os centrais desta nova entrega de "Star Wars", sugere o trailer.

Kathleen Kennedy, J.J. Abrams e Bryan Burk são os produtoresd do longa, Jason McGatlin o produtor executivo, e o roteiro é de J.J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Arndt.

A estreia do trailer, anunciado por Lucas Films, se produz após a apresentação do cartaz oficial do filme e o início da pré-venda, ontem, dos ingressos para a estreia.





YouTube quer que você pague para ver seus novos vídeos

Marina Demartini
EXAME.com 

Tristan Fewings/Getty Images 
YouTube: o serviço pago custará, provavelmente, 10 dólares por mês

São Paulo – O YouTube deve anunciar nesta quarta-feira (21) um serviço exclusivo de vídeos disponível apenas para assinantes pagos, de acordo com o site Recode. O preço da assinatura seria de dez dólares mensais, segundo o site  The Verge.

Quem pagar pelo serviço poderá assistir a vídeos sem propaganda e em modo offline – algo parecido ao que o Spotify já oferece para seus usuários com conta premium. Os assinantes também serão capazes de assistir vídeos que foram “escondidos” por seus criadores.

O YouTube disse no ano passado que estava financiando novos conteúdos de alguns dos seus principais talentos – pessoas que já fazem sucesso no site. Fontes do site Recode revelaram que essa ideia está conectada com o serviço pago e que os criadores receberiam 55% das receitas das assinaturas.

Empresas de comunicação dos Estados Unidos já se inscreveram para produzir conteúdo para o YouTube. Algumas delas são a Fox Sports, a 21st Century Fox e a NBCUniversal. A Disney também estaria em negociações com o site.

Os usuários que não quiserem fazer a assinatura ainda poderão utilizar a versão gratuita do YouTube. Todos os vídeos que aparecem no site não-pago estarão disponíveis para os assinantes do serviço pago.

Aliás, é por isso que o YouTube insiste que todos os criadores de vídeos, que têm como renda os anúncios, participem do serviço pago, segundo informações do site Recode.

O YouTube ainda não anunciou quando os usuários poderão fazer as assinaturas para ver a nova programação. Sites especializados, no entanto, relatam que o sistema pago ainda não está totalmente pronto, por isso, estará disponível apenas em 2016.



11 fatos científicos que parecem mais ficção

Exame.com
Eliza Sankar Gorton, Brasil Post


Curiosidades científicas

Hoje em dia é difícil distinguir a ciência da ficção científica — estamos fazendo jardinagem no espaço, os carros estão andando sozinhos e capas invisíveis são reais (pelo menos, no nível molecular).

Se você tem tido problemas em diferenciar fatos do que é ficção, pode ser que não goste do que vai ler.

Os fatos abaixo, publicados no livro 1,227 Quite Interesting Facts to Blow Your Socks Off (Algo como: 1.227 fatos muito interessantes que vão te deixar boquiaberto), quase parecem inventados.

Suas pitadas de conhecimento cobrem tudo, desde ossos corpos até nosso planeta. Vai ser difícil acreditar, mas são 100% verdadeiros.

1. O cérebro humano processa 11 milhões de bits de informação por segundo, mas só tem consciência de 40

2. Se você perfurasse um túnel em linha reta através da Terra e entrasse nele, levaria exatamente 42 minutos e 12 segundos para chegar ao outro lado

3. Uma nuvem do tipo cúmulo — as que têm contornos nítidos e formadas em baixas altitudes — de tamanho médio pesa aproximadamente o mesmo que 80 elefantes

4. Um único raio contém energia suficiente para tostar 100 mil fatias de pão.

5. Gorilas e batatas têm dois cromossomos a mais do que os seres humanos

6. A saliva humana contém um analgésico chamado opiorfina, que é seis vezes mais poderoso do que a morfina.

7. Em um tempo de vida médio, a pele humana se renova completamente 900 vezes.

8. O ar em uma sala de tamanho médio pesa cerca de 45 quilos.

10. Um glóbulo vermelho pode percorrer seu corpo inteiro em 20 segundos.

11. As criaturas mais fortes na Terra são as bactérias da gonorreia. Elas são capazes de levantar uma carga 100 mil vezes superior ao seu próprio peso.




Nike imita filme e cria tênis que se amarram sozinhos

Lucas Agrela
EXAME.com 

Divulgação/Nike 
Nike Air Mags: tênis têm cadarços automáticos

São Paulo – Inspirada no filme De Volta Para o Futuro parte II (1989), a Nike anunciou nesta semana a criação dos tênis que se amarram sozinhos, como os que o protagonista Marty McFly (Michael J. Fox) usa ao chegar a 2015 – futuro à época.

