terça-feira, outubro 13, 2015

A vida ressurge — triunfante — do inferno de Chernobyl

Vanessa Barbosa
EXAME.com 

Força: pesquisadores ficaram maravilhados ao ver como
 a natureza se mostrou resiliente ao desastre nuclear.

São Paulo - Há 29 anos, a vida chegou a um fim súbito e terrível em Chernobyl. Hoje, ela ressurge triunfante — e os pesquisadores estão maravilhados com isso.

Em estudo publicado esta semana na revista científica Current Biology, cientistas relatam que o local parece menos com uma zona de desastre e mais com uma reserva natural, repleta de alces, aves, veados, javalis e lobos.

Conhecido como o pior acidente nuclear da história, a catástrofe de Chernobyl ocorreu em abril de 1986 durante um teste de sistema no reator 4 da central nuclear, perto da cidade de Pripyat, na antiga República Socialista Soviética da Ucrânia.


Uma série de explosões lançou na atmosfera um volume de partículas radioativas 400 vezes maior que o liberado pela bomba atômica de Hiroshima, no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. A radiação matou milhares de pessoas e transformou a área no centro da Europa em um deserto.

De lá para cá, não foram poucos os estudos sobre os efeitos de radiação e as reduções pronunciadas das populações de animais selvagens nos 4.200 km² da zona de exclusão da usina de Chernobyl.

Agora, a nova evidência, baseada em dados de censo de longo prazo, mostra que as populações de mamíferos se recuperaram. De modo geral, os pesquisadores ficaram maravilhados ao ver como a natureza se mostrou resiliente ao desastre radiológico.


 A abundância relativa de alces, veados, cervos vermelhos e javalis dentro da zona de exclusão já se assemelha a de quatro reservas naturais não contaminadas na região, relatam os pesquisadores.

O número de lobos que vivem dentro e ao redor da central de Chernobyl é sete vezes maior do que o encontrado nessas reservas naturais.

Dados da pesquisa obtidos por observações de helicópteros também revelam tendências crescentes nas populações de alces e corças (um primo afastado do veado).

"Estes resultados demonstram, pela primeira vez, que, independentemente de potenciais efeitos de radiação em animais individuais, a Zona de Exclusão de Chernobyl suporta uma abundante comunidade de mamíferos após quase três décadas de exposição à radiação crônica", concluem os pesquisadores.

Eles observam que estes aumentos ocorrem num momento em que as populações de alces e de javalis estão em declínio em outras partes da antiga União Soviética.


"As descobertas são um lembrete da resistência dos animais selvagens, principalmente quando estão 'livres' das pressões de habitação humana", diz o coautor do estudo Jim Beasley, da Universidade da Geórgia — a região virou uma grande cidade-fantasma, quase sem sinal de ocupações humanas.

Para os pesquisadores, elas também podem conter lições importantes para a compreensão do impacto potencial a longo prazo do mais recente desastre radioativo de grande repercussão no mundo, o acidente de Fukushima, no Japão.


Nenhum comentário: