quinta-feira, outubro 15, 2015

A ciência de Plutão: confira os 8 principais achados da missão New Horizons

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Revista 'Science' traz primeiros resultados científicos do sobrevoo histórico feito pela sonda da Nasa, em julho. O planeta-anão tem o relevo mais complexo do Sistema Solar, atividade geológica recente, gelo feito d'água e céu azul

(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/Divulgação) 
Imagem da atmosfera de Plutão obtida pela sonda New Horizons da Nasa
 e divulgada nesta sexta-feira (24). Iluminada pela luz do Sol, ela é 
formada de uma espécie de "neblina" que se estende por 
130 quilômetros acima da superfície.  

Plutão era visto como o mundo mais distante e sem graça do Sistema Solar. Até que, em julho deste ano, a missão New Horizons, da Nasa, fez um rasante histórico sobre o planeta-anão. Pouco a pouco, as incríveis imagens da sonda revelaram que ele é repleto de geleiras, vales e montanhas onde existem fluxos de nitrogênio e água congelada, sob um nebuloso céu azul. Está longe de ser um mundo morto - é fascinante.

Esse é o retrato feito pela primeira análise científica de todas as imagens e achados da missão, publicada nesta quinta-feira (15) pela revista Science. O estudo, liderado por Alan Stern, responsável pela missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês), apresenta as características geológicas, atmosféricas, a composição da superfície e relevo de Plutão e suas luas, Charon, Hydra e Nix.

A missão começou a enviar suas melhores imagens, com resolução 1.000 vezes maior que as antigas, do telescópio Hubble, no início de julho. Nelas é possível identificar detalhes que tenham o tamanho de uma bola de futebol sobre a superfície do planeta anão. De acordo com Stern, se o Central Park de Nova York estivesse em Plutão seria possível observar com tranquilidade as lagoas do parque. Com essas informações, os astrônomos fizeram a descrição mais detalhada desses corpos celeste que, há três meses, só eram conhecidos pelos cientistas por imagens borradas e sem resolução. Até o momento, apenas o equivalente a 5% de todos os dados da missão foram analisados e novos estudos devem ser publicados pela equipe da New Horizons até o fim deste ano.

"Essa missão completa nosso reconhecimento inicial do Sistema Solar, dando para a humanidade seu primeiro olhar para este mundo fascinante e seu sistema lunar", disse o astrônomo Jim Green, um dos diretores da Nasa e parte da equipe responsável pelo artigo da Science, em um comunicado. "Ela serve também para inspirar a nossa geração e gerações futuras a continuar explorando o que está além."

Confira os principais (e intrigantes) achados sobre Plutão:

É maior que o esperado


(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/VEJA) 


As primeiras imagens enviadas pela missão New Horizons, antes mesmo da maior aproximação, de 13.691 quilômetros da superfície de Plutão, revelaram que o seu diâmetro é de 2.370 quilômetros – 70 quilômetros a mais que o esperado. Com isso, torna-se o maior planeta-anão do Cinturão de Kuiper, região do espaço onde o planeta-anão se localiza.

Tem uma planície em formato de coração


(Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics
 Laboratory/Southwest Research Institute/VEJA)

 A região em formato de coração vista nas primeiras imagens de Plutão foi batizada de Planície Sputinik. Ela é lisa e formada de gelo, provavelmente de nitrogênio. A ausência de crateras indica que foi formada há cerca de 100 milhões de anos – algo recente em termos geológicos.

Apresenta atividade geológica recente


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)

Uma das descobertas mais intrigantes da Missão New Horizons é que Plutão apresenta atividade geológica recente. De acordo com os cientistas, elas datam de centenas de milhões de anos e, possivelmente, continuam até o presente. As diversas crateras de diferentes tamanhos, montanhas dispostas de maneira caótica, como as de uma região chamada Tombaugh, indicam que, talvez, o planeta-anão tenha placas tectônicas e movimentos erosivos. Os cientistas não sabem, entretanto, qual a fonte de energia que estaria por trás dessa reestruturação da superfície.

É coberto por geleiras e Icebergs


(Foto: NASA/JUAPL/SwRI/Divulgação)
  
Algumas regiões do planeta-anão mostram espaços “semelhantes a geleiras terrestres”, de acordo com o estudo publicado na revista 'Science'. A porção Oeste da Planície Sputinik apresenta várias montanhas assim. Os astrônomos acreditam que elas sejam blocos que flutuam sobre nitrogênio, monóxido de carbono ou metano congelado.

Armazena gelo formado de água


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)
  
Segundo os cientistas, as diversas montanhas encontradas na superfície do planeta-anão precisam de alguma "ancoragem" em superfície sólida. Essa base seria feita de gelo d'água, uma “cama congelada" que estaria por baixo do gelo formado pelos outros elementos químicos, como nitrogênio, metano e monóxido de carbono, ajudando na sustentação das montanhas.

Seu céu é azul


(Foto: JHUAPL/SwRI/Nasa)


  
As primeiras imagens de Plutão mostraram uma neblina que cobre todo o planeta. As medições revelaram que essa atmosfera se estende por cerca de 150 quilômetros a partir da superfície e é azul. Os astrônomos acreditam que as partículas que dispersam a luz solar nessa cor em Plutão sejam tolinas (moléculas não encontradas naturalmente na Terra, formadas pela ação da radiação ultravioleta em compostos orgânicos simples) que existem na parte mais alta da atmosfera onde a luz do Sol ioniza as moléculas de nitrogênio e metano e faz com que se recombinem. Elas são, provavelmente, vermelhas ou cinza mas, ao dispersarem a luz, promovem a tonalidade azul.

É colorido


(Foto: NASA/JHUAPL/SwRI/Divulgação)

De acordo com os cientistas, Plutão apresenta um dos maiores espectros de cores vistos em corpos celestes. Além do céu azul, a superfície se divide em tons de vermelho e azul. As cores são formadas por processos morfológicos e também físicos, como a sublimação do gelo.

Tem duas ou três luas


(Foto: NASA/JUAPL/SwRI/Divulgação)

Charon, considerada a maior lua de Plutão, foi formada pela colisão de um objeto celeste com o planeta-anão e também exibe movimentos tectônicos e tem composição parecida com a de Plutão. Eles são tão parecidos que talvez formem um sistema planetário binário. De acordo com os cientistas, Charon é também um planeta-anão, além de uma lua, ambiguidade comum na astronomia. Já Nix e Hydra são apenas satélites e, provavelmente, cobertos de água gelada.

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