Chamados Air Mags, os calçados tem o mesmo visual do visto na obra de Robert Zemeckis e irão a leilão em 2016 para arrecadar fundos para a Fundação Michael J. Fox, que busca avanços científicos no tratamento do Mal de Parkinson.

Sobre o funcionamento da tecnologia dos Air Mags, a Nike falou muito pouco. A empresa informou que utiliza "um sistema individualmente responsivo que percebe o movimento do usuário para oferecer conforto adaptativo sob demanda. Mas essa é só a primeira interação".

Em 2011, a Nike lançou uma campanha com Christopher Lloyd em que apresentou os Air Mags, mas eles ainda não tinham os cadarços automáticos. Eles foram vendidos em quantidade limitada.

A fundação informou que pretende arrecadar mais com os novos Airs Mags do que em 2011, quando obteve 9,4 milhões de dólares. A expectativa é que esse dinheiro contribua para eliminar o Mal de Parkinson. 

Confira abaixo um trecho do programa de TV Jimmy Kimmel Live, em que Michael J. Fox demonstrou os tênis high tech inspirados em De Volta Para o Futuro parte II. 






Engenheiro cria martelo de Thor que apenas ele pode levantar

Marina Demartini
EXAME.com 

Facebook/Marvel 
Mjolnir: a réplica do martelo de Thor é pesada devido ao eletromagnetismo

São Paulo – O engenheiro elétrico Allen Pan recriou o objeto mais desejado pelos fãs de quadrinhos e filmes do personagem Thor: o martelo Mjolnir. Na mitologia nórdica, o objeto é tão pesado que apenas Thor, com sua força descomunal e seu cinto (megingjard), consegue movê-lo.

Para ter o mesmo poder do deus do trovão, Pan construiu e programou o martelo para responder apenas ao toque de seu criador. Como? Usando sensores de impressão digital e o eletromagnetismo.

Sendo mais específico, o engenheiro colocou dentro do objeto um transformador de micro-ondas com um eletroímã, que usa energia elétrica para produzir um campo magnético. Isso cria uma atração magnética tão forte com superfícies de metal, que o martelo fica extremamente pesado. 

O braço do Mjolnir é ligado a um sensor de toque capacitivo que serve como um aparelho de comutação. Desse modo, quando alguém agarra o punho, os eletromagnetos se unem e o martelo “gruda” na superfície de metal.

Para desligar este campo magnético e ser o único capaz a levantar o martelo, Pan colocou um sensor de impressões digitais que reconhece apenas as suas digitais. Assim, quando ele encosta o dedo no sensor, que está localizado no braço do martelo, o campo se dissipa e permite que o engenheiro levante o objeto.

Conhecido por seu canal do YouTube, o Suficciently Advanced, Pan decidiu gravar um vídeo com a réplica na praia de Venice, na Califórnia. Ele colocou o martelo sobre uma superfície de metal e pediu para que as pessoas tentassem levantar o objeto.

As cenas dos indivíduos se esforçando para tirar o objeto do local são, no mínimo, engraçadas. Para entender como o martelo foi feito e ver a brincadeira de Pan, clique no vídeo (em inglês) abaixo:






Veja o material mais leve do mundo, formado por 99,99% de ar

Marina Demartini
EXAME.com 

Divulgação/Boeing 
Super leve: o metal é 100 vezes mais leve que o isopor

São Paulo – A Boeing publicou um vídeo em que mostra um material criado pela empresa, o microlattice. Feito a partir do metal, ele é 100 vezes mais leve do que o isopor e 99,99% de sua composição é ar.

“É uma estrutura 3D de polímero de células abertas, podendo ser comparado à estrutura de um osso”, explica Sophia Yang, cientista do laboratório HRL (uma joint venture da Boeing), no vídeo (que está disponível no final deste texto).

Segundo a cientista, a estrutura do osso humano parece rígida, mas sua parte interna é porosa e composta por células abertas. “Desse modo, elas não são esmagadas facilmente e, ainda, são leves”, completou.

O metal foi criado, principalmente, para o uso em componentes estruturais de aeronaves. Os engenheiros do Boeing pretendem aplicar o material em locais como as paredes internas de aeronaves, assim como os bagageiros.

Além disso, “no futuro, o material poderá ajudar a Boeing a reduzir muito o peso [de aeronaves] de modo a tornar o consumo de combustível mais eficiente”, disse Yang.

A primeira vez que o microlattice ficou conhecido foi em novembro de 2011. Nessa época, ele foi nomeado como uma das 10 melhores inovações de 2012 pela revista especializada Popular Mechanics.

O vídeo abaixo (em inglês com legendas em português) explica do que é feito o material e como pode ser utilizado:







Ciência descobre por quanto tempo permanecemos conscientes após a morte

History Brasil



Uma equipe de cientistas da Universidade de Southampton afirma ter descoberto por quanto tempo continua funcionando a consciência humana após a morte clínica.

Trata-se de um estudo realizado em grande escala, no qual participaram mais de 2 mil pessoas que já atravessaram a instância da morte clínica. Os resultados indicam que mais de 40% dos entrevistados estiveram conscientes durante todo o tempo em que estavam supostamente mortas.

Os cientistas conseguiram descobrir que, embora a pessoa esteja clinicamente morta, sua consciência continua funcionando em um intervalo que pode variar de 2 a 3 minutos. De todos os participantes do experimento, cerca de 150 foram capazes de lembrar as técnicas e os tratamentos de emergência que receberam para ser revividos.

Outros 330 participantes afirmaram ter regressado à vida após a morte clínica sem a ajuda dos médicos. Todos eles disseram ter atravessado a linha da morte tão claramente conscientes quanto estavam em vida.

Assista ao vídeo abaixo e veja Fred, O Infiltrado, por dentro do universo da morte. Confirma como foi sua aventura nesse mundo desconhecido por muitos. Assista:








13 perguntas sobre o cérebro que a ciência já respondeu

Saulo Pereira Guimarães 
EXAME.com 

Artem Chernyshevych / SXC

São Paulo - O que é o cérebro? O que ele faz? Qual é sua aparência e quando ele começa a surgir? A ciência já tem respostas para essa e outras perguntas. Sobre o tema, EXAME.com conversou com Luís Otávio Sales Ferreira Caboclo, médico ligado à Academia Brasileira de Neurologia. Veja o que ele revelou sobre o órgão.

O que faz o cérebro?

Pensar, falar, lembrar: tudo isso depende do cérebro. Ele controla todos os nossos atos, voluntários ou não. De acordo com Caboclo, o órgão é responsável por processar as informações recebidas por meio de nossos sentidos e controlar o funcionamento das outras partes do corpo - como pulmões e coração.

Como é o cérebro?

Segundo Caboclo, parece uma noz. É cheio de giros e sulcos em sua superfície. "A consistência é relativamente macia", diz o médico. Segundo ele, o cérebro de uma pessoa de 70 quilos pesa aproximadamente 1,5 quilo.

Quando surge o cérebro?

Seu querido cérebro começou a ser formado nas suas primeiras semanas de gestação. De acordo com Caboclo, o órgão começa a se desenvolver nessa época e continua fazendo isso por toda a gravidez.

O cérebro já nasce pronto?

Não. Segundo Caboclo, a formação das sinapses (conexões entre os neurônios) continua por toda infância e começo da adolescência. E há partes que demoram a ficar prontas. "Em algumas regiões do cérebro (como nos hipocampos, que desempenham funções importantes de memória), ocorre nascimento de novos neurônios mesmo em adultos", afirma o médico.

Tamanho é documento?

Quando o assunto é cérebro, essa regra não vale. Segundo Caboclo, não há nada que prove que o tamanho do cérebro de alguém é diretamente proporcional à sua capacidade de raciocínio ou qualquer outro atributo.

Do que é feito o cérebro? 


Grande parte do seu cérebro é composta de neurônios. De acordo com Caboclo, essas células são responsáveis pelas funções mais importantes do sistema nervoso. Mas há outros tipos de célula no cérebro que participam de processos metabólicos e de nutrição – além de serem responsáveis por manter a estrutura do órgão.

O número de neurônios influencia?

Esqueça aquela história de Tico e Teco. Até porque, segundo Caboclo, pessoas que nascem com cérebros normais têm o mesmo número de neurônios. Além disso, o médico explica que não parece haver qualquer relação entre o número de neurônios e o funcionamento do cérebro. Entretanto, ele lembra que algumas doenças provocam a morte dessas células - o que resulta na perda de funções específicas dependendo da área afetada e do grau de perda. 

Dá para queimar os neurônios?

Sim. Caboclo afirma que a perda de neurônios (ou morte neuronal) pode ter várias causas. "Dentre elas, o uso abusivo de álcool ou de outras drogas", alerta o médico.

Como treinar seu cérebro?

"Qualquer atividade, quando repetida muitas vezes, tem o potencial de tornar o cérebro mais eficiente no desempenho dessa atividade específica", afirma Caboclo. Ele cita o exemplo de um estudo com violinistas que constatou aumento na área do cérebro deles responsável pela motricidade dos dedos da mão esquerda, que é a mais exigida para tocar o instrumento em músicos destros.

Só usamos 10% mesmo?

Raul Seixas estava errado: não usamos só 10% de nossa cabeça animal. "Na verdade, não é possível determinar de forma apropriada qual a porcentagem da capacidade do cérebro que está sendo usada num determinado momento. Mesmo porque não é sequer possível determinar qual seria a capacidade 100%", explica ele. Mito!

Que tipos de doença afetam o cérebro?


Vários. Segundo Caboclo, problemas genéticos, degenerativos, vasculares, inflamatórios, infecciosos, tumorais, traumáticos, metabólicos e nutricionais podem afetar o cérebro. Além deles, há ainda as doenças causadas por drogas ou toxinas. E o tratamento para cada uma delas depende diretamente do tipo e da causa.

O que é a morte cerebral?

Você já deve ter ouvido falar nela, então é bom saber o que é. Segundo Caboclo, a morte cerebral (ou morte encefálica, que é o termo mais correto) "consiste na perda de todas as funções do encéfalo, ou seja, do cérebro propriamente dito". Basicamente, a pessoa perde a capacidade de se relacionar com o mundo à sua volta. Bem tenso.

Existe transplante de cérebro?

"Não existe e nunca existirá!", afirma Caboclo. Ele explica que um transplante desse tipo é impossível em função da complexidade das conexões nervosas. E mesmo que fosse possível, transplantar seu cérebro para outra pessoa seria como colocar você em outro corpo. Topa?




5 questões 'simples' que a ciência ainda não explicou

Discovery

1 | 5 - Como o magnetismo funciona?

Crédito da imagem: Clatre Cordler/Getty Images 

O magnetismo é bastante conhecido por nós e você provavelmente já o estudou na escola, mas ele ainda é um mistério para a ciência de muitas maneiras. Não temos uma explicação razoável, por exemplo, por que partículas carregadas com eletricidade criam um campo magnético forte o suficiente para afastar coisas fisicamente delas? Ou então, quando o fazem, por que exatamente elas se alinham em dois polos, norte e sul? A questão é tão complicada que o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) tem um laboratório inteiro dedicado a pesquisar o magnetismo. Nós sabemos que ele existe e temos uma boa ideia do que ocorre, o suficiente para usarmos isso em nosso benefício. Mas o fato é que o fenômeno ainda não é totalmente compreendido por nós.

2 | 5 Por que girafas têm pescoço longo?

Crédito da imagem: Ann & Steve Toon/Getty Images

 Você já deve ter ouvido falar que existiam girafas de pescoço curto e girafas de pescoço longo, e a evolução fez com que apenas as girafas de pescoço longo sobrevivessem e se tornassem o animal mais alto do planeta. Mas a verdade é que pescoços longos não oferecem quase nenhuma vantagem às girafas, porque elas se importam mais com o tipo de folha que comem do que com a altura que ela está. Por isso, não há um consenso sobre o que teria de fato influenciado que esses animais evoluíssem com pescoços longos. De fato, o pescoço longo é uma desvantagem em muitas situações. A girafa precisa afastar as pernas da frente e abaixar lentamente para conseguir beber água, por exemplo. Ela também costuma dormir de pé, já que demoraria muito para levantar com seu longo e grande corpo, caso um predador apareça. Até hoje, não há uma explicação satisfatória para o longo pescoço das girafas.

3 | 5 Como pássaros migram?

Crédito da imagem: Johann Schumacher/Getty Images

 Sabemos que os pássaros migram para botar seus ovos ou para escapar de climas desfavoráveis, procurando um ambiente seguro para a reprodução. Mas ninguém explica exatamente como eles fazem isso. Imagine só: um cuco viaja milhares de quilômetros para depositar seus ovos nos ninhos de outras aves (o cuco é uma espécie de “parasita social”) e depois voa de volta para sua terra natal. Quando seus filhotes crescem, voam de volta para a região de sua mãe, sem ajuda de ninguém. Incrível, não? Os cientistas acreditam que os pássaros possuam algum tipo de bússola interna baseada nas estrelas e no campo magnético da Terra. O problema é que uma bússola pode apenas guiá-lo para uma direção, mas não pode dizê-lo onde exatamente parar.

4 | 5 Como exatamente funciona a gravidade?

Crédito da imagem: Tara Moore/Getty Images

Isaac Newton estudou a gravidade há mais de 350 anos, mas até hoje ela ainda é um mistério em muitos sentidos. Para se ter ideia, conhecemos a partícula mediadora de três das quatro forças fundamentais do universo: eletromagnetismo, força nuclear fraca, força forte. Só não sabemos a da gravidade. Acredita-se que o graviton seja essa partícula, mas ainda estamos longe de comprovar essa hipótese. Outro ponto interessante sobre a gravidade é que ela é, de longe, a mais fraca das quatro forças fundamentais. Pense que basta um pequeno pulo para que você consiga vencer, por um segundo, toda a força gravitacional que o planeta exerce sobre você. Isso tudo torna a gravidade ainda mais interessante e difícil de ser estudada em laboratório.

5 | 5 O que são os sonhos?

Crédito da imagem: R. Nelson/Getty Images

 Todos nós sonhamos todas as noites, mesmo que você não se lembre. O que torna os sonhos algo bastante comum em nossas vidas, mas ainda assim muito misterioso. Apesar de todos os esforços dos cientistas modernos, até hoje não sabemos exatamente porque nosso cérebro decide projetar imagens malucas durante a noite. Há quem diga que são apenas imagens aleatórias sem nenhum propósito, enquanto outros acreditam que os sonhos tenham um significado profundo. Mas são apenas chutes. O que quase todos os cientistas concordam, no entanto, é que eles podem revelar muito sobre coisas que estão no fundo da nossa psique.

Descobertas arqueológicas apontam civilizações pré-históricas com tecnologia de ponta como a nossa

History Brasil



Incríveis descobertas arqueológicas indicariam que há milhares, ou até milhões de anos, existiram em nosso planeta civilizações com uma tecnologia tão avançada quanto a nossa. Será que as invenções da sociedade moderna foram, na verdade, reinvenções? 

Em 1938, nos arredores de Bagdá, no Iraque, o arqueólogo Wilhelm Konig encontrou barras de ferro datadas de 2 mil anos e capazes de gerar energia elétrica. A potência dessas “baterias” antigas era de mais de um volt, mesmo valor proporcionado por uma pilha alcalina. 

Mais de 1.700 anos antes da invenção do sismógrafo, na China, um instrumento criado pelo cientista Zhang Heng conseguiu captar um terremoto ocorrido a 480 km de distância. Essa invenção, conhecida como sismoscópio, surpreende por sua precisão e também por sua beleza (trata-se de um belo vaso com animais esculpidos em bronze). Mas seu modo de funcionamento permanece, até os dias de hoje, um enigma. 

No Gabão, na África, mais exatamente na região de Oklo, há um grande reator nuclear de 1,8 milhão de anos de idade. Embora se acredite que ele tenha sido formado naturalmente, muitos cientistas afirmam que isso é impossível, pois as condições para o funcionamento de uma instalação desse tipo são muito precisas para terem sido obra da natureza.

Como era a Antártida antes de estar coberta de gelo? A resposta parece estar em um mapa de 1513, feito pelo cartógrafo Piri Reis, com base em mapas antigos. Nele, é possível ver uma porção de terra ligada à América do Sul, que corresponde, provavelmente, ao litoral da Antártida em períodos pré-históricos. 

Nas minas de Ottosdal, na África do Sul, foram encontradas misteriosas esferas de um material muito resistente, com riscos na superfície. Os especialistas acreditam se tratar de formações naturais, porém não entendem como elas chegaram a ter essa configuração particular. Isso sugere que, na verdade, foram feitas por seres “inteligentes”, que teriam habitado a Terra há 2,8 milhões de anos. 

Esse não é o primeiro caso de povos super avançados que podem ter vivido em tempos passados. Assista ao vídeo abaixo e conheça mais um caso como esse:







Conheça os incríveis cadáveres que não se decompõem

History Brasil

Crédito da Imagem: Andrea Izzotti - Shuttersock.com


Em março de 2014, uma equipe de arqueólogos descobriu, enquanto realizava escavações no Convento dos Jacobinos, em Rennes, na França, os restos de Louise de Quengo, um corpo de 1,45 metro e 359 anos de idade perfeitamente conservado, com pele, músculos e até órgãos intactos. Embora pareça estranho, não é o primeiro caso de um cadáver encontrado em estado de conservação extraordinário. Apesar de alguns considerarem essa mumificação natural como um milagre, a ciência tem sua explicação para esse fenômeno.

A também chamada “mumificação espontânea” pode acontecer devido a uma série de fatores, como a sequidão do ambiente, a ausência de insetos, a falta de gordura no corpo e a existência de um processo interno capaz de destruir as bactérias, o que gera um processo de dissecação natural, que impede a putrefação e a decomposição do cadáver. Outra causa da mumificação é o fato de o corpo estar em um ambiente de umidade estéril; é quando acontece o fenômeno da adipocere, ou cera cadavérica, que, primeiro, transforma os tecidos em sabão, através da gordura, e, depois, as partes moles viram algo semelhante à argila.

Uma terceira possibilidade é a petrificação do cadáver, devido à infiltração de hidroxiapatita e do carbonato cálcico, como no caso das múmias dos pântanos de Tollund, na Dinamarca, ou do homem de Cashel, na Irlanda. De qualquer modo, para que os órgãos de um cadáver se mantenham conservados é indispensável que o corpo não entre em contato com o oxigênio. Na Noruega, por exemplo, os cemitérios têm problemas de espaço, porque os corpos não se decompõem, uma vez que são enterrados (por uma medida higiênica tomada durante a Segunda Guerra Mundial) em capas de plástico, que não permitem a passagem de oxigênio.

Muitas pessoas acreditam que a preservação dos seus corpos após a morte é um processo importante para seguir à outra etapa além da vida. A técnica teve sua origem no Egito, mas teóricos defendem que a prática de mumificação - usada até hoje - é uma prova de que uma civilização extraterrestres altamente avançada visitou a Terra num passado distante como você pode conferir em Alienígenas do Passado, do HSTORY:






Fonte: BBC




Projeto ALMA: aurora cósmica

Yudhijit Bhattacharjee
National Geographic

Para flagrar o nascimento de uma estrela, é preciso dispor de um poderoso complexo de telescópios

Os raios do sol poente cintilam nas antenas que fazem parte
 da grande matriz de milímetro/submilímetro, o telescópio
 alma, no alto do deserto do Atacama no Chile.

Em uma manhã de maio, duas caminhonetes cruzam a sossegada cidadezinha chilena de San Pedro, nodeserto de Atacama, e entram por uma estrada de terra que sobe pela encosta da montanha. O ano é 1994, e cinco sujeitos nas caminhonetes estão empenhados em uma busca peculiar achar o local mais alto, mais seco e mais nivelado do planeta. Orientando-se com um mapa emprestado pelos militares chilenos a um deles, o astrônomo Hernán Quintana, também chileno, os cinco estão atrás de um caminho que os leve ao topo do planalto de Chajnantor – a uma altitude de 5 mil metros, quase equivalente às dos acampamentos-base usados pelos montanhistas que escalam o monte Everest.




Com a cordilheira dos Andes formando uma barreira para as nuvens que se juntam sobre a Amazônia a leste e, a oeste, os ventos vindos do Pacífico recolhendo o pouco de umidade que resta depois que passam sobre a fria corrente do Peru (antes conhecida como corrente de Humboldt), o deserto de Atacama é uma das regiões mais secas da Terra, com uma precipitação média inferior a 15 milímetros por ano. A localização remota e a inóspita atmosfera seca e rarefeita – ideal para a observação do céu noturno – já haviam atraído vários projetos de telescópios multinacionais de grandes dimensões. Quase todos tinham como propósito vasculhar aquela parte do Cosmo acessível aos comprimentos de onda visíveis – ou seja, a porção do espectro luminoso que o olho humano é capaz de ver. No entanto, Hernán Quintana e os seus companheiros estão em busca de um local para outro tipo de telescópio, concebido para espreitar através das camadas de poeira e gás que envolvem as galáxias, giram em torno das estrelas e se estendem pelas imensidões do espaço interestelar. Esse equipamento levaria cerca de duas décadas para ser projetado, construído e montado ao custo de mais de 1 bilhão de dólares.

Antes de tudo, porém, os cinco exploradores precisam encontrar o lugar certo.


Com as últimas 25 antenas construídas na América do Norte prontas para 
serem posicionadas, a instalação do maior e mais caro – 1,3 bilhão de dólares –
 telescópio da Terra está chegando ao fim. O projeto americano, europeu e 
japonês quer mapear hoje regiões inacessíveis do Cosmo.

Os objetos existentes no Universo irradiam energia em diversos comprimentos de onda, dependendo do quão quentes ou frios são. A explosão de uma supernova, por exemplo, é muito quente: além de emitir uma luz visível equivalente à de bilhões de sóis, também produz ondas curtas, raios X de alta energia e raios gama – todas radiações detectáveis por telescópios especializados, como o Observatório Chandra de Raio X, que a Nasa mantém em órbita. Na extremidade oposta e mais fria do espectro estão os cometas e os asteroides, que emitem comprimentos de onda na faixa do infravermelho, portanto mais longos do que os nossos olhos e os equipamentos ópticos conseguem captar.

Grande parte do Universo ainda é mais fria. As nuvens de poeira e gás que estão na origem das estrelas encontram-se apenas ligeiramente mais quentes do que o zero absoluto – a temperatura na qual os átomos ficam imóveis. O nascimento dos planetas ocorre em cenários similares, baseado em fragmentos de poeira e gás, que vão se aglomerando no interior da névoa rodopiante em volta das estrelas recém-formadas.

Na década de 1960, os astrônomos que tentaram penetrar nesse “universo gelado” logo se deram conta do quão difícil era recorrer a antenas na superfície da Terra para detectar comprimentos de onda na faixa dos milímetros e submilímetros, ou seja, ainda mais longas do que o infravermelho. O primeiro obstáculo era aprender a lidar com o gigantesco volume de estática. Diferentemente da luz visível, que se desloca através da atmosfera planetária sem sofrer muita interferência, as ondas na faixa mais baixa são absorvidas e distorcidas pelo vapor d’água, que emite radiação na mesma faixa do espectro, acrescentando um ruído terrestre às ondas que chegam dos confins do espaço. Na faixa dos milímetros e dos submilímetros, as ondas transmitem bem menos energia do que a luz visível, produzindo um sinal débil mesmo quando a antena de rádio possui uma imensa área de coleta.

A solução encontrada pelos cientistas foi instalar várias antenas, formando uma matriz única, em locais de atmosfera muito seca, combinando os sinais delas como se fossem um único telescópio. Até a década de 1980, diversos conjuntos pequenos desse tipo estavam em funcionamento no Japão, na França e nos Estados Unidos. Logo avanços técnicos tornaram viável a ideia de montar uma matriz de antenas bem maior, configurando uma imensa lente com poder de resolução acentuado. Para isso, seria preciso achar um lugar alto e plano o suficiente de modo que as antenas pudessem ser montadas com intervalos de vários quilômetros. E, se fossem transportáveis, as distâncias entre elas poderiam ser alteradas a fim de ajustar a sensibilidade do telescópio para que se revelassem detalhes mais ou menos precisos.


A Grande Nuvem de Magalhães (no centro) destaca-se no firmamento sobre
 seis das antenas do ALMA. O gigantesco olho desse complexo de telescópios
 é capaz de espiar até os primórdios do Universo, bilhões de anos atrás, 
quando estrelas e galáxias ainda estavam se formando.

Na busca por um local ideal para a construção desse telescópio, os grupos de pesquisa da Europa, do Japão e dos Estados Unidos acabaram convergindo todos para o deserto do Atacama.

Hernán Quintana, que se debruçara sobre os mapas militares do deserto durante semanas antes da partida da expedição, na primavera de 1994, desconfiava que apenas o terreno mais alto acima de San Pedro de Atacama reuniria todas as condições necessárias. Não era fácil chegar lá.

“Foi uma viagem lenta e penosa, pois os pneus ficavam o tempo todo presos na areia”, lembra-se Riccardo Giovanelli, da Universidade Cornell, que acompanhou Quintana desde San Pedro, ao lado de Angel Otárola, do Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla em inglês), e de Paul Vanden Bout e Robert Brown, do Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO, sigla em inglês). No meio do caminho, a caminhonete de Vanden Bout e Otárola quebrou, mas os outros seguiram em frente e chegaram ao topo do Passo de Jama.

“O céu naquele dia tinha o azul mais profundo que se poderia esperar”, conta Giovanelli. Um dos astrônomos levara um instrumento para medir a umidade do ar. O teor de vapor na atmosfera era o mais baixo que os cientistas haviam encontrado em qualquer outra parte. “Não restava a menor dúvida de que, se houvesse um lugar, teria de ser por ali mesmo”, continua Giovanelli. Pouco tempo depois, em outra viagem exploratória, Brown deu com o local apropriado: um planalto extenso e amplo aos pés do Cerro Chajnantor.

Não demorou para que os três parceiros internacionais concluíssem que, se juntassem forças, poderiam construir uma única matriz muito mais potente do que se cada qual levasse adiante um projeto próprio. Assim, em 1999, a Fundação Nacional de Ciência (o órgão estatal americano responsável pelo NRAO) e o ESO firmaram um acordo para o projeto conjunto. Acertou-se, então, que cada instituição contribuiria com 32 antenas, cada qual com 12 metros de diâmetro. Os japoneses entrariam com outras 16 antenas, que formariam uma matriz complementar.


Uma foto composta das galáxias Antennae em colisão, a 70 milhões de anos-luz
 da Terra, mescla a luz visível (azul) capturada pelo Telescópio Espacial Hubble
 com redemoinhos jamais vistos de gás interestelar revelados em uma
 imagem obtida pelo telescópio ALMA.

Desse modo, teve início um esforço de duas décadas para transformar um dos locais mais solitários do mundo em um movimentado observatório de última geração. Minas terrestres instaladas décadas antes pelos militares chilenos para deter eventuais incursões da Bolívia ao norte tiveram de ser rastreadas e desativadas. Longas negociações foram necessárias para convencer uma empresa petrolífera, que planejava instalar um oleoduto na área, a modificar o trajeto das tubulações. Os protótipos das antenas tiveram de ser reprojetados após testes no estado americano do Novo México. Os custos não paravam de subir. O NRAO e o ESO não conseguiam chegar a um acordo quanto ao projeto das antenas, em parte porque cada parceiro queria privilegiar os fabricantes de seu próprio país. No final, decidiram seguir adiante com dois projetos distintos e duas cadeias de fornecedores, reduzindo para 25 o número de antenas que cabia a cada organização. Também havia o problema da falta de infraestrutura no vilarejo de San Pedro, que na época dispunha de apenas duas linhas telefônicas e um único posto de gasolina. “Tivemos de montar uma pequena cidade na encosta, no meio do nada”, comenta Al Wootten, do NRAO.

A primeira das antenas, pesando quase 100 toneladas, chegou dos Estados Unidos em abril de 2007 e foi desembarcada no porto de Antofagasta. Nos cinco anos seguintes, antenas continuaram a chegar, todas seguindo em carretas montanha acima escoltadas por carros de polícia. A montagem, para que operassem em conjunto, como um único telescópio, exigiu uma precisão assombrosa – teriam de girar juntas a um comando e apontar para o mesmo alvo no céu com diferença de tempo de apenas um segundo e meio entre elas. Para mesclar de maneira coerente os sinais de todas as antenas, seria preciso instalar um supercomputador capaz de ajustar, com mínima margem de erro, a distância percorrida pelos sinais ao longo de um cabo desde as antenas até o centro de processamento, e ao mesmo tempo compensar a dilatação do cabo devido às variações de temperatura.

Em uma clara manhã de abril, as antenas se projetam contra o ilimitado fundo azul do firmamento. Cada uma ergue-se 12 metros acima do solo. Operadas por controle remoto, elas se movem ao clique de um botão. Duas carretas especiais, de 28 rodas, apelidadas de Otto e Lore, ficam de prontidão para, quando necessário, mover as antenas para outros locais no planalto.

Na época da sua inauguração oficial, em março de 2013, o Grande Matriz Milímetro/submilímetro do Atacama (ALMA, sigla em inglês) já começara a satisfazer as expectativas. No ano anterior, com apenas 16 antenas em operação, pesquisadores da equipe de Joaquin Vieira, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), usaram o ALMA para espreitar 26 galáxias remotas que exibiam os sinais de formação estelar. Ficaram surpresos ao notar que as galáxias estavam à distância média de 11,7 bilhões de anos-luz, o que significa que a produção de novas estrelas estava bem adiantada quando o Universo mal contava 2 bilhões de anos de idade. Antes, estimava-se que esse ritmo frenético no surgimento de estrelas tivesse começado a ocorrer pelo menos 1 bilhão de anos mais tarde.

Em julho de 2013, os astrônomos relataram que as observações feitas com o ALMA haviam contribuído para a solução de um antigo enigma: o motivo de as galáxias maciças serem tão raras. Imagens da galáxia do Escultor mostram nuvens de gás densas e frias rodopiando a partir do centro do disco galáctico. A conclusão dos astrônomos foi de que o gás estava sendo fustigado por ventos originários das estrelas recém-formadas, uma enorme perda de material de formação estelar, que poderia prejudicar o futuro crescimento da galáxia. O fenômeno pode ser uma explicação para a raridade das galáxias maciças.

O ALMA também está ajudando os astrônomos a entender como se formam os planetas. No ano passado, eles obtiveram imagens de um disco de poeira rodeando uma estrela jovem – um berçário de planetas. As imagens revelaram o que parecia ser uma armadilha de poeira no interior do disco: uma região protegida onde os pequenos grãos poderiam aderir uns aos outros e, de um em um, crescer o bastante para servir de base a um planeta. Esse foi o primeiríssimo vislumbre do início do processo de formação planetária.

Quando todas as antenas entrarem em operação, até o fim deste ano, o ALMA vai nos revelar detalhes ainda mais sutis do Universo